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David Lynch fez sua primeira aparição pública desde o final da nova temporada, que aconteceu no último dia 3. A aparição se deu por uma sessão de Skype em um telão no Centro Cultural de Belgrade na Sérvia, que atualmente exibe a exposição de fotos “Small Stories” do diretor.

Respondendo à perguntas do público, Lynch se recusou a revelar o destino de Audrey Horne. “O que importa é o que você acha que aconteceu. Muitas coisas acontecem na vida e nós temos que chegar às nossas próprias conclusões. Você pode ler um livro que te gera inúmeras dúvidas, você quer questionar o autor sobre elas, mas ele morreu há muitos anos. Aí cabe a você resolver essas dúvidas.”

Sobre uma quarta temporada, Lynch declarou que os fãs devem ser pacientes. “Demorei quatro anos e meio para escrever e filmar essa temporada”.

Será que só teremos Season 4 em 2022?

Alguns fãs tinham proposto uma dimensão alternativa, como uma linha de tempo alternativa em Twin Peaks: The Return. Esta teoria diz sobre uma viagem no tempo, possivelmente por Cooper, mudou a história, resultando em “discrepâncias” em na História Secreta. Laura ainda está viva, Annie pode não ter nascido, e Ben Horne talvez nunca tenha reformado. De fato, Laura não sendo assassinada, talvez se Cooper viajasse no tempo (usando o Black Lodge) salvando sua vida, isso faria com que Leland não morresse do jeito que morreu, e Ben Horne nunca teria sido preso, levando sua reforma (isto explicaria a carta de Audrey). E se Norma tivesse pais diferentes, talvez não tenham tido Annie. Se o universo alternativo ou as teorias alternativas da linha de tempo estão corretas, ele limpa bem as inconsistências no livro.

How’s Annie?

O personagem de Annie foi criada para o avivamento da série, após um breve cancelamento durante a segunda temporada. Os showrunners conseguiram convencer a rede para trazer Twin Peaks para alguns episódios finais, que encerrariam as maiores linhas de história (mais ou menos). Devido à dissolução do romance Audrey/Cooper, o personagem de Annie Blackburn foi escrito rapidamente para preencher o papel do interesse amoroso de Cooper. É possível, se improvável, que Lynch e Frost decidiram reescrever a série para não omitir os personagens em seus planos originais.

Quando perguntado sobre Annie por um fã em uma assinatura de livros, Frost supostamente respondeu que não podia falar sobre Annie, mas que Lana Budding ganhou a Miss Twin Peaks em 1989 (o ano dos acontecimentos na série, e quando Annie Blackburn deveria ter sido Miss Twin Peaks). O que isto significa? Lana, como subcampeão, concedeu o título depois que Annie ficou em coma? Isso não faria com que ela ganhasse Miss Twin Peaks. Frost escolheu essa maneira muito específica de responder a essa pergunta particular. Deve haver uma razão. Annie teve que ter sido propositadamente omitida, depois de ter interpretado uma parte tão importante na segunda temporada. Mas por que ela foi omitida e qual a explicação para o desaparecimento da história?

Todos esses aparentes “erros” poderiam ter uma resposta: o livro Twin Peaks: The Return, ocorrem em um universo alternativo.

Há outras dicas de que Twin Peaks: The Return tem a ver com dimensões alternativas: uma atriz (e um único ator) de  quase todos os outros filmes de Lynch deve aparecer na nova temporada – Laura Dern (Blue Velvet, Wild at Heart, Inland Empire), Naomi Watts (Mulholland Drive, Rabbits), Balthazar Getty (Lost Highway), além de Charlotte Stewart (Betty Briggs), de Twin Peaks, que também apareceu em Eraserhead. Isso poderia caber facilmente com a Teoria do Universo Lynchiano, o que supõe que todos os filmes principais de David Lynch estão conectados através de caminhos interdimensionais, como o Black Lodge, hotel do Inland Empire e Club Silencio da Mulholland Drive.

Part 17

Quando Laura desaparece da mão de Cooper (a cena se repete entre a Parte 17 e 18) é insinuado diferentes cronogramas existentes simultaneamente. Estamos lidando com diferentes cronogramas e possivelmente uma realidade que tenha sido alterada. Cooper certamente tinha um plano, e suas palavras sobre a esperança de voltar e ver todos na delegacia de Twin Peaks possuem muitos significados quando ele estava vendo uma linha do tempo e saltando para outra linha do tempo, misturando e combinando linhas do tempo. De qualquer forma, ele não tinha certeza de que todas aquelas pessoas na delegacia estariam lá na próxima vez, porque ele estava alterando a realidade, ignorando as dimensões ou saltando no espaço-tempo, como Phillip Jeffries em FWWM.

Linha do tempo A: Tem tudo o que vimos em FWWM até a parte onde Dale Cooper real, Diane e Cole vão para o portal que leva à loja de conveniência (onde ele insere a chave 315). Esse mundo ainda existe e continuará a existir.

Linha do tempo B: Tem a questão de saber onde está Laura Palmer. A única coisa que vemos nesse mundo é o corpo de Laura desaparecendo. Esse mundo terá mudanças menores para a maioria, possivelmente até grandes, não sabemos.

Linha do tempo C: É onde todos os nomes foram alterados (Richard, Linda, Carrie) e é realmente o mundo real, onde você e eu vivemos.

Linha do tempo D: É o ponto central. É onde as pessoas podem entrar e sair. É aqui que Audrey interage com o bar Roadhouse. As pessoas de todas as linhas de tempo podem entrar e interagir, mas acabam voltando para sua própria linha do tempo. Quando a Laura grita no final, Dale e Laura são transportados para lá.

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Ficou constado no episódio 17 que antes do Major Briggs desaparecer, ele compartilhou com Gordon e Cooper a descoberta de uma entidade de forma extrema negativa, chamada nos tempos antigos de “Jowday” e que ao longo do tempo se tornou “Judy”. Major Briggs, Cooper e Gordon criaram um plano que os levariam até Judy. Gordon diz que Phillip Jeffries (que não existe mais “não do jeito normal”, pois atualmente Jeffries existe como forma de espírito ou corrente elétrica, e com isso, pode ter dissolvido seu senso de si mesmo) estava há muito tempo a procura dessa entidade e nessa procura, ele desapareceu. (outras teorias que especulam a identidade de Judy).

A garota e o garoto no Novo México não são Sarah e Leland Palmer, nem Margaret Lanterman. Leland e Margaret foram criados e morreram  em Twin Peaks. Toda a família de Leland é do estado de Washington. Tudo que foi descoberto sobre os antecedentes de Sarah é que ela foi para a faculdade no estado de Washington, onde conheceu Leland. Não há nenhuma razão para que nenhum deles esteja no Novo México neste momento. É muito mais provável que estes sejam os Robertsons, que, quando Leland Palmer  é uma criança, tem uma casa de verão em Pearl Lake e transferem-lhe o espírito habitante. Pode também ser uma simbologia de como o mal começou.

Muitos especulam que Sarah estava sob influência ou a mesma é, Judy. Mas a imagem real ao redor de seu lado sombrio parece estar conectada ao Jumping Man (ou o neto da Sra. Tremond/Chanfont). Vimos o que é aparentemente seu rosto, juntamente com o dele. Richard e Carrie (Cooper e Laura) foram à casa de Sarah (e, assumimos, um confronto com Judy). Em vez disso, conhecemos “Alice Tremond” que comprou a casa da “Sra. Chalfont”.

Jeffries disse a BadCooper que ele conhecia Judy. Como Judy é uma entidade espirituosa, não pode ser de caráter terrestre. BadCoop estava a procura de Judy – que seria possivelmente o experimento que vimos no episódio 8, a Mother no episódio 3 – a figura que estava desenhada no mapa de Hawk, no bilhete de Briggs e carta de baralho do BadCoop no inicio da temporada. BadCoop, que era o Doppelganger e um veiculo para BOB tinham um propósito de burlar as leis do Black Lodge e sabendo da superioridade que Judy possivelmente tem no Black Lodge (o controle com o tempo), BadCoop queria esse poder juntamente com ela. O mesmo financiava a caixa de vidro.

A Loja de Conveniência tem o mesmo papel de parede que vimos no sonho de Laura no filme FWWM, sabemos que sua casa é uma parelelo à loja, pois o mesmo papel de parede tem na casa dos Palmer, a loja fica acima. Sabemos que a loja de conveniência é onde os espíritos (dugpas, woodmens) discutem a “garmonbozia”. A loja é a atual localidade de Jeffries, e o domínio de Judy.

Se Sarah foi habitada por Judy, Cooper salvou Laura no passado frustrando Judy, destruindo seus objetivos. O futuro corpo de Laura nunca foi encontrado, foi um futuro onde Judy não ia habitar em Sarah. Laura estava morta, mais ainda vivia. Ela não devia se lembrar ou aprender dessa realidade (é futuro ou passado?). De bom coração, Cooper pensou revelando isso para Laura, que completaria o círculo e “derrotaria” Judy, se esta já não estivesse “derrotada”.

 O grito de Laura no final é um lembrete doloroso do trauma e abuso que está no cerne desta história. Não importa o quão longe a história se afaste disso, sempre voltará à dor de Laura. Embora os personagens possam tentar ignorá-lo, e apesar de algum deslocamento da realidade que quase exclui, a experiência de vida horrível de Laura sempre está se aproximando das sombras e gritam para o reconhecimento. Tão inquietante quanto esse final é, faz sua justiça na medida em que reconhece o horror dela. Pelo menos neste caso, Cooper está lá para confrontá-la com ela.

Finalmente, na reta final da temporada, a linha tênue que separa o sonho e a realidade em Twin Peaks é cruzada. Até mesmo para aqueles que se desagradaram durante o percurso, a espera se mostra recompensadora, e as 15 horas passadas resultam em uma avalanche de puro Lynchianismo. Cada enredo parece se beneficiar disso a sua maneira e, mesmo que os eventos dos últimos episódios se destaquem, eles não ofuscam o desenvolvimento anterior.

Mas o fim justifica os meios? De fato, por mais abrupta que a volta de Dale seja, por exemplo, nem por isso o entrecho de personagens e eventos envolvendo Dougie/Cooper é descartado – na verdade, causam até um peso no personagem, que esteve consciente de tudo ao seu redor, mesmo enquanto vegetal. E o estopim de acontecimentos do episódio, em especial os relacionados a Diane e Audrey, também lançam uma luz sobre os acontecimentos anteriores. Não há nada no passado que não mereça uma revisão, até os três minutos de pessoas varrendo o que cai muito bem na semana de espera para os dois últimos episódios.

“QUE TIPO DE VIZINHANÇA É ESSA?”

Lynch constrói o seu mundo em coisas mundanas, é daí que nasce o humor e as características do seu surrealismo. Pacotes de salgadinhos fazem um grande papel num tiroteio, pois, se não estivessem faltando, teria Chantal sido tão impulsiva a ponto de dar o primeiro tiro, estragando todo o plano da tocaia e condenando a própria vida e a do Hutch? O primeiro incentivo para a briga – a ocupação da van na frente da garagem – , como apontado por Rodney Mitchum, revela um dos defeitos do cotidiano americano, exagerado ao máximo.

Segundo a própria definição da palavra derivada do diretor, classificada por David Foster Wallace, a sequência da morte do casal foi um dos momentos mais marcantes da temporada: “Um assassinato doméstico não é ‘Lynchian’. Mas, se o homem – e se a polícia vem ver a cena do crime e encontra o homem em pé ao lado do corpo e a mulher – vejamos, o cabelo ‘bouffant’ dos anos 50 dela está sem perturbações e o homem e os policiais têm uma discussão sobre o fato de que ele matou a mulher porque ela se recusou a comprar, por exemplo, a manteiga de amendoim de uma marca ao invés de outra, e como isso é muito, muito importante […] isso seria ‘Lynchiano’ – essa estranha confluência de coisas extremamente obscuras, surreais, violentas e […] banais, produtos americanos, terreno que ele vem trabalhando por um tempo”.

“ADEUS, MEU FILHO”

A eletricidade também vem sendo um dos elementos explorados no Revival, e com ela temos um outro exemplo de morte inexplicavelmente absurda. Richard Horne finalmente tem o que lhe é merecido, quando ele acaba sendo a vítima de uma armadilha, preparada por Phillip Jeffries para o Mr.C. O acontecimento não só tem um potencial efeito de choque para com o público – sim, ele é o filho do Bad Cooper com a Audrey e considerando a revelação posterior de Diane, provavelmente também foi de um abuso que se deu a sua criação -, mas também levanta um questionamento essencial quanto a validade de alguns arcos na série: Por que ele foi tão facilmente descartado e como isso influenciará o final? No primeiro episódio do Retorno, o nome do personagem é citado pelo Fireman e, talvez, a despedida feito pelo seu pai não signifique necessariamente a sua morte definitiva.

“EU SOU O FBI”

A volta do Agente Dale Cooper é, assim como a morte de Richard, abrupta e extremamente esperada. De todas as formas mirabolantes cogitadas, a mais simples e menos antecipada foi a que ocorreu – o choque, no episódio passado, foi o suficiente para fazê-lo. Mas, desta vez, o recurso de frustração narrativa, excessivamente utilizado nessa temporada, é deixado de lado para ser entregue um dos momentos mais emocionantes até agora. O tema da série é tocado, assim como na primeira aparição de Laura Palmer em Fire Walk With Me – após todo o segmento envolvendo as investigações de Teresa Banks -, para nos lembrar que depois de tanto tempo, finalmente estamos em casa.

Depois de tanto tempo, é complicado separar o que é “original” do que já nos é familiar no retorno – uma divisão que, por si só, é absurdamente desnecessária, mas é compreensível a necessidade de comparação com o material dos anos 90. Ao passo que nos afeiçoamos com personagens como Janey-E, Sonny Jim, Bushnell ou até mesmo os três irmãos Fusco, a despedida deles fica mais difícil. Ao acordar, Cooper reconhece tudo que estava acontecendo ao seu redor e, ao ser abordado por Mike, faz-lhe um pedido: a produção de mais uma réplica manufaturada de si próprio, através de uma mecha de cabelo e uma das sementes (o globo dourado, saído de Dougie), com o objetivo de presentear a família Jones com o seu substituto. Ainda lhe é dado O Anel, ferramenta deduzida como essencial para o aprisionamento do Doppelganger, no confronto que está por vir.

SEM BATIDA NEM CAMPAINHA

Ao nos aproximarmos desse enfrentamento, é impossível não notar as maquinações produzidas pelo Mr. C: da produção de Dougie – como um meio de se salvar de ser substituído, na vinda do Good Cooper -, até a criação da tulpa de Diane – uma provável isca para o FBI, com o objetivo de extorquir informações e até matá-los, se fosse necessário -, ele posicionou as peças no tabuleiro, para garantir a sua permanência, ocasionando quase todos os acontecimentos dessa temporada. O estranho da cópia de Diane é que, aparentemente e até certo ponto, ela era consciente do seu estado e tinha memórias da sua versão original – algo que não sabemos se ocorreu com Dougie. Através de uma espécie de mecanismo (“: – ) ALL”), o Mr. C invoca um comportamento hostil em Diane, provocando nela uma crise e fazendo-a revelar o que aconteceu na última noite em que se encontraram. Gordon Cole pressente o perigo presente nela, antes mesmo dela entrar no quarto. Quando ela finalmente tem uma recaída e está prestes a atirar nele, Albert e Tammy a impedem, matando-a.

Leia mais sobre tulpas, Diane é Audrey no post de Impressões e Teorias do episódio.

AUDREY’S DANCE

A parte 16 continua a entregar o prometido, confirmando a validade de algumas suposições e teorias: Audrey realmente estava presa em um sonho. Depois de enfim chegar ao Roadhouse, a menção de sua música quebra barreiras da nossa realidade com a dela, funciona como um levantar de cortinas. Ela segue a música e dança, em outro momento memorável do Retorno – cuja umas das graças, foi simplesmente ir contra a corrente de revisitações dirigidas pela nostalgia. Em meio de todos os elementos nunca vistos antes e que nos foram apresentados, a nova temporada soube muito bem como se utilizar da auto-referência e somos gratos por isso.

Glória, glória! Aleluia!

As consequências do despertar de Audrey, aparentemente, não se limitam ao núcleo dela e de Billy e podem se estender ao ponto de nos fazer questionar o que realmente foi “real”, durante todo o show. Mas, é ainda necessário informar que a produção, no seu modo, tem as suas próprias regras. O que é instável aqui, seja na linearidade ou cronicidade, como é o caso da Audrey, se auto-denuncia previamente de diferentes formas. É preciso se manter atento aos detalhes e aos sons antes de supor e derrubar o que foi rigidamente estabelecido. Talvez seja melhor nem pensar, enquanto nos dirigimos ao terreno desconhecido e imprevisto das duas horas finais da série. 

Nós ouvimos pela primeira vez o termo “Tulpa” sendo usado pela Agente Tammy Preston na parte 14, depois que Albert lhe contou a história do primeiro caso “Blue Rose”; Tammy usa a palavra para descrever a efígie de Lois Duffy. No miticismo budista tibetano, uma tulpa é uma “forma de pensamento”, uma manifestação criada por poderes espirituais ou mentais, embora só apareça descrever parcialmente o que vemos em Twin Peaks. As tulpas de Twin Peaks têm uma forma física tangível, e possivelmente sob o controle do criador, semelhante ao mito Golem; As esferas douradas representam a “semente” e também sugerem um componente alquímico na sua criação, como histórias do homúnculo. Quaisquer que sejam as influências precisas, a tulpa de Twin Peaks é uma façanha de mágica em que uma semelhança física e característica de uma pessoa é criada para um propósito; É completamente diferente de um doppelganger, que é a sua sombra, porém mais importante.

No episódio 3 somos introduzidos à Dougie Jones e enquanto estava em seu encontro com Jade, ele sentia seu braço esquerdo adormecido, no mesmo braço, em sua mão – no dedo espiritual-, o anel da coruja. Ele é sugado para o Black Lodge e MIKE explica que Dougie foi “fabricado” para um propósito, e que já foi cumprido; Isso tem base no que BadCooper teria comentado, sobre ter um plano para evitar retornar ao Black Lodge e que Dougie existe para enganar as regras do Logde, retornando em seu lugar. Tentar identificar como Dougie foi “fabricado” é um pouco mais difícil, mas o que sabemos é que não há registros existentes antes de 1997, cerca de 5 ou 6 anos após os eventos originais em Twin Peaks parece que foi o momento que ele foi criado. Também é provável que BadCooper criou seu plano para Dougie com Diane (ou melhor, sua tulpa) já que Dougie é casado com sua meia-irmã, Janey-E. O BadCooper parece ter feito Diane de sua forma original e é por isso que ela é fisicamente e caracteristicamente quase idêntica a verdadeira Diane.

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Porém nesse episódio indica que outra tulpa de Dougie pode ser feita pelos cabelos do Cooper Original, o que presumivelmente foi que BadCooper fez originalmente; Isso explica por que Dougie não combina. Ele deve ter sido um homem gentil e decente quando Janey-E se apaixonou por ele, e ele tem um bom relacionamento com Sonny Jim (talvez os bons traços de Dale) mas ele frequentemente levava uma vida de apostas em jogos, álcool e era negligente com a sua família (talvez os traços negativos de BadCooper). Parece ser plausível que Douglas Jones já pudesse ter existido e casado com Janey-E antes de 1997; Bushell disse que Dougie esteve envolvido em um acidente de carro antes de trabalhar para ele, e poderia estar sob esses pretextos que BadCooper e Diane pegaram Dougie e o substituíram por uma tulpa. O acidente serviria como uma boa explicação para Janey-E, pois haviam diferenças na personalidade ou comportamento de Dougie, pois elementos de Cooper poderiam estar misturados; Isso também poderia significar que seu anel de casamento, encontrado mais tarde no corpo do Major Briggs, fazia parte da criação. No entanto, não explica por que não há registros dele antes de 1997; Talvez quando Dougie Tulpa “nascesse” de alguma forma apagou sua existência (lembrando do Doppelganger da Evolução do Braço dizendo “Inexistente!”) da verdadeira vida do Douglas Jones real até esse ponto. Isso pode significar que a essência do Douglas Jones real ainda pode existir em algum lugar.

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Diane finalmente revela o que aconteceu quando BadCooper a visitou naquela noite fatídica há muito tempo. Depois de anos sem contato com BadCooper, ele apareceu em sua sala de estar em uma noite sem avisar. Feliz por vê-lo novamente, ela o abraçou e falou sobre o FBI, pois ainda trabalhava naquela época. Ela conta que BadCooper, que ela achava que era Cooper, inclinou-se para beijá-la, mas quando isso aconteceu, Diane ficou sobrecarregada de medo; É fortemente sugerido que, nesse momento, ela viu o rosto de BOB, sorrindo de forma maníaca e abusou dela. Ela diz que depois foi levada para um posto de gasolina, a possível loja de conveniência. Seus pensamentos se afastam e ela entra em pânico dizendo “Eu não sou eu! Eu estou na delegacia do xerife…”. Examinando a mensagem de texto de BadCooper “🙂 ALL” que seria um comando para que ela matasse Albert, Tammy e Gordon, sendo impedida, ela foi levada para a Sala Vermelha. Diane aparece sentada naquela cadeira familiar, envolta estão as cortinas vermelhas de veludo. Ao contrário de Dougie, ela não estava confusa. Diane está plenamente consciente de sua situação e diz para onde MIKE deve ir. Muito parecido com Dougie, de sua cabeça sai uma esfera dourada e seu corpo se dissolve em fumaça e eletricidade. Alguns elementos interessantes a serem levantados: as esferas douradas deixadas para trás quando as tulpas de Dougie e Diane são destruídas. Quando o verdadeiro Dale Cooper acorda de seu coma, ela fala para MIKE “Você tem a semente? Você tem a semente?”; Em resposta, MIKE mostra a esfera de ouro, confirmando. Cooper lhe dá um fio de seu cabelo e pede para que MIKE crie “outro”, o que podemos entender é que será outro Dougie tulpa. Isso, por sua vez, sugere que a esfera de ouro é uma essência de uma pessoa, e talvez ela possa ser usada não apenas para criar duplicatas, mas na verdade restaurar o indivíduo original. O diálogo de Cooper com Janey-E & Sonny Jim implica fortemente que alguma versão de Dougie retornará a eles.

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Há também o fato de que, quando o verdadeiro Cooper explica sua missão aos Irmãos Mitchum, ele observa especificadamente que ele deve ir para a delegacia de Twin Peaks. Há várias razões plausíveis do que isso poderia ser; Ele quer avisar o que está acontecendo e pode estar ciente de que eles estão procurando por ele ou ele sabe que o Fireman/Gigante falou com Andy e lhe deu uma missão. Podem ser todos esses fatores, e que ele saiba que Diane é possivelmente Naido (seu nome é um anagrama: O-DIAN) restaurar o seu “eu” real; Andy disse que Naido deveria ficar protegida pois a queriam morta. Quando BadCooper perceber que a tulpa de Diane foi destruída, ele provavelmente fará o mesmo com Naido. O verdadeiro Cooper já parece estar decidido a não apenas deter BadCooper, mas também desfazer os danos que ele causou como pode; Restaurar Diane e Dougie (reunir Dougie com sua família) seria um grande passo para isso.

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Mais de uma pessoa tem teorizado de que Audrey está consciente porém institucionalizada (ou que até então estava em coma sonhando e acordou no último episódio). Os nomes das pessoas que ela conhece e continua fazendo referência pode ser apenas nomes que ela ouviu de pessoas na instituição. Uma das garotas na Roadhouse (filha da Tina) no ep 14, aparentemente disse que gasta muito tempo “ficando high na casa de loucos”, o que pode significar que ela é uma das funcionárias. Audrey tem interação com a realidade, e essa personagem que possivelmente trabalha nesse hospital, tinha contato com o Billy (a quem Audrey tanto menciona, e que possivelmente possa ser o homem que está com a boca sangrando na delegacia) pois a mãe da mesma tinha um caso com ele. Nesse último episódio Cooper ficou em coma depois de ser eletrocutado e foi dito que “Você pode ficar muitos anos em coma“, um sinal talvez para a situação de Audrey. A cena final do episódio deu a sugerir de que ela possa estar em um hospital psiquiátrico e tem muito delírios, principalmente com a sua música, Audrey’s Dance, onde toda a sequência pode ter sido apenas um desejo de alguém que está instável. O som de eletricidade e a música ao contrário revelam a natureza sobrenatural do que pode ter acontecido. O BadCooper fez da Diane uma tulpa e a usou, com Audrey não foi diferente. O coma aconteceu, ela deve ter acordado e nunca ter aceitado a sua condição real e isso a fez enlouquecer. Audrey criou inúmeros delírios, uma dissociação da realidade – que ela não está inteiramente presente, mesmo consciente – para possivelmente apagar seus traumas, ou simplesmente não vivê-los.

“Eu carrego um tronco, sim. Isso é engraçado para você? Não é para mim. Por trás de tudo há uma razão. Razões podem até explicar o absurdo” – Margaret Lanterman, S01E01

Morte e senescência, os dois principais temas desta encarnação de Twin Peaks, tomam forma na Parte 15 no modo mais doloroso. É com o livramento do peso, da desesperança e da enfim correspondência de um amor de décadas, que se inicia o episódio. Mas, por mais que nos deslumbramos o céu azul de Big Ed e Norma, no fim, somos obrigados a encarar o destino inevitável: o falecimento da Log Lady, a aparição de Phillip Jeffries, transcendem a tela e transmitem uma gravidade real. Um último desafio, que Catherine E. Coulson, em especial, aceita e cumpre com excelência. Não seria tão estranho, se a cena em que o pessoal da delegacia recebe a notícia da passagem da personagem, realmente refletisse a reação da morte da própria atriz. “Hawk, o meu tronco está ficando dourado, o vento está em prantos, eu estou morrendo”.

“ED, VOCÊ ESTÁ LIVRE!”

A figura de Nadine, com a pá dourada nos ombros, com o monte, que dá nome a cidade ao fundo e indo libertar o pobre Big Ed da sua prisão matrimonial, com certeza, é uma das cenas mais icônicas da temporada. A razão para esse ímpeto de extrema sanidade se dá ao Dr. Jacob e o seu programa conspiratório, que exerce uma influência inimaginavelmente boa na personagem. Mas, pela ociosidade característica dela, só nos resta esperar que essa escolha tenha sido realmente decisiva.

O encontro posterior do casal, já mencionado, traz consigo a ansiedade da possibilidade da rejeição, levada pelos anos de espera de um pelo o outro. Um conflito, porém, não é considerado nem premeditado pelos dois. As adversidades na vida, tanto de Ed quanto de Norma, resultam numa aceitação, mesmo que sofrida, na pior das situações imaginadas. As nuances na atuação de Everett McGill – que estava longe das câmeras por mais de uma década – transmitem o peso da idade, a gravidade de uma última grande decepção em vida e, enfim, a satisfação da aguardada união com o seu amor. É uma construção excelente, com um pico emocional delirante, no toque de Norma no ombro do outro, após ela tomar uma decisão final quanto os seus negócios. É um tanto estranho e maravilhoso, deslumbrar essas nuvens no céu azul, em plena Twin Peaks.

“EU VOU ESTAR COM OS RINOCERONTES?”

“Existe uma tristeza nesse mundo, para nós que somos ignorantes de tantas coisas. Sim – nós somos ignorantes de muitas coisas belas, coisas como a verdade. Então a tristeza em nossa ignorância é bastante real. As lágrimas são reais. O que é essa coisa chamada lágrima? Existem até pequenos ductos – ductos lacrimosos – para produzir essas lágrimas, quando a tristeza acontecer.

Então, no dia quando a tristeza vem, nós perguntamos: ‘Irá essa tristeza que me faz chorar, essa tristeza que me faz chorar o coração para fora, acabar um dia?’ A resposta, é claro, é sim. Um dia a tristeza irá acabar.” – Margaret Lanterman, S01E03

Contudo, não foi exatamente ensolarado o dia para Steven Burnett. Becky estava certa, quando ainda na Parte 13, pressentiu o marido estar em apuros, só não era esperado por ela que ele cometesse suicídio. Numa cena, em meio a floresta de Douglas Firs, encontramos ele e Gersten Hayward, tentando convencê-lo de não fazer o pior, durante uma crise. Numa sequência de movimentos compulsivos e frases aleatórias, os dois são flagrados por Cyril Pons (Mark Frost, reprisando o seu papel como jornalista da série original), que após o disparo de uma arma, corre para o Fat Trout Trailer Park, avisando Carl sobre o ocorrido.

Mark Frost, co-criador e roteirista da série, como Cyril Pons

Relacionamentos também não parecem irem ao certo com James Hurley. No Roadhouse, após simplesmente cumprimentar Renée (a moça que se emocionou com a apresentação dele na parte 13), ele acaba se envolvendo numa briga com Chuck, com quem ela é comprometida. Freddie Sykes, acompanhante de James, resolveu tudo com um simples soco. Porém, o resultado não poderia ser pior: os dois, pelo estrago feito pela luva verde, tanto em Chuck quanto no seu amigo, acabaram presos – em companhia de Chad, um homem bêbado e Naido.

“QUEM É JUDY?!”

Acompanhamos com o Mr. C até onde os postes e linhas elétricas levam. A loja de conveniência se revela de uma forma bastante familiar: o visual, da sua primeira aparição nos anos 50, continua o mesmo e, no interior, o papel de parede do lugar de antigas reuniões aponta para os sonhos de uma inquieta Laura Palmer, nos últimos dias de sua vida. Dentre os woodsman, um misterioso espírito – em forma de uma senhora, semelhante a Mrs. Tremond – e até mesmo o próprio Phillip Jeffries, o encontro com Richard Horne foi o mais inesperado, com uma descoberta significativa: mesmo a Audrey sendo realmente a mãe do garoto, felizmente, pela reação do Evil Coop ao saber disso, podemos dizer que ele pode não ser o pai. Amém.

David Bowie é, sem dúvidas, insubstituível e a sua mínima aparição no revival, mesmo que somente em flashbacks de Fire Walk With Me, já é suficiente para aquecer o coração. Não era ele, infelizmente, quem dublava a “evolução” de Phillip Jeffries – Nathan Frizzell é quem faz o excelente trabalho de emular o personagem -, mas o momento não deixa de ser especial. De uma chaleira à uma árvore/neurônio, qual é a melhor forma de não realizar um recast?

Leia mais sobre Phillip e Judy no post mais recente sobre teorias.

SHARP DRESSED MAN

“Onde antes havia um, agora estão lá dois. Ou sempre houveram dois?” – Margaret Lanterman, S02E22

Ligue para Gordon Cole”. Em Las Vegas, finalmente temos o gatilho para um dos momentos mais aguardados do Revival. Uma breve cena de Sunset Boulevard (1950), foi o suficiente para despertar algo profundo no interior do Agente Cooper. Ele engatinha até uma tomada, onde enfia o cabo de um garfo, causando um curto circuito.

No final da Parte 15 ainda, mais uma personagem desconhecida se envolve numa situação estranha, quando, assim como Dougie/Cooper, começa a engatinhar, em meio ao público da apresentação do The Veils, até de repente começar a gritar aleatoriamente. Apesar de não estarem exatamente em sincronia, as duas cenas compartilham coisas em comum. Anteriormente, no episódio, há uma possível indicação de que esse é, realmente, o momento chave para o retorno de Cooper. Pessoas vêm especulando em fóruns que, talvez, a música tocada no Roadhouse como “a mais pedida”, seja uma forma de predizer o acontecimento, já que “Sharp Dressed Man” é uma descrição um tanto apropriada para o Dale.

Audrey Horne, por outro lado, aparenta estar longe de se libertar do seu delírio. As cenas entre ela e Charlie, desde a primeira aparição deles, seguem a cronologia mais explicitamente distante dos outros núcleos da série. Enquanto aparentemente, nos outros lugares, se passam dias, os dois continuam presos numa discussão eterna sobre ir ou não ao Roadhouse. Desta vez, a personagem passa por uma auto revelação repentina, não conseguindo associar o seu marido, na sua frente, com a ideia prévia que ela tinha dele.

 

“Isso é o agora, e ‘agora’ nunca mais será de novo. Nós viemos do elemental e retornamos para ele. Há uma mudança, mas nada está perdido. Há muito o que não podemos ver – o ar, por exemplo, em boa parte do tempo – mas, sabendo que a nossa próxima respiração seguirá a nossa última sem falhar, é um ato de fé. Não é? Tempos obscuros sempre irão vir, como a noite segue o dia. Confie, e não trema na face do desconhecido. Isso não deve se manter desconhecido por muito tempo” – Margaret Lanterman, The Secret History Of Twin Peaks