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“Nós somos como o sonhador que sonha e então vive dentro do sonho. Mas quem é o sonhador?”

Era sonhar demais pensar que David Bowie poderia reprisar seu papel como o agente do FBI Phillip Jeffries antes de sua morte – e que todos os envolvidos conseguiriam manter este sonho vivo. Em vez disso, Twin Peaks abordou sua ausência da melhor forma possível, usando cenas de Fire Walk With Me no plano sequência do sonho de Gordon. Foi uma presença agridoce, fazendo com que sentíssemos ainda mais a falta de Bowie, mas claro, a participação do personagem não nos deu nenhuma resposta. Esta foi a semana que a série permitiu que a realidade de suas narrativas fossem mais longe do que nunca.

Histórias, sonhos, contos, memórias e lembranças… O que Lynch e Frost questionam em meio essa coleção de narradores não confiáveis é o que realmente faz a diferença? Lynch brinca conosco ao colocar Gordon para resolver casos através de seus sonhos com a atriz Monica Bellucci (que interpreta ela mesma). Está ficando cada vez menos claro na palavra de quem podemos confiar – mas enquanto podemos acusar o episódio 14 pela falta de clareza, o problema não é o mesmo quando se trata de revelações.

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A descoberta mais significante é que Diane e Jayne-E são meio-irmãs sem muita afinidade. A veterana do FBI de Laura Dern foi tão fortemente construída em cima de uma postura de cigarros e boca suja que temos a impressão de que ela poderia acabar com qualquer um de seus virtuosos oponentes e agora, ela serve como contraponto para outra forte presença feminina na série, a impertinente e manipuladora esposa interpretada por Naomi Watts.

O ponto é que muitas coisas aconteceram essa semana. Pessoas estão começando a conectar as pontas para revelar a realidade de dois Coopers, segredos sobre Blue Rose estão surgindo na superfície, o Gigante também é chamado de Bombeiro, o retorno do vórtex e Sarah Palmer arrancando o rosto de um homem.

Mas ao mesmo tempo, aqueles que estão nas beiradas da narrativa também dominam. Andy dificilmente poderia ser visto como um vitorioso, mas mesmo assim ele foi escolhido pelo Bombeiro para uma viagem ao seu reino e foi presenteado com uma recapitulação de toda a mitologia de Twin Peaks, isso antes de ressurgir na floresta de alguma forma mais sábio e instintivamente sabendo como proteger a garota sem olhos.

E ainda, se Andy não era o personagem que diríamos ser fundamental, passar um tempo com o segurança britânico Freddie enquanto o mesmo contava toda a história da luva verde para James Hurley, se mostrou ainda mais improvável.  Sejam quais forem seus motivos, percebemos que o Bombeiro nutre certo “apreço” pelo garoto.  Em um mundo tão corrompido, essa mão controladora parece preocupada com um inocente. Nós somos todos histórias no final e algumas pessoas são maiores do que parecem ser.

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“Qual o nome de sua mãe?”

Nós fechamos novamente no Roadhouse, com mais pessoas que não conhecemos falando sobre pessoas que não conhecemos. Essa última interação entre a filha de Tina e a esposa de Lynch, Emily Stofle, é notável porque é a única alusão que temos referente ao que seja o que for o que está acontecendo com Audrey e o que for que tenha acontecido com Billy. Trazer um personagem tão icônico e depois apenas deixá-la de lado seria mais um motivo para criticar uma série com tantos personagens para administrar, mas agora nós desistimos de pensar que eles nunca irão amarrar tudo isso ao decorrer dos episódios. Talvez esse seja o ponto. O nó final de Twin Peaks deveria ter sido quando o assassinato de Laura Palmer foi solucionado e assim mesmo essas pessoas continuam lá, seguindo de maneiras diferentes controladas por esse terrível evento, pois no fim das contas a vida real também é assim. Nesse sentido, Twin Peaks é possivelmente a série mais fiel à realidade a ser exibida na televisão.

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