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Twin Peaks volta ao seu ritmo anteriormente estabelecido, depois do explosivo episódio anterior e duas semanas – tão longas quanto os últimos 26 anos – de espera. Desta vez, enquanto os enredos progridem, é o enfoque no humor característico que guia a nona parte. Muito do material exposto serve para a concluir, ou fomentar teorias, sendo quase didático, comparado aos anteriores. Apesar disso, na metade da temporada, há ainda quem não se agrade com o “respiro” dado no episódio desta semana.

“Cooper Flew The Coop”

Aparentemente, um tiro seguido por uma estranha “cirurgia-ritual”, são insuficientes para parar o Mr.C. Ensanguentado, com o semblante vazio e aterrorizante de sempre, toda a sequência dele, ao chegar na fazenda invadida por seus capangas, serve como um aviso: se a volta do Agente Cooper original realmente depender da morte do Doppelganger, o caminho pela frente será longo – principalmente com o Good Cooper sendo provavelmente um, dos dois alvos de Hutch (Tim Roth) em Las Vegas. É confirmado o papel do Bad Cooper como mandante dos serviços de Ducan Todd (Patrick Fischler), também em LA. Com um tiro, todos os rastros são apagados, mas pelo menos desta vez nós sabemos quem é o remetente da última mensagem dele, antes de partir.

Os Detetives Fusco

Os elementos para o descobrimento da existência do Dougie/Cooper finalmente começam a se revelar, ao passo em que o próprio ainda luta para alcançar consciência, à cada visão do seu passado. Uma amostra de DNA, junta à investigação da identidade do sujeito, são peças que, ligadas ao desaparecimento do Mr. C, parecem ser a chave para os desdobramentos em LA. O zoom in dado em Dale, nos incita a olhar nos seus olhos e imaginar o quê desperta ali, na mistura de referências à memória, do seu serviço anterior, patriotismo, tomadas e saltos vermelhos – muito semelhante com os utilizados pela Audrey.

Os conflitos internos de Dougie e Jane-E, desta vez, servem somente de porta para um dos destaques do episódio: no lugar de testes nucleares ou vassouras varrendo, temos a dinâmica quase cartunesca dos irmãos Fusco. Movimentos de cabeça sincronizados, falas intercaladas e insinuações de causos passados, citados no episódio, formam um ambiente único dentro da série.

“Está é a Cadeira”

Pelo título, é notável o estranho apreço por mobílias da nona parte. No departamento de polícia de Twin Peaks, encontramos Andy e Lucy introduzindo o elemento de interesse a seguir: cadeiras. Sendo da cor vermelha ou bege, o que realmente importa é o que está dentro. No caso da Sra. Briggs (interpretada, novamente, pela maravilhosa Betty Stewart), um estranho instrumento e um olhar para o passado. Relembrar um dos mais tocantes momentos na série original, entre o General e o seu filho, e ver a realização da visão sobre o futuro de Bobby, é de se encher os olhos.

“… Meu filho estava parado lá. Ele estava feliz e despreocupado, claramente vivendo uma vida de profunda harmonia e alegria. Nos abraçamos, um abraço caloroso e terno, nada sendo contido. Nós éramos, neste momento um. Minha visão se do por fim e eu acordei com sentimento tremendo de otimismo e confiança, em você e no seu futuro. Essa foi a minha visão de você…” – General Garland Briggs, S02E01

A relação entre pai e filho continua a guiar os mistérios deixados por Garland, e a discussão sobre o “dispositivo” e a forma como foi aberto, também lembra mais um momento da segunda temporada. A solução é simples: Bobby, assim como Pete Martell fez com a caixa dada de presente para Catherine, simplesmente a joga no chão. Do objeto, saem dois papéis. Sobre um, nós sabemos a origem e do quê os “2 Coopers” envolvem, tendo assim mais uma das pistas para o descobrimento de Dougie. Mas, o misterioso lugar à leste do “Palácio de Jack Rabbit”, ambiente presente na infância de Bobby e nomeado pelo o mesmo, junto às duas datas, um horário e o ritual envolvendo areia no bolso, são mais elementos a perdurar pelos próximos episódios.

SCUBA-DIVE

É o próprio Dwight que anuncia a fuga do Mr.C – permitida pelo mesmo – à Gordon e cia. Eles aproveitam a oportunidade e seguem para Buckhorn, com o objetivo de investigar o suposto cadáver do Garland Briggs. Lá, apesar de não aparecerem nenhum woodsman, ou coisa do tipo, temos através de William Hastings (Matthew Lillard, que faz um espetáculo de performance), respostas sobre o que aconteceu ao General e os mistérios que rodam as outras dimensões.

O retorno continua livre ao apresentar iconicidade própria e até reverência a própria comunidade de fãs, visto  a existência do site do Bill, como material promocional, e todo o seu visual marcante dos anos 90, assim como os primeiros sites baseados na série. Através dele, temos algumas indicações sobre o quê as aparições e visões de Garland envolvem: viagens no tempo, eletricidade, universos paralelos e multidimensões.

“Eu não sou o seu pé”

Sanidade mental e a família Horne, nunca foram coisas tão antônimas do que nesta temporada. O quadro, na verdade, sempre foi este, pelo menos para Johnny (Eric Rondell; Robert Davenport e Robert Bauer, no piloto e no raro da série original, respectivamente, interpretaram o personagem), o filho debilitado de Benjamin. Sem o seu distintivo cocar, acompanhamos a fuga desenfreada dele das suas cuidadoras, até o destino, quase fatídico – ele ainda respira -, na parede. Todos rezando para isso seja uma conexão para uma aparição da Audrey.

A busca pela origem do zumbido continua, na sala de espera do escritório de Ben. Ele, junto de Beverly, escutam o estranho som, associando-o ao poder hipnotizador de sinos em um mosteiro. Eles acabam em uma situação embaraçosa, mas Ben mantém a palavra e é incapaz de seguir uma aproximação do tipo com a secretária.

Por fim, é com divertimento que acompanhamos a continuidade da desventura de Jerry, perdido em meio a mata. O melhor de tudo, a personificação do pé falante do irmão Horne não é o momento mais estranho dessa temporada¹, mesmo acrescentado a incessante coceira nas axilas da personagem da Sky Ferreira, no final do episódio.

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