Acompanhe o TPBR nas redes sociais

A obra de David Lynch tem assuntos totalmente distintos, mas você sempre acaba encontrando algo em comum em todas, o que torna ela, de certa forma, intrínseca. Vários fragmentos são parecidos em seus trabalhos, o sentimento de pena é apenas uma das muitas emoções que você tem ao entrar no mundo Lynchiano.

Em Twin Peaks, apesar de não ser o foco, a pena pode ser reparada facilmente na série, toda ela em torno de Laura Palmer. A pena que você sente ao ver a família Palmer sofrer diante da morte da filha, a pena dos personagens em relação ao mesmo e a pena que você sente de Laura Palmer. A doce e inocente criança de uma cidade pequena que finaliza sua história sendo violentamente estuprada e então morta. Tudo que a leva ao fim da sua vida (Calma, sem spoilers) é o que acaba fazendo você sentir pena da personagem e, claro, se questionando – já que estamos falando de David Lynch.

Letter 1

Mas isso não é de hoje… ou no caso, isso não é dos anos 90. Em seu primeiro [e confuso] filme, “Eraserhead” (1977), Lynch acaba criando várias emoções no espectador, e uma delas é a pena em relação ao motivo do drama na história do filme e pelo fato de todos aqueles personagens viverem naquele universo bizarro. Que é o motivo do drama de Lula, personagem interpretada por Laura Dern no 5º filme de David Lynch, “Coração Selvagem” (1990). Além do passado triste da personagem (que quase lembra o de Laura), ao se envolver com Sailor [personagem de Nicolas Cage] e cair perdidamente na paixão e na dependência dele, ela acaba encontrando um mundo totalmente surreal ao seu comum, levando então à tristeza da personagem pela perturbação infinita.

1344490367nickname-wild-at-heart

Similiar ao da personagem Dorothy Vallens, em “Veludo Azul” (1986), o 4º filme de Lynch. A personagem dependente do cruel Frank Booth [interpretado por Dennis Hopper], pelo qual é violentada sexualmente, é proibida de se envolver com a família e ainda carrega consigo o trauma e o vício que acaba tendo pelo sadomasoquismo. Consegue relacionar tudo?

hurt

Além de todas estas semelhanças, em “O Homem Elefante” (1980), já uma história real, David transfere toda a emoção do personagem John Merrick [vivido magnificamente por John Hurt], fazendo você sentir compaixão e pena ao mesmo tempo. Além da personagens de Naomi Watts no penúltimo filme do diretor, “Cidade dos Sonhos” (2001), motivo pelo qual você sente pena que é um spoiler do filme (que se você ainda não viu, corre!).

dianecamilla

Incluindo o tormento inacabável da personagem de Laura Dern em “Império dos Sonhos” (2006), a culpa do personagem Alvin Straight em relação ao irmão em “História Real” (1999) e entre outras sensações incríveis que você tem ao ir além de Twin Peaks quando você quer descobrir o que se passa na cabeça de David Lynch. Então se prepare para sentir mais pena em 2017!

tumblr_mv8c63XwK91r8swmoo6_500

 

A emissora Showtime, anunciou hoje outras novidades sobre o retorno de Twin Peaks. #damnfine

No Twitter deles:

As gravações começam em setembro. O carrinho de donuts será carregado no fim de agosto. Uma xícara de café vai de fato passar por uma janela“. 

Foi anunciado no TCA (Television Critics Association) pelo diretor da Showtime, David Nevins, que as gravações da terceira temporada iniciarão em Setembro, que Twin Peaks terá “rostos familiares” e “grandes surpresas” e prometeu que em breve confirmará outros membros do elenco principal. Nevins falou que a volta de Twin Peaks é uma grande prioridade e espera que a volta da série seja em 2016, mas diz que “não está nada certo”. Ainda não se sabe quantos episódios serão exatamente, e que a decisão está por conta de Lynch e Frost.

O uso de vermelho e azul, muitas das vezes em conjunto, é uma parte e recorrente e significativa em Twin Peaks.
Alguns dos exemplos mais notáveis são vistos na 1 ª temporada, episódio 6 – (“Cooper’s Dream”).
O Óculos do Dr. Jacoby, as bandeiras islandesas e decorações, todas as conotações azuis/vermelhas do modo de como Catherine/Ben se vestem.
tumblr_m802hye2BW1rwnwnfo5_1280

As cortinas vermelhas da cabana de Jacques Renault, simbolizando sua conexão o Black Lodge, e o azul da sala de estar de Jacoby – simbolizando uma parte de  como Jacoby  “sees things for how they really are” (vê as coisas como elas realmente são) usando as cores separadamente.

 

 

O ator holandês Carel Struycken é conhecido por diversos papéis em diferentes franquias, desde Lurch na Família Adams, até o Mr. Homm em Stark Trek: The Next Generation. Mas para os fãs de Twin Peaks, ele sempre será conhecido como “o Gigante”, um enigmático habitante do Black Lodge que falava mensagens secretas e em códigos para Dale Cooper durante a investigação do assassinato de Laura Palmer. Apesar de seu personagem ter aparecido poucas vezes durante a segunda temporada da série, sua presença e influência era sempre grande (literalmente e figurativamente), e para os fãs, ele continua representando uma parte da mitologia criada Mark Frost e David Lynch.

O site HitFix teve uma pequena conversa com Carel, e traduzimos para vocês:

1. Seu primeiro encontro com David Lynch o esinou uma nova frase bastante ‘lynchiana’.

“Eu já tinha uma grande admiração por ele (Lynch), pois como eu disse, eu era um grande fã de ‘Twin Peaks’ e do filme ‘Veludo Azul’… e de ‘Eraserhead.’ Mas eu lembro claramente quais foram suas primeiras palavras. Ele veio em minha direção, me cumprimentou, e disse ‘tudo vai ser ‘peachy keen!’ ( significa algo como ‘estranhamente bom’)’ Essa foi a primeira vez que ouvi essa expressão.”

2. Sua interpretação do Gigante? Um “psiquiatra do espaço sideral.”

“Eu o via como um — como houveram anjos que desceram para falar algo para certas pessoas, ou comandos para fazerem alguma coisa. Eu o via como uma coisa assim. Ou como um psiquiatra do espaço sideral. Tipo isso.”

3. Ele não fazia ideia do que frases como “The owls are not what they seem” e “There is a man in a smiling bag” significavam quando ele falou — e ele preferiu desse jeito.

“Provavelmente nem ele [David] queria saber o que aquilo significava. Como você sabe, David Lynch é contra ficar analisando coisas, certo? …você não quer saber de onde certa coisa veio, ou isso pode destruir o processo enquanto se está tentando desvendar”

4. Trabalhar em um projeto do David Lynch pode parecer que está em uma realidade alternativa.

“Você automaticamente se conecta com a atmosfera e a vibe que está no set. E é desse jeito que ele trabalha. Eu ouvi histórias de que no filme ‘Duna’ ele ficava andando no set com um estetoscópio ouvindo o coração de todo mundo. Eu vejo isso como uma criação– bem, tirando você do plano normal de existência e te colocando em um outro lugar, para poder falar. Então para mim pareceu como se ele fosse um gênio criando um espaço e uma atmosfera própria, para assim dar as instruções específicas, ao invés de ditar regras mais convencionais, como ‘andar ou falar mais devagar’. Todo o resto é como se você automaticamente entendesse o que está acontecendo”

5. Ele vê os fãs de Twin Peaks de um jeito totalmente diferente do que vê outros grupos de fãs.

“Fãs de Twin Peaks são muitas vezes fãs apenas dessa série. [Risos] Quero dizer, existem os fãs de Star Trek, de Star Wars… mas eles são em geral parte de um mesmo universo de fãs, e acho que os de Twin Peaks são muito mais independentes, como se tivessem descoberto a série, e querem se aprofundar cada vez mais no assunto.”

6. Ele ainda não foi contatado para repetir seu papel na terceira temporada de Twin Peaks, mas espera ser.

“Eu não fui contatado, mas eu — bem, eu espero ser, vamos ser francos… acho que eu pertenço àquele lugar.”

 

Matéria original: HitFix

Tradução: Pedro Ângelo Cantanhêde

 

640

A série Twin Peaks é cheia de comidas que ficaram marcadas ao longo dos episódios. Desde os cafés e tortas de cereja, até os donuts que Dale tanto adora. Agora, aproveitando a volta de Twin Peaks, um grupo de restauradores de Londres pretendem fazer fazer dinheiro com isso. O restaurante provisório ‘The Owls are not What They Seem” está previsto para ser inaugurado em agosto, e irá funcionar por 2 meses.

No restaurante, serão servidos pratos e bebidas que homenageiam comidas citadas na séries, além dos personagens.

Twin Peaks não será a primeira série com restaurante provisório em Londres; fizeram um de Game of Thrones em fevereiro, e um de Breaking Bad está em funcionamento.

 

Para fazer reservas e conseguir mais informações, como o cardápio, clique aqui.