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BADCOOPER

A essência de BOB foi retirada pelo os “Dugpas” (mago ou feiticeiro, frequentemente chamado de “Irmão da Sombra”, termo Tibetano) do corpo de bad Cooper, logo depois ele realizaram um ritual. A primeira é que esse ritual/ reação acontece automaticamente quando alguém (ou talvez apenas um Doppelganger que contém BOB, os “Dugpas” aparecem e  reivindicam sua alma/essência). Provavelmente o doppelganger do Cooper não morreu porque talvez doppelgangers não possam  ser mortos, só possam ser devolvidos ao Lodge. Isso é distinto de Leland, que não era um doppelganger, apenas um homem  possuído.

Talvez isso, ou os “Dugpas” o “ajudassem” de alguma forma, o que é provável (pois temos em seguida uma ligação de Ray para Philip – provavelmente Philip Jeffries, Ray comenta o que viu e diz que “pode ser a chave de tudo isso” o que Ray viu foi BOB saindo de badCooper numa espécie de ovo, casulo. Fica claro também que este tempo todo Ray está trabalhando com Philip Jeffries. O badCooper mencionou enquanto estava no carro com Ray, que eles iriam para um local que se chamava ” A fazenda”, Ray foi para este local sozinho, com a dúvida se tinha matado badCooper. Os tiros disparados por Ray eram para ser fatais, ele disparou dois, e iria disparar mais um, mas com a aparição dos “Dugpas”, um terceiro tiro não foi disparado.

 

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BOB

Os Lodges existiam antes da bomba atômica e haviam outros portais para eles, a bomba provavelmente causou novos portais, abrindo um novo canal para o mal e um ato de maldade para criar BOB. Além disso, vemos o nascimento de BOB, mas não de  MIKE. Então MIKE, pode estar matando na Terra antes de adotar BOB como seu “familiar”. A bomba atômica quebrou a barreira entre dois mundos, gerando dugpas, como também o BOB. A explosão nuclear cria dor e tristeza em grande escala, uma  “garmonbozia cósmica” proveniente da figura da mãe, a mesma criatura da caixa de vidro, que regorjita (fazendo breve alusão ao nascimento) vários ovos, incluindo BOB.

Podemos considerar que “Mãe” poderia ser Babalon, a Mãe das Abominações, uma  das deusas centrais da filosofia religiosa conhecida como Thelema (estabelecida por Aleister Crowley). Ela representa impulso sexual feminino e a liberdade da mulher, mas também pode ser identificada como Mãe Terra no sentido simbólico da fertilidade, grande parte desse assunto é descrito no livro A História Secreta de Twin Peaks. A sala de reuniões é um quarto dentro do Black Lodge ou no mundo real, onde espíritos se reunem para “discutir” garmonbozia, essa cena fica explícita no filme FWWM. Essa sala fica localizada acima de uma loja de conveniência (onde vemos uma segunda vez nesse episódio, onde vários dugpas se reúnem em um posto de gasolina) e está conectada ao quarto/sala vermelha.

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FIREMAN

A nova trilha sonora de Twin Peaks, revelou o novo papel, ou apenas o nome, de Carel Struycken (que interprentou o Gigante nas temporadas antigas). Na série atual, ele sempre está creditado como “???????” correspondendo o número de palavras “Fireman”. A nova música é composta por ninguém menos quem Angelo Badalamenti, na cena em que ele está levitando.  O ator em uma entrevista no ano passado disse que aparecerá menos nessa temporada mas será importante para o desenvolvimento da história.

Temos indícios a acreditar que o Gigante pertence ao White Lodge, desde a temporada passada, nesse episódio ficou claro o seu papel, o que não estava concreto antes, mesmo sabendo de sua importância, ao aconselhar Cooper a desvendar o assassinato de Laura Palmer, vimos agora uma extensão maior de sua importância. O mesmo local em que o gigante está, foi o local para onde Cooper acabou indo após sair do Black Lodge, o mesmo dispositivo (que alerta o gigante, e que foi acionado pela Naido, a moça sem olhos, aparece) mas o que aparenta é que talvez exista uma extensão maior do que possa ser o White Logde, lembrando que a cabeça de Major Briggs apareceu no espaço dizendo “Blue Rose”, uma ideia de que ali realmente possa ser o WL.

O gigante ao ver a explosão nuclear, a destruição do homem está abrindo um novo canal para o mal, e ele usa tudo que é oposto de  garmonbozia para trazer algum equilíbrio. Ele criou algo bom para equilibrar o mundo. A esfera de ouro é uma sequência de eventos que levam provavelmente além da Laura Palmer. O gigante é o guardião, ele enviou a essência de Laura para a terra porque ela é a chave. A Señorita Dido abençoou a essência de Laura, e por Laura estar alinhada ao White Lodge, talvez seja por isso que Cooper não a viu enquanto estava preso, e porque ela era única pessoa para lhe dizer que poderia sair. Isso explica a luminescência atrás de seu rosto.

 

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NOVO MÉXICO

Todas as hipóteses de quem poderia ser o misterioso casal no Novo México, acabam não encaixando em certa parte. A primeira hipótese foi Sarah Palmer, que pela data dos acontecimentos no Novo México teria apenas 11 anos e toda sua história é datada  em Twin Peaks. Assim como a hipótese de ser Log Lady, que teria a idade de 16 anos, mas toda sua história foi também Twin Peaks. Foi sugerido que suas marcas, os abrasões descritos na sua ficha médica (no livro A História Secreta de Twin Peaks) foram “leves”, ou seja, foram temporárias, sumiram depois de um tempo. As hipóteses quanto ao garoto foi que poderia ser Leland, pelo o que sabemos, a primeira pessoa que BOB possuiu, mas novamente, a história do personagem não encaixa. Leland também tem sua história em Twin Peaks, a não ser por Pearl Lakes, que é nas proximidades, na casa de veraneio de seu avós, onde ele alegou ter conhecido BOB, mesmo após a investigação de Hawk, e não ter encontrado nenhum Robertson em Pearl Lakes, e nenhum dos moradores tinha ouvido falar, ficou claro que apenas Leland o conhecia.

Há também uma especulação de que possa ser Gordon Cole, vimos pela primeira vez a imagem da bomba atômica, em seu escritório no FBI, um possível referência para os eventos futuros, mas não sabemos nada sobre Cole, ele tem conhecimento sobre o sobrenatural, os casos Blue Rose, o projeto Blue Book mas sua história nunca foi explorada. Ainda em seu escritório é possível ver um quadro de Kafka (é visto também outro quadro no primeiro episódio, na casa de Bill). Talvez o garoto e a garota podem ser feitos para não ser personagens que conhecemos, só parece ser uma alusão ao sexo, atração. Vale relembrar a cena de Sam e Tracey em NYC.  É possível que o foco desses personagens seja apenas para a contar a história de BOB.

No fórum do reddit, foi postado uma página do Guia de Acesso de Twin Peaks, onde uma das imagens se assemelha muito ao inseto/criatura que vimos no episódio “As lendas de Chinook descrevem a aparência há muito tempo de um clã de rãs ancestrais.” De primeira, podemos notar visualmente no episódio que realmente o ser lembra muito um sapo/rã com asas. Possivelmente o ser possa ser BOB em uma forma mais animalesca. O encantamento do “Woodsman”, funciona como o poema de Fire Walk With Me. A insistência na frase “Gotta light” possivelmente seja apenas um gatilho, para lembrarmos do fogo, pois em todo seu percurso o “Woodsman” não necessariamente estava procurando o fogo, e sim, uma forma de corromper.

“Esta é a única fotografia que temos de Cooper nos últimos 25 de anos. É no Rio. Em sua casa. Da última vez que checamos, pertencia a uma garota de Ipanema.” – Abert Rosenfield.

Claro, este não é Cooper. É seu doppelganger a.k.a Mr. C. Mas também não é no Rio. É na verdade uma mansão em frente ao mar no sul da Flórida comprada pelo gângster Al Capone em 1928 como retiro familiar. Em 25 de janeiro de 1947, Capone morreu de parada cardíaca depois de sofrer um acidente vascular cerebral em um pequeno quarto de frente para a garagem.

A casa é a primeira coisa que aparece quando você pesquisa no Google imagens “gangster house palm trees” e a foto de Cooper foi baseada especificamente na fotografia original da sobrinha de Al Capone, Deirdre Marie Capone.

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| Créditos |

“Você está no caminho, não precisa saber aonde o leva, só siga-o” – Hawk Hill, S02E09

O sentimento de inércia, averso a passagem do tempo – ou no caso de Jerry Horne, ao uso de alucinógenos, abrindo o episódio perdido em meio à mata de Douglas Firs, enquanto liga para o seu irmãocontinua a seguir o retorno de Twin Peaks: seja no contraste de geração e tecnologia, a inadequação de Dougie/Cooper ao ambiente, ou na continuidade de mistérios que seguem a desabrochar ao longo dessas sete partes, a sensação persiste, propositalmente, em despertar em boa parte da audiência, levando o incômodo naqueles que buscam elementos familiares, ou o formato das temporadas passadas. Se este for o seu caso, não se preocupe: não há nada de errado na sua experiência e, talvez, é exatamente assim que você deveria se sentir. Se lembre das sábias palavras de Hawk e venha acompanhar o review do episódio dessa semana.

 “ESCREVA ISSO NO SEU DIÁRIO”

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Finalmente, logo após a sequência do telefonema entre os irmãos Horne, vemos a mensagem de Annie Blackburn, intermediada por Laura Palmer e o seu diário – como é visto em Fire Walk With Me -, chegar a alguém. Assim, nos é permitido um olhar ao passado, quando Hawk e o “outro” Xerife Truman chegam ao fim do enigma da Log Lady e dão um passo para o encontro do Good Cooper. Através dos questionamentos de Frank, revisamos as atitudes suspeitas de Leland e como as páginas do diário foram parar em uma das portas das divisórias do banheiro da delegacia. Ainda, uma das quatro folhas está desaparecida e mais uma questão se levanta: Além de revelar o seu algoz, que outro conteúdo Laura guardaria nessa última parte? Ela também está escondida, ou será que Bob a deu um fim?

“QUE BOM OUVIR A SUA VOZ”

Mais uma vez, temos a expectativa de uma mínima aparição do Xerife Harry S. Truman (Michael Ontkean, que se aposentou definitivamente da atuação) despedaçada. Porém, quando ouvimos a voz de Warren Frost e de surpresa ainda somos agraciados com uma vídeo conferência do Dr. Hayward e Frank, toda a cena ganha um toque especial, não só por esse ser mais um momento de embate de geração e tecnologia – evidenciando, novamente, a passagem de 25 anos -, mas pela presença do ator, pai do co-criador da série, sendo exibida justamente no dia dos pais norte-americano.

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Para quem ansiosamente esperava e matutava sobre que fim se deu Audrey Horne, temos uma breve menção: logo após ela ter sido salva por Pete Martell – como é mostrado na História Secreta de Twin Peaks -, na explosão do Saving and Loan, ela entra em coma. Além disso, a misteriosa visita do Bad Cooper à ela no hospital não nos deixa com boas esperanças – principalmente com um outro Horne de origem desconhecida perambulando por aí…

Temos uma leve ideia do que aconteceu com o caminhão dirigido pelo o bendito cujo já citado, depois do ocorrido no episódio passado. Pela ausência do fazendeiro (Edward ‘Ted’ Dowling) e o comportamento suspeito e apreensivo anterior dele, suposto dono do veículo, no encontro marcado por Andy, ficamos a imaginar que tipo de esquema ou força maior envolve o delinquente Richard Horne. Apesar de ser a resposta mais fácil, eu duvido um tanto que o excêntrico traficante de drogas do episódio passado tenha sido o responsável por limpar os rastros do rapaz, muito menos que tenha sido o próprio. Quem sabe?

“HÁ UM CORPO, COM CERTEZA”

A frase que dá nome ao episódio foi retirada de uma das sequências mais arrepiantes até agora. A cabeça desaparecida, o corpo pertencente à Garland Briggs – morto a mais de duas décadas, mas fresco como se ainda não tivesse completado o seu sétimo dia e tão novo como na sua última aparição vivo -, a figura obscura andando pelo corredor do necrotério e o som, crepitante e atmosférico que se segue, formam um quadro característico do horror Lynchiano. Para enfatizar isso, como se rindo de nós, o próprio David Lynch surge, na cena seguinte, como Gordon Cole, assobiando a melodia de “Engel“, da banda Rammstein (sim, é essa música mesmo!)

Temos finalmente uma outra aparição da criatura de cabeça flutuante da segunda parte. É só impressão minha ou, tirando a parte de tinta, ele se parece muito com uma das figuras que aparecem acima da loja de conveniência em FWWM?

Temos finalmente uma outra aparição da criatura de cabeça flutuante da segunda parte. É só impressão minha ou, tirando a parte de tinta, ele se parece muito com uma das figuras que aparecem acima da loja de conveniência em FWWM?

 

“NO F*CKING WAY!”

“Damn Good Coffee”, recita Lynch – através de Cole -, como se com a referência reconhecesse o presente que está nos dando. Nos recepcionando calorosamente, Laura Dern apresenta uma Diane que, por trás da rispidez e evasão, guarda a angústia e apreensão quanto a um trauma no passado. Cigarro na mão e cabelo Chanel, a presença de Diane é sublime e não menos icônica que qualquer outro elemento da série. Em poucos minutos de tela, é quase impossível não simpatizar com o trio do FBI e a ex-secretária.

O confronto, enfim, de Diane e o Bad Cooper, nos convida a mais um novo mistério que só no olhar de Dern nós conseguimos discernir a gravidade: o último encontro entre os dois, sem dúvida, guarda em si uma memória de abuso – quaisquer que seja o tipo. Conseguimos sentir o peso e agonia do pesadelo de ver alguém tão próximo, mas tão fora de si mesmo, no abraço entre ela e Gordon.

“PRECISAMOS CONVERSAR SOBRE STRAWBERRY…”

Curiosidade sobre a casa no Rio de Janeiro (!!!) do Bad Cooper: A imagem que foi usada para a montagem é na verdade da mansão do Al Pacino, na Califórnia.

Curiosidade sobre a casa no Rio de Janeiro (!!!) do Bad Cooper: A imagem que foi usada para a montagem é na verdade da mansão do Al Capone, na Califórnia.

 

Bad Cooper, por sua vez, não planeja ficar na prisão por muito mais tempo e, como um golpe na palavra dada a Gordon, é o próprio Dwight Murphy (James Morrison), diretor do presídio federal, que o libera. Mais indagações nos são deixadas, com a seguinte frase: “Aquele cachorro tinha quatro pernas: a que você encontrou no meu porta-malas;as outras três saíram com as informações que você está pensando agora… Duas pessoas que você não quer andando por aqui, se algo de ruim acontecer comigo…“.

Que podre tão terrível no passado de Dwight o fez aceitar essa chantagem? Quem diabos são o “Mr. Strawberry” e o tal Jon McCluskey? Enfim, Cooper deixa a prisão, acompanhado por Ray Monroe – será que ele tem conhecimento de que Darya está morta e que o Doppelganger sabe da conspiração entre os dois para mata-lo?

DOUGIE “COBRA” JONES

Ausente em mais da metade do episódio, voltamos a acompanhar Dougie/Cooper  e sua rotina em transe. Dividido entre desenhos misteriosos e múrmuros de frases repetidas, como foi deixado no episódio passado, o nosso Good Coop finalmente demonstra traços mais expressivos de sua condição original. A saída de fininho do colega do Jones, na breve menção a polícia e as discussões de Jane-E, com fogo nos olhos, precedem a cena tensa – mas não menos cômica – do atentado de Spike, em frente à Lucky 7 Insurance. A sequência é deliciosa na sua absurdez. Com o The Arm evoluído em árvore brotando do chão, guiando os golpes de Cooper contra o assassino, seguido dos interrogatórios – quase que emulando o ambiente dos realities show policiais, com direito à uma vinheta centralizando a arma do crime e o pedaço de carne da mão compressada do assassino grudada nela -,  pós o acontecido. Esperemos que a repercussão do atentado sirva de caminho para a descoberta do nosso Dale original.

“ISSO, MINHA QUERIDA, É UMA LONGA HISTÓRIA”

Será que o barulho vem do antigo esconderijo da Audrey?

Será que o barulho vem do antigo esconderijo da Audrey?

 

25 anos depois, acompanhamos Benjamin Horne (Richard Beymer) dar continuidade a sua prometida busca por uma boa conduta, cumprindo – pelo menos até onde vimos – o objetivo muito bem na sua senescência. Abdicado das investidas descaradas do passado, ele acompanha a sua mais nova secretária (Ashley Judd) na busca pelo som, agudo e misterioso, na sala que dá para o seu escritório. Vemos finalmente o destino do chaveiro do antigo quarto de Cooper no Great Northern, trazendo memórias à Ben junto ao completo desconhecimento de Bervely. Uma especulação seria de que som, poderia ser Josie, visto que Ben, ao mencionar sobre a chave, ele fala onde Dale Cooper tomou um tiro revelado depois que tinha sido Josie a autora do crime.


Os dois terminam com uma aproximação mais intima, mas é o comportamento de Paige que é colocado a duvida, quando somos apresentados ao seu marido, enfermo e ciumento.

“ALGUÉM VIU O BILLY?”

Deveríamos chamar de "Efeito Maddy" essa coisa de parentes serem extremamente parecidos?

Conheça o “Efeito Maddy”, o fenômeno que aflige parentes extremamente parecidos na cidade de Twin Peaks.

 

Para quem tem a boa memória, ou re-assistiu recentemente as duas últimas temporadas, não há praticamente nada de novo ou fora do caráter de Twin Peaks, nas cenas “arrastadas” que vez ou outra envolvem a tela. Visto, por exemplo, o momento já citado da explosão do banco da cidade, onde acompanhamos um senhor, lento e calmamente, se locomover ao pegar um copo d’água para Audrey, presa propositalmente nas portas do cofre. Tudo isso em plena series finale – quando não havia a miníma perspectiva de uma continuação 25 anos depois.

Por fim, repito: não há nada de errado em se sentir frustrado quanto ao ritmo, pois é proposital. Mas nem por isso evite em se sentir em casa no Double R, com uma torta de cereja e uma boa xícara de café, ao som de “Green Onion”, ao final do episódio. Twin Peaks se encontra numa posição de luxo, onde não há mais a lamina do cancelamento pairando sobre a sua cabeça. Não há a necessidade da convenção de métodos para prender o expectador a tela – já que o próprio conteúdo e universo da série o faz -, nem o medo da sua história não ser contada, ou alterada por dedos de altos executivos. Assim, depois de ter o seu grande mistério revelado a contra gosto e de lutar para que o retorno fosse como realmente deveria ser, David Lynch e Mark Frost têm a certeza de 18 episódios completos. A cidade, seus mundos e habitantes são pertencem totalmente aos dois. Então, que lugar melhor seria, senão Twin Peaks, para brincar com as normas e expectativas de todo um meio e o seu público?

AVISO: CONTÉM SPOILERS

“Você certamente me deu muito para pensar”.

Estas foram as palavras do chefe de Dougie na companhia de seguros, mas também uma descrição bastante adequada para o mergulho desta semana no revival da série de David Lynch. Este foi um episódio de contemplação, tanto para aqueles na tela quanto para o público, cheio de longas e silenciosas tomadas enquanto os personagens encaram sem pestanejar a nova realidade diante deles.

Nós até conhecemos Diane, a secretária quase mística de Dale Cooper e destinatária de todas as fitas gravadas. Mas ainda não sabemos muito mais que isso, pois foi um evento testemunhado inteiramente pelo agente Albert: seu rosto paralisado sobre essa figura misteriosa, assim como nós diante da revelação de ela é interpretada por uma das parceiras favoritas de David Lynch, Laura Dern.

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Também persistiu a abordagem aleatória de Lynch para suas novas narrativas. A maior parte do episódio, de fato, não foi dedicada a Dale Cooper, mas a Richard Horne. O jovem perigoso que anteriormente vimos ameaçando mulheres no Bang Bang Bar. Seria ele o filho de Audrey? Talvez, embora essa que é uma das personagens favoritas dos fãs não tenha sido vista até agora.

Enquanto isso, Richard aparece quase como uma ferramenta para explorar a ideia de oposições. Tal conceito está presente na maior parte da série, especialmente no tom que sempre varia do terror/pesadelo à comédia absurda. Richard representa uma juventude irritada e impotente. Ele atropela uma criança com sua caminhonete e mal parece notar, deixando claro o quanto sua própria raiva o cega.

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Carl Rodd (Harry Dean Stanton), por outro lado, retorna diretamente de Fire Walk With Me com uma absoluta imagem de tranquilidade. Enquanto Richard comete seu crime e foge, Carl senta-se silenciosamente em um banco como se estivesse em comunhão com o mundo ao seu redor.

É Carl quem corre para ajudar a mãe e o seu filho e quem testemunha o que parece ser a alma do menino partir em direção ao céu. O que o levou a esse nível de serenidade, especialmente considerando o quão impetuoso ele foi em Fire Walk With Me? De fato, é importante como a série parece lidar com a forma como os personagens mudaram e amadureceram ao longo de 25 anos.

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Oposição também parece ser uma boa palavra para descrever Dale Cooper. Sua rotina atrapalhada continua em pleno vigor, com a inabalável curiosidade e inclinação para o mimetismo de um bebê que explora o mundo com um cachorro que foi repreendido por coisas que ele não tem consciência de que fez.

E apesar disso, temos que lidar com esses pequenos momentos de tristeza quando nos lembramos abruptamente que Cooper é um homem tentando chegar a um acordo consigo mesmo, especialmente quando as visões do Red Room atravessam sua realidade. Uma visão, por exemplo, de MIKE simplesmente dizendo: “Não morra”.

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Nós também estamos aprendendo um pouco sobre Dougie, que parece ter sua cota justa de inimigos, incluindo aqueles que desejam chantageá-lo com fotografias de sua aventura com Jade. Um problema que a esposa de Dougie, Janey-E, deve lidar já que este episódio coloca em prova o domínio absoluto de Naomi Watts como intérprete.

Ela combina perfeitamente na série de Lynch, assim como em Mulholland Drive, pelo simples fato de se comprometer tão plenamente a entregar as falas mais estranhas com total sinceridade. “Somos sempre os ferrados“, ela grita para os chantagistas. “E não seremos ferrados por vocês”. Ela mal dá a chance deles falarem uma palavra.

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Dito isto, esse episódio talvez possua um dos primeiros exemplos da abordagem distintiva de Lynch que não foi totalmente bem-sucedida, em específico na cena em que um homem comete um violento ataque seguido de assassinato contra uma mulher dentro de um escritório. Sabemos que o próximo alvo do assassino é Dougie.

Com a abordagem tão impressionista da narrativa, a falta de contexto quanto sobre quem é essa mulher versus a natureza explícita de sua morte (Lynch parece estar aproveitando plenamente a indulgência da televisão moderna em relação à violência) cria uma cena brutal e desconfortável, mas não necessariamente no caminho certo.

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Créditos  |

Contém spoilers.

O novo episódio (Arquivos de Casos) liberado neste último domingo levantou novas perguntas, nos apresentou novos personagens e alguns dos antigos personagens que estávamos ansiosos para rever.

ARGENTINA – PHILIP JEFFRIES

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Revemos os assassinos (Gene e Jake), que tentaram matar Dougie/”bom” Cooper, conversando com Lorraine pelo celular. O que sabemos é que Lorraine aparentemente tinha um contrato para matar Dougie (que não existe mais). A mensagem está destinada para “ARGENT ” e o dispositivo começa a piscar. ARGENT é definitivamente uma abreviatura para Argentina, onde Buenos Aires está localizada. É digitado o número 2, sobrando 159 caracteres. Ela parece ter medo de enviar essa mensagem. Talvez essa mensagem tenha a ver com Dougie (que não existe mais) não ter sido morto ainda. Não se sabe o que significa, mas a luz da caixa pisca duas vezes. Acredito que um piscar seja para sim e dois para não. Logo depois o dispositivo se transforma em algo minúsculo, talvez uma pedra. O que podemos entender é que, Philip Jeffries queria matar o Dougie pra evitar a troca. Lembrando que, Jeffries disse para o “bad” Cooper no telefone (o aparelho do FBI) que ia poder estar com o BOB de novo, quando voltasse pro Black Lodge. Por isso, tentou matar Dougie pra evitar que ele fosse pro Lodge no lugar do “bad” Cooper.

BOB/COOPER

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Parece que BOB finalmente revelou sua face por trás da máscara. Podemos ver, em uma típica cena de espelho, a imagem de Cooper se assemelhar com a de BOB (o saudoso Frank Silva). A cena intrigante foi a da ligação, onde ele menciona um tal de “Sr Strawberry“, talvez alguém do conhecimento do diretor Murphy, pois o mesmo ficou assustado. De qualquer maneira, “Sr. Strawberry“não estava recebendo ligações. Logo depois disso, ele disca números, que parece de forma incoerente, mas disparam o alarme da prisão e depois diz “The cow jumped over the moon“.

Uma interpreção seria que: Sr. StrawBERRY (homem que o bad Cooper/BOB menciona), Black-BERRY (celular que a mulher utiliza para ligar para Argentina) e Glaston-BERRY (Glastonbury), que conhecemos da série. Argent ( ARGENT-ina), também significa “prateado / branco” e também está ligado à lua. Alguns ligaram a rima a Hathor (vaca) / Isis (lua) – sabedoria egípcia. Havia um obelisco (Osirian) mostrado na cena de Buenos Aires. O sicômoro (o bosque) era sagrado para Isis / Hathor. O “bad” Cooper/BOB causou ocorrências estranhas quando foi conectado à comunicações / telefone. Isso é semelhante ao que aconteceu quando Jeffries foi transportado de Filadélfia para Buenos Aires em FWWM.

MAJOR BRIGGS

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O anel de casamento de Dougie é encontrado no corpo misterioso, revelado agora ser de Major Garland Briggs, que estava junto no corpo da bibliotecária.

As impressões digitais de Briggs “apareceram” significando que elas foram diretamente conectadas a investigação de um jeito ou de outro. Elas não apareceriam sem motivos. Na História Secreta de Twin Peaks, sabemos que Briggs chega a conclusão de que Cooper deve ser seu novo protegido no Projeto Blue Book, mas descobre que há algo de errado com ele após seu tempo no Lodge e implementa o protocolo MAYDAY. Provavelmente Major deve ter fingido sua morte durante esses 25 anos e saído do radar para investigar a situação do Cooper pois sabe que ele é de vital importância. Briggs devia estar ciente dos planos do “bad” Cooper para Dougie, e é por isso que seu anel está no seu estômago. E ele sabia que a marca de 25 anos estava chegando e que Dougie era fabricado pelo “bad” Cooper, e ao engolir o anel, Briggs estava ciente de que seu tempo acabou e segundo, ele sabia que suas impressões digitais chegariam a superiores e que alguém localizaria e questionaria Dougie Jones, levando-os à Cooper. No Pentágono, a Tenente Cynthia Knox, informa ao Coronel Davis que as digitais de Major apareceram 16 vezes em 25 anos, em Buckhorn, Dakota do Sul. O Coronel duvida de quão legitimo isso possa ser, mas diz que se for o Major que tenha sido identificado, o FBI deve ser informado.

 

DR. JACOBY

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O que vimos anteriormente do Dr. Jacoby, era ele apenas com as suas pás, algo de longe bastante misterioso. Nesse episódio vimos algo bastante caricato, com um webcast (Dr. Amp) algo bem estilo de Twin Peaks, podemos ver também Nadine Hurley que assistia a transmissão, que o olhava como uma mãe orgulhosa, e Jerry Horne, na floresta, com seu Ipad, fumando.

Na História Secreta de Twin Peaks, trata extensivamente sobre Lodges, Maçonaria e Illuminati. Dentro da linguagem visual maçonica, as pás estão associadas a um conjunto maior de motivos que se correlacionam com sepulturas e enterros. Esses símbolos de sepultura/sepultamento são lembranças da verdade insuperável e inevitável da mortalidade, de que a morte é uma parte vital da vida. A pá, especificamente, sendo a ferramenta de enterro – usado para cavar a sepultura, etc.  O ouro tem sido conhecido por representar justiça, verdade, prestígio, luxo, transcendência, epifania, bondade etc., mas também entendemos que o ouro tem outra conexão simbólica histórica (uma que se refere especificamente à história americana, assunto que é muito importante para Frost): a Era Dourada da América, dourado significa algo que é ouro, mas apenas como um verniz, ou seja, não é ouro verdadeiro. Por exemplo: uma pá pintada de ouro invés de uma pá de ouro sólido. Especialmente a história de que Era Dourada foi um tempo em que tudo na América parecia dourado, mas realmente tinha problemas debaixo da superfície.

“BOM” COOPER

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Janey-E leva o “bom” Cooper para o trabalho, e se depara com ele em lágrimas, onde ele está olhando para o filho Sonny Jim, que está estranhamente dentro do carro, aparentemente chorando. Alguns alegaram que ele piscou de forma invertida, como os habitantes do Lodge. Há quem diga que Sonny Jim esteja sendo habitado pelo Gigante, uma forma de orientar o “bom” Cooper. Cooper ainda está no mesmo estado como vimos nos episódios anteriores, talvez neste último episódio algumas mudanças podem tem sido notadas. Na reunião de trabalho, foi notado uma estranha luz verde no rosto de um dos personagens enquanto ele mentia, e Cooper “sentiu” e foi capaz de dizer por si mesmo que o colega de trabalho estava mentindo, sem repetir, como na maioria das vezes. Alguns apostam que sua intuição está voltando e de que ele voltará ser o Agente Dale Cooper, mas como MIKE disse, um deles tem que morrer. É notável que ninguém leva a sério essa situação de Cooper, anteriormente, Dougie, como Janey-E disse, que ele já teve essas “crises” e seu colega de trabalho “já está na terra dos sonhos (?)”, aparentemente parece ser algo comum para as pessoas de sua convivência.

DOUBLE R

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Vimos logo de ínicio, Norma, Shelly, Becky (Amanda Seyfried), Steven Burnett e Toad (interpretado pelo Marv Rosand, que faleceu em 2015 e apareceu neste episódio de forma póstuma, o mesmo está no Missing Pieces). Becky aparentemente é filha de Shelly e pede dinheiro para a mãe. Norma aconselha a amiga, que é praticamente a filha que ela não teve. Becky e Steven são casados e podemos ver que ela deve ter herdado algo da mãe, principalmente o casamento precoce e péssima escolha para parceiros. Steven, que anteriormente estava em uma entrevista de emprego com Mike (o melhor amigo de Bobby, pelo menos na adolescência), e no qual, não conseguiu o emprego e foi devidamente humilhado, usa drogas com a sua esposa Becky, saindo do Double R. Alguns acreditam que Becky será a nova Laura Palmer e que assim que Cooper recuperar sua memória ele resolverá o caso, ou ele na verdade matará Becky, por estar possuído por BOB. De qualquer forma, a cena de Becky no carro ao som de “I Love How You Love Me” da The Paris Sisters, é uma das cenas mais lindas de todo episódio.

DELEGACIA DE TWIN PEAKS

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Hawk e Andy continuam procurando nos arquivos o que está faltando e que está relacionado a Cooper e a descendência de Hawk. Vemos o Xerife Frank ao celular conversando com ex Xerife Truman, quando sua mulher, Doris, chega e reclama sobre um vazamento de um cano e sobre sua frustrações.

CASSINO

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É nos apresentado os personagens de Robert Knepper (Rodney Mitchum) e Belushi (Bradley Mitchum). São dois irmãos e provavelmente donos do Silver Mustang Casino. Eles são informados de que o “bom” Cooper ganhou $425 mil dólares e Rodney, personagem de Knepper dá uma surra em Burns e o substituí por Warrick e ficam com Cooper na mira.

BAR BANG BANG

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Outro personagem é inserido na trama, seu nome: Richard Horne. Sua introdução não foi nada agradável, ele estava fumando em lugar proibido, quando questionado, pareceu resistente. Um policial interferiu, mas era um policial corrupto (Chad Broxford), ele pediu um cigarro, Richard lhe deu o maço, e nesse continha dinheiro. Logo depois veio uma sequência de cenas fortes, de Richard agarrando uma jovem com força, após dela pedir o isqueiro emprestado.  As especulações sugerem que ele seja filho de Audrey Horne, sobrevivente da explosão do banco (salva pelo Pete), com ninguém menos que “bad” Cooper/BOB. A linha de pensamento é que eles tiveram algo logo depois da recuperação dela depois do acidente, o que seria estranho, pois Audrey ficou em coma depois da explosão, então estaríamos falando de um abuso por parte de “bad” Cooper/BOB. O filho poderia ser, mais provável, de John Justice Wheeler. Outros acreditam que possa ser de Jerry Horne, até a semelhança do próprio ator com fisionomia de Jerry. A mãe seria alguém de One Eyed Jack’s, já que era frequente as idas de Jerry lá, até mesmo de Ben Horne.

AGENTE PRESTON

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A agente Tamara Preston examina o arquivo de Cooper e compara suas impressões digitais antes de seu desaparecimento em 1989 e do “bad” Cooper/BOB na prisão Federal. Ela fica intrigada. Talvez comece cogitar a existência de dois Coopers. As impressões digitais do “bad” Cooper são invertidas.

Obs: Jade encontrou a chave de Cooper (a chave do Hotel Great Northern) em seu carro, já que havia o endereço atrás da chave, ela colocou dentro de uma caixa postal, para que fosse entregue. Quem será que irá receber essa chave? E qual será sua reação?