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Finalmente o esperado livro Twin Peaks – Arquivos e Memórias parece estar chegando às livrarias brasileiras. Segundo a editora Darkside Books, o lançamento está previsto para este mês (e sim, parece que dessa vez é pra valer).

Nosso colaborador Igor Leoni aproveitou a ocasião e conseguiu uma entrevista com o autor Brad Dukes. No papo, Brad fala sobre seu amor pelo seriado, como surgiu a ideia para escrever o livro e o que ele espera da terceira temporada.

Brad tem 35 anos, mora em Nashville no Texas e acompanhou o seriado na sua primeira exibição em 1990. Em seu site brad d studios escreve sobre cinema, televisão, música e conduz entrevistas (várias delas foram com atores e pessoas ligadas à Twin Peaks). Atualmente tem seu próprio podcast, The Brad Dukes Show, onde conduz entrevistas com personalidades variadas (entre elas David Patrick Kelly, Laura Elena Harring, Pamela Gidley, Duwayne Dunham, Harley Peyton e Mark Frost).

Confiram abaixo o nosso bate-papo e deixem seus comentários.

TP Brasil – Olá Brad. Agradecemos muito que tenha reservado um tempo para responder nossas perguntas. Os fãs brasileiros esperam ansiosamente por ‘Arquivos e Memórias’. Voltando à época em que você assistiu Twin Peaks pela primeira vez, na exibição de 1990, você se lembra como foi seu primeiro contato com a série e o que o fez se tornar um fã?

Brad Dukes – Nunca vou me esquecer de como descobri a série. Eu tinha nove anos quando a primeira temporada estava sendo reprisada, antes da estreia da segunda. Eu fiquei fascinado com os personagens e com o mistério de quem matou Laura Palmer, e também aterrorizado com o BOB. Eu ia para a escola e desenhava todos os personagens no meu caderno, queria continuar explorando o mundo de Twin Peaks de alguma forma. Essa fascinação continua até hoje.

TP Brasil – E o livro “Arquivos e Memórias”, como surgiu a ideia?

Brad Dukes – Eu costumava escrever em meu blog sobre Twin Peaks, sobre locais de filmagem difíceis de encontrar e coisas do tipo. Quando eu comecei a entrevistar membros do elenco e da equipe de produção para o site eu não consegui mais parar! Minha esposa me deu a ideia de escrever um livro, e com o apoio de Mark Frost, várias portas se abriram e eu mergulhei de cabeça. Após três anos de entrevistas e pesquisa, “Arquivos e Memórias” estava pronto.

TP Brasil – Considerando todas as entrevistas que você juntou para o livro, há alguma que seja sua favorita?

Brad Dukes – Ray Wise é um homem extremamente atencioso e perspicaz. Nós conversamos por 90 minutos, e antes de desligar ele disse “espero que tenha lhe dado algo que você possa usar em seu livro”. Eu até hoje me divirto com isso, afinal a entrevista toda foi maravilhosa. Eu também prezo muito minha correspondência com Michael Ontkean através dos anos, afinal ele nunca compartilhou muito sua experiência trabalhando na série, e a perspectiva dele é um tanto única.

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Capa americana de “Arquivos e Memórias”. À direita Ray Wise com o livro.

TP Brasil – Você se lembra qual foi sua reação com a revelação do assassino? Foi surpresa total? E assistir o assassinato da Maddy no horário nobre em 1990, como foi a experiência?

Brad Dukes – Esse é um momento que estará para sempre marcado na minha memória. A tensão crescente desse episódio é maravilhosa, é como uma bomba relógio. Eu estava escondido embaixo das almofadas do sofá assistindo aterrorizado! Leland foi uma surpresa, mas o sentimento predominante foi de puro terror por causa do BOB. É com certeza a coisa mais perturbadora que já assisti tanto na televisão quanto na tela de um cinema.

TP Brasil – Após a revelação do assassino, a série partiu para um território completamente diferente. Como foi isso pra você na época, você chegou a perder o interesse?

Brad Dukes – Depois da revelação eu fiquei tão apavorado que não assisti Twin Peaks por quase sete anos, mas eu fiquei imaginando o que teria acontecido com todos os personagens. Em retrospectiva, eu gostaria que a caça pelo BOB tivesse se intensificado, mas a série construiu sua própria mitologia. Eles tiraram o foco do elenco principal e não tinham uma história pronta para contar depois do caso Laura Palmer. Eu aprendi a amar alguns dos episódios mais fracos, mas eu entendo como algumas pessoas ficam totalmente perdidas após a morte do Leland.

TP Brasil – E como foi quando a ABC cancelou a série de vez? 

Brad Dukes – Eu estava desligado de Twin Peaks quando a série foi cancelada, então não posso dizer. Pelas minhas entrevistas, posso dizer que o elenco e a equipe de produção estavam bastante frustrados com o declínio da qualidade da série na segunda temporada, então não acho que muitos deles ficaram surpresos quando tudo terminou.

TP Brasil – “Os Últimos Dias de Laura Palmer” foi muito mal recebido pela crítica e pelos fãs de maneira geral. Qual é a sua opinião do filme? Muitos mudaram de opinião com o passar do tempo, isso aconteceu com você?

Brad Dukes – Eu tenho uma mistura de opiniões em relação ao filme, que é o motivo pelo qual meu livro cobre apenas o seriado. Toda a sequência em Deer Meadow é fascinante pra mim, mas tenho sérios problemas com a execução do filme quando a história retorna para Twin Peaks. As atuações de Ray Wise e Sheryl Lee são surpreendentes, mas como um todo, eu sempre tive problemas em me conectar com o filme depois de Deer Meadow. Devo dizer que as cenas deletadas são muito interessantes, e elas me fazem questionar algumas decisões de edição em “Os Últimos Dias…”.

TP Brasil – Agora falando da terceira temporada. O que você espera e quais são seus medos?

Brad Dukes – Estou esperando uma história que seja ótima e jogue todas as expectativas pela janela. David Lynch e Mark Frost não trabalham na televisão há muitos anos, então suspeito que suas sensibilidades evoluíram do que costumavam ser. Eu espero o inesperado. Meu único medo é que Dale Cooper nunca saia do Black Lodge!

TP Brasil – Muitas séries boas apareceram na televisão nos últimos anos: Família Soprano, Mad Men, Breaking Bad, Lost, Game of Thrones. O telespectador comum está mais familiarizado com materiais de qualidade do que estava no início dos anos 90, e com isso acreditamos que os níveis de expectativa cresceram bastante. Você acha que a nova temporada terá muito com o que “competir” em termos de criatividade? 

Brad Dukes – David e Mark conhecem a qualidade de tudo o que a televisão produziu na última década, e não acho que eles ousariam trazer Twin Peaks de volta se não tivessem uma história que merece ser contada. Todas as ótimas séries da última década com certeza serviram como lenha para essa faísca. Há séries excelentes espalhadas por diversos canais e plataformas, mas o Showtime está exibindo algumas das melhores (Ray Donovan, The Affair, Masters of Sex). Eu acho (e espero) que Twin Peaks será novamente o divisor de águas da televisão.

TP Brasil – Você planeja continuar escrevendo no futuro?

Brad Dukes – Estou trabalhando em um livro sobre um seriado do final dos anos 80, e o meu podcast, The Brad Dukes Show, me mantém bastante ocupado. Há ainda uma grande quantidade de material que ficou de fora de “Arquivos e Memórias” que eu gostaria de colocar em algum lugar, talvez em um novo livro só para remendar essas sobras. Existem muitas áreas no universo de Twin Peaks que não foram exploradas propriamente, então estou montando estratégias de como prosseguir com isso.

TP Brasil – Antes de terminarmos, o que os fãs brasileiros que estão aguardando “Arquivos e Memórias” podem esperar de seu livro?

Brad Dukes – Os fãs brasileiros de Twin Peaks podem esperar várias histórias do elenco e da equipe de produção que ainda não conhecem. Eu gosto de pensar em meu livro como uma cápsula do tempo que coloca as duas temporadas em um outro contexto, mostrando aos fãs o que aconteceu nos bastidores, ao mesmo tempo que explorando o processo criativo e os sucessos e falhas do seriado.

 

Este post faz parte do projeto #VisiteTwinPeaks realizado em parceria com diversos sites e canais de fãs com o intuito de apresentar uma das mais importantes séries da televisão para novos espectadores. Para conferir o que os outros participantes do projeto estão fazendo, visite os links abaixo: 

 – Anna Costa – annacstt.com

– Pausa para um Café – pausaparaumcafe.com.br

– Cooltural – coolturalblog.wordpress.com

– Estante Etérea – youtube.com/estanteeterea

– Hoje é Dia – youtube.com/channel/UCnklmydhMvRnLPNWzYWDP3w

– Christian Assunção – youtube.com/c/christianassuncao

– SkullGeek – skullgeek.com.br

– Pulp Fiction com Lucas Dallas – youtube.com/user/LucasDallas1

– Pipoca Musical – youtube.com/user/pipocamusical

– E nós, do Twin Peaks Brasil.

 

Há dois dias a SHOWTIME disponibilizou um vídeo com alguns depoimentos dos atores da série (antigos e novos), falando sobre sua experiência e de como ocorreu todo o planejamento da mesma. O vídeo está legendado na nossa página.


A SHOWTIME também disponibilizou um vídeo de Angelo Badalamenti, tocando o a música tema de Laura Palmer.

Kyle MacLachlan em Cannes

O ator Kyle MacLachlan está mantendo o  mistério sobre a vinda da terceira temporada da série de TV cult, Twin Peaks, 25 anos depois da segunda temporada.  Ele esteve em Cannes, na França, na mostra MIPCOM  para promover a série.

 

Não é segredo que o Netflix se tornou o serviço de streaming mais popular da atualidade. A quantidade de filmes e seriados no acervo e o preço barato de mensalidade fez com que muitas pessoas cancelassem seus pacotes de TV por assinatura de longa data para ficar só com ele.

Nosso colaborador Igor Leoni separou aqui alguns títulos do acervo que contam com a presença de atores de Twin Peaks, uma alternativa enquanto esperamos a chegada da nova temporada (e também o Netflix colocar a série original de volta na grade).

 

1- VELUDO AZUL (1986)

Gênero: Suspense/Drama

Com: Kyle MacLachlan (Dale Cooper), Jack Nance (Pete Martell) e Frances Bay (Sra. Tremond)

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Acredito que a maioria dos fãs de Twin Peaks já tenha ao menos ouvido falar do filme que deu fama e prestígio à David Lynch e colocou em evidência Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini e Laura Dern. Kyle interpreta um universitário que retorna à sua cidadezinha natal para as férias de verão. Vagando pela cidade, entediado com o clima bucólico, acaba se deparando com uma orelha decepada deixada em um terreno baldio. Intrigado, resolve investigar o fato, envolvendo-se cada vez mais em uma conspiração bizarra que envolve também uma belíssima cantora. O filme traz também Jack Nance e Frances Bay em participações especiais bastante peculiares. Esse é talvez o trabalho de Lynch que mais se assemelha à Twin Peaks. Vários elementos que mais tarde foram utilizados no seriado aparecem aqui (o caminhão que transporta toras de madeira, o diner, o bar com cortinas vermelhas, a cantora, a cidadezinha aparentemente perfeita que esconde segredos macabros, etc). O filme está completando 30 anos e ainda é considerado um dos melhores trabalhos de Lynch, indispensável para fãs do seriado e de cinema de modo geral.

 

2- KILL BILL Vol. 1/Vol. 2 (2003)

Gênero: Ação/Drama/Humor Negro

Com: Michael Parks (Jean Renault)

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Filme considerado por muitos a obra-prima da filmografia de Quentin Tarantino. Originalmente concebido para ser lançado como um filme só, mais tarde foi dividido em dois volumes e lançado separadamente pelo estúdio. A história acompanha a jornada de vingança de uma mulher misteriosa, que foi massacrada e quase morta no dia de seu casamento por grupo de assassinos do qual fazia parte. Michael Parks é uma presença constante nos filmes de Tarantino, sempre em participações especiais marcantes. No Volume 1 interpreta o policial rodoviário Earl McGraw, personagem que já apareceu em outros roteiros do cineasta: Planeta Terror, À Prova de Morte Um Drink no Inferno (esse último também está disponível no catálogo do Netflix). No Volume 2, Parks está completamente diferente e interpreta Esteban Vihaio, um cafetão mexicano de 80 anos. Os dois volumes juntos chegam a quase 4 horas de duração, mas definitivamente é uma longa jornada que vale a pena.

 

3- PARIS, TEXAS (1984)

Gênero: Drama

Com: Harry Dean Stanton (Carl Rodd)

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Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1984, talvez seja o filme mais cultuado do diretor alemão Wim Wenders. Um homem é encontrado vagando pelo deserto com a memória confusa e seu irmão é contactado para buscá-lo. Aos poucos ele irá tentar se reconectar com seu filho pequeno, que agora vive sob os cuidados do irmão e da cunhada, e tentará reencontrar a esposa com quem perdeu contato. Além de Harry Dean Stanton no papel principal (em atuação comovente) o filme traz Dean Stockwell, que fez uma participação marcante em Veludo Azul, e a belíssima Nastassja Kinski em início de carreira. Um drama delicado e contemplativo que faz uma reflexão sobre relacionamentos e a passagem da vida. O ritmo lento pode testar a paciência de alguns, mas sem dúvida é um filme que deve ser conhecido.

 

4- AMOR, SUBLIME AMOR (1961)

Gênero: Musical/Drama

Com: Richard Beymer (Benjamin Horne) e Russ Tamblyn (Lawrence Jacoby)

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Filme vencedor de 10 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, é também um dos musicais mais aclamados de todos os tempos. A história é uma versão moderna de Romeu e Julieta, ambientada no subúrbio de Nova York nos anos 50. Uma gangue de rua formada por americanos nativos entra em conflito com uma gangue rival formada por porto-riquenhos, e ambas passam a disputar o controle das ruas. A irmã do líder dos porto-riquenhos acabará se apaixonando por um ex membro da gangue dos americanos, complicando mais ainda a rixa. Richard Beymer interpreta o “Romeu” apaixonado que fará de tudo para conquistar sua “Julieta”, interpretada por Natalie Wood. Russ Tamblyn faz o esquentado líder da gangue de americanos. Além de ser um grande musical com números belíssimos, é muito interessante assistir Beymer e Tamblyn cantando e sapateando (muito bem) anos antes de encarnarem seus personagens em Twin Peaks.

 

5- CARRIE, A ESTRANHA (1976)

Gênero: Terror/Drama

Com: Piper Laurie (Catherine Martell)

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Filme já citado em nossa lista de filmes de terror, mas que merece ser relembrado por sua importância como um dos filmes mais influenciais do gênero. Baseado no best seller de Stephen King, conta a história de uma adolescente desajustada que é constantemente oprimida pelos colegas de escola e pela mãe (Piper), uma fanática religiosa. Ao entrar na puberdade, a garota aprende a utilizar seus poderes telecinéticos e acabará usando-os para se vingar das humilhações que sofre. O próprio Stephen King declarou que considera esta adaptação muito superior ao seu livro. Piper foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel, que é considerado um dos mais memoráveis de sua carreira. Também disponível no acervo do Netflix está um remake de 2002 feito para a televisão que é bastante inferior. Cuidado para não assistirem a versão errada.

 

6- AS CRIATURAS ATRÁS DAS PAREDES (1991)

Gênero: Terror/Humor Negro

Com: Everett McGill (Ed Hurley) e Wendy Robie (Nadine Hurley)

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Filme também já citado em nossa lista de terror, mas que merece novo destaque já que o diretor Wes Craven escalou os atores após se apaixonar por seus papéis em Twin Peaks, e também por ser o trabalho mais peculiar da carreira dessa dupla (sim, mais ainda do que Ed e Nadine). Na história, um garoto pobre que está prestes a ter sua família despejada se junta com dois comparsas e o trio planeja um assalto à mansão de seus senhorios, para poderem quitar as dívidas de seu imóvel com o dinheiro roubado. Os senhorios (Everett e Wendy) são um estranho casal cheio da grana que nunca sai de casa. Dentro da mansão o garoto irá se deparar com um lugar infernal cheio de armadilhas e criaturas subumanas que vivem aprisionadas ali. A história é baseada em um caso real que chocou os Estados Unidos, de um casal que sequestrava crianças e as aprisionava em seu porão. O clima do filme é voltado para o humor negro mas ainda pode chocar. Apenas para simpatizantes do gênero.

 

7- KALIFORNIA – UMA VIAGEM AO INFERNO (1993)

Gênero: Suspense/Ação

Com: David Duchovny (Dennis/Denise Bryson)

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Road thriller B dos anos 90 que não fez muito barulho, só entre os fãs de Brad Pitt. David Duchovny ainda não era o agente Mulder e passou despercebido, ofuscado por Pitt que já era celebridade em ascensão. Duchovny interpreta um escritor que embarca em uma viagem com a namorada para fotografarem locais onde crimes famosos ocorreram, com a intenção de escreverem um livro sobre o assunto. Decidem levar a tira colo um estranho casal, um redneck e sua namorada infantil, para poderem dividir as despesas da viagem. Logo vão se dar conta que estão nas mãos de um perigoso serial killer que colocará a vida de todos em risco. O filme não foi bem recebido pela crítica, que o acusou de ser pretensioso e sensacionalista, e rapidamente caiu no esquecimento. Está bem longe de outros filmes que seguem a mesma linha (Encurralado, Assassinos por Natureza, A Morte Pede Carona) mas ainda diverte e tem momentos bem tensos. Interessante também ver Brad Pitt saindo de seu estereótipo de galã, interpretando um redneck nojento e violento.

 

8- ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO (1987)

Gênero: Ação/Policial

Com: Dan O’ Herlihy (Andrew Packard), Ray Wise (Leland Palmer) e Miguel Ferrer (Albert Rosenfield)

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Grande sucesso do final dos anos 80, gerou duas sequências e estabeleceu o diretor holandês Paul Verhoeven em Hollywood. Ambientado em um futuro incerto em que as ruas estão completamente dominadas pela violência, um policial recém transferido é completamente massacrado por uma gangue de malfeitores e deixado para morrer. Seu cérebro é mantido vivo e o restante de seu corpo é integrado a uma armadura blindada programada para combater o crime. A ideia é que a nova “invenção” sirva de exemplo e motivação para a força policial, e que a empresa multinacional por trás do experimento possa se promover perante a população. O que deveria ser só mais um filme futurista de ação se revelou também uma crítica social ao capitalismo exacerbado e ao monopólio das grandes empresas. Um tema pertinente até os dias de hoje, tanto que o filme acabou gerando um remake em 2014 dirigido pelo brasileiro José Padilha. Coincidentemente, o filme traz não um mas três rostos de Twin Peaks. Dan O’ Herlihy interpreta o magnata que controla a empresa multinacional, Miguel Ferrer é o executivo por trás da armadura que reveste o policial do futuro, e Ray Wise um dos membros da violenta gangue que aterroriza as ruas. Bandido é o que não falta por ali.

 

9 – OLHO POR OLHO (1996)

Gênero: Drama/Suspense

Com: Kiefer Sutherland (Sam Stanley)

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Suspense que passou batido pelos anos 90 e pouca gente viu, mas que traz cenas fortes e tensas, boas atuações e um questionamento que gera muito debate até hoje: quando a justiça falha, temos o direito de acertar contas com nossas próprias mãos? Na trama uma executiva tem sua filha adolescente violentada e assassinada por um entregador de compras. O entregador é solto por falta de provas e continua a ameaçar a vida de outras mulheres. Inconformada, a executiva tentará utilizar seus próprios meios para puni-lo. Kiefer Sutherland interpreta o desprezível entregador psicopata, em atuação bem diferente do agente esquisito e metódico que interpretou em Os Últimos Dias de Laura Palmer. O elenco ainda traz a ótima Sally Field no papel principal.

 

10- DO INFERNO (2001)

Gênero: Suspense/Terror

Com: Heather Graham (Annie Blackburn)

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Adaptação para o cinema da cultuada graphic novel de Alan Moore, que faz uma reflexão sobre o caso de Jack o Estripador e cria uma possível teoria para sua identidade e motivação. No filme, Johnny Depp faz um investigador de polícia que “trata” suas habilidades psíquicas com o uso de ópio. Ao observar um padrão no método em que várias prostitutas de rua vão sendo assassinadas, ele se aproxima de uma delas, interpretada por Heather Graham, e passa a protegê-la ao suspeitar que ela pode ser a próxima vítima do misterioso assassino. Apesar de ser adaptação de um material bastante cultuado, o filme não empolgou os críticos e nem os fãs do livro, que não gostaram das mudanças feitas na adaptação e acharam o trabalho final bem sem graça. Purismos à parte, o filme é um thriller de época bem sombrio e sanguinolento e com certeza deve agradar fãs do gênero.

 

11- SHOWGIRLS (1995)

Gênero: Drama/Comédia

Com: Kyle MacLachlan (Dale Cooper)

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Filme bastante estigmatizado, foi recordista de indicações ao Framboesa de Ouro e é considerado por muitos um dos piores filmes já feitos. Uma dançarina chega em Las Vegas com a ambição de se tornar uma grande estrela. No percurso enfrentará vários desafios, principalmente uma inimizade com a protagonista de um dos mais importantes shows da cidade, do qual ela deseja fazer parte. Mesmo sendo motivo de chacota e considerado por muitos “bom de tão ruim que é”, muitos críticos tomaram a defesa do filme dizendo que se trata de mais um trabalho incompreendido do diretor Paul Verhoeven, conhecido por fazer filmes polêmicos. O filme é cafona e exagerado desde as cenas de dança até as cenas de sexo. Muitos consideram esses aspectos propositais e dizem que o intuito de Verhoeven era o de fazer uma sátira disfarçada de drama, como uma crítica ao mundo do show business e às pessoas movidas por desejo de sucesso. Para o bem ou para o mal, é um filme que ganhou status cult e merece ser conhecido. Kyle MacLachlan interpreta um produtor mulherengo chegado em cocaína, muito diferente do certinho agente Cooper que nós conhecemos.

 

Já assistiu a série Stranger Things? Se não, spoilers estão chegando.

A série foi repleta de referências brilhantes do cinema dos anos 80, mas não pode deixar de notar o final com uma grande referência a um dos  programas favoritos TV.

Tudo aparentemente parecia bem em Weirdsville, A família Byers  senta-se para um jantar feliz de Ação de Graças. O pequeno Will pede  licença para ir ao banheiro e é aí que as coisas tomam um rumo diferente.

Will começa a tossir, e se trata de um “resíduo” de Demogorgon viscoso que desliza  pelo cano abaixo. O menino dá um tapinha no peito, limpa a boca e retorna para sua família, sorrindo. Sinistro – mas não é a primeira vez que vimos algo como isto.

Na série Twin Peaks de David Lynch, um clássico cult dos anos 90, vimos o  Agente Dale Cooper tentando resolver o assassinato de Laura Palmer, onde teve um final muito semelhante.

O agente  Cooper, um dos únicos personagens que não é um suspeito ao longo de duas temporadas, se olha no espelho, e é lá que ele vê, o reflexo de Bob, a entidade demoníaca aterrorizante o hospedeiro, olhando para ele. A série termina. O espectador fica horrorizado.

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Então, o que isso significa para Will? Ele se tornará o monstro? Sua falta de surpresa e terror ao vomitar uma aberração  sugere que ele está ciente do que está acontecendo com ele. Ter o Demogorgon, como Bob, assumido? E que agora está sob seu controle?

Será que Eleven precisará retornar para salvar Mike de seu amigo e mandar o Will de volta para The Upside Down?
Vamos apenas esperar  obter uma resposta mais rápida do que os fãs de Twin Peaks.

 

Matéria original

Vocês leram certo, além da versão impressa, The Secret History of Twin Peaks será lançado nos Estados Unidos também em formato audiobook, narrado por membros do elenco.

Até agora, Kyle MacLachlanRuss TamblynMichael HorseChris MulkeyDavid Patrick Kelly são as vozes confirmadas. Do novo elenco teremos as vozes de Amy ShielsJames MorrisonRobert Knepper. E também Annie Wersching Len Cariou, que não fazem parte do elenco mas participarão do áudio.

O audiobook será lançado simultaneamente com o livro em 18 de outubro. São 10 horas de áudio em formato de CD (8 discos) ou em versão Audible (o áudio pode ser baixado após a compra). Ambos os formatos poderão ser adquiridos através da Amazon americana a partir do lançamento.

“Estou muito feliz que, tanto membros do elenco original quanto os novos atores, irão se juntar nesse projeto para trazer à vida esse outro aspecto do mundo de Twin Peaks”  declarou o autor Mark Frost.