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Contratada para ser a figurinista da nova temporada, Nancy Steiner já tem um currículo impressionante. Ela foi responsável pelo figurino de diversos filmes cultuados, como As Virgens Suicidas, Encontros e Desencontros, Pequena Miss Sunshine, e é também autora do famoso suéter verde que Kurt Cobain adotou como marca registrada por muito tempo.

Agora Steiner assumiu o trabalho que foi de Patricia Norris (figurinista do piloto da série e do filme Os Últimos Dias de Laura Palmer) e de Sara Markowitz (figurinista dos demais episódios). Em entrevista ao Fashion Unfiltered, Steiner conta como foi trabalhar com Lynch e criar o figurino de 238 personagens para a nova temporada (!)
 sem-titulo  Desenho do figurino de ‘As Virgens Suicidas’, à direita as meninas do elenco já vestidas.

Eu fiquei muito lisonjeada ao entrar para o time de David. Eu considero David Lynch um verdadeiro artista. Ele não é só um diretor, ele é pintor, músico, desenhista. Ele enxerga o mundo de uma maneira artística, e não é sempre que você tem o privilégio de trabalhar com alguém que seja um artista em tantas áreas. E ele tem o seu próprio estilo. Vou te falar: eu nunca conseguia entrar completamente na cabeça dele. O gosto dele é extremamente único. Eu tentava, tentava, às vezes eu acertava na mosca e às vezes não e nós voltávamos para o começo. Nós criamos personagens magníficos.  

untitled-1Steiner ao lado de Sofia Coppola e Bill Murray no set de ‘Encontros e Desencontros’.

Enquanto trabalhava na série, eu ficava pensando que queria fazer algo realmente bom, não só para David mas também para os fãs. Foi quando eu comecei que percebi o quanto o projeto era grandioso. Eu entrei na internet e pensei ‘Meu Deus, o culto é gigantesco’. Então eu falei para mim mesma ‘Ok, estou entrando em um mundo muito maior do que qualquer outra coisa que eu já tenha feito antes’. Eu estava ciente disso o tempo todo. 

sem-tituloCena do filme ‘Pequena Miss Sunshine’, à direita Kurt Cobain e o suéter verde que virou sua marca registrada. 

Nós estamos literalmente 25 anos depois da série original ter terminado“, Steiner contou ao Fashion Unfiltered. “Então, será que a época contemporânea afetou a moda dos moradores da cidade, ou ainda veremos sapatilhas de couro e suéteres de lã?

Essa série se passa 25 anos depois, então levamos isso em consideração. Mas o estilo de David Lynch se concentra mais entre os anos 30 até os 50, então é de onde tiramos a vibe. Ele ama aquelas silhuetas, e as roupas da época também. Ei incorporei isso nos personagens, dependendo da personalidade de cada um. Há 238 personagens com falas na nova temporada de Twin Peaks. Eu pensei em cada personagem e em cada vibe. Quando trabalho com uma história contemporânea, não significa que o vestuário será necessariamente contemporâneo. Como bem sabemos, muitas pessoas gostam de vintage. 

Fonte: Fashion Unfiltered (texto e fotos)

 

A Citizen Brick criou um conjunto de minifiguras com, Agente Cooper, Laura Palmer, Audrey e Senhora do Tronco.
O nome do conjunto é Welcome to Double Mountain – Murder Mystery Town.   Por ser uma edição limitada, já se encontra esgotada. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde sua exibição no começo dos anos 90, a estética de Twin Peaks mostrou-se estar a frente de seu tempo – fosse em seus cenários, como o banheiro da Twin Peaks High School e o inesquecível Black Lodge, como também nos figurinos das icônicas personagens femininas da série. Hoje, a combinação de cores e formas da série criada por Mark Frost e David Lynch continua sendo fonte de inspiração, principalmente no mundo da moda.

Em 2013, a marca Sucker Apparel lançou a chamada Twin Peaks Collection, uma linha de roupas desenhadas a partir de conceitos estéticos da série. A coleção entretanto, não está mais disponível para a venda.

d1Vestidos ‘Welcome to Twin Peaks’, ‘Smoking In The Girls Room’, ‘Laura’ e ‘Fire Walk With Me’. 

Também em 2013, a edição sueca da revista de moda Elle produziu um editorial inspirado nas nuances e cenários de Twin Peaks.

d2Foram os responsáveis pelo editorial o fotografo Carl Bengtsson, a editora de moda Jenny Fredriksson, a maquiadora Nina Belkhir e a modelo Celia Becker. Todas as fotos do ensaio podem ser conferidas aqui.

Já mais recentemente, o estilista e fã da série Christian Louboutin, criou uma clutch (aquelas bolsas compactas) inspirada na vida dupla de Laura Palmer chamada de “ShoePeaks“. O valor da clutch é de 3,500 dólares e pode ser encontrada no site da marca (caso alguém aí tenha dinheiro sobrando).

d3Para apresentar sua criação, Louboutin lançou um vídeo dirigido pelos fotógrafos Billy & Hells, que assim como a bolsa, certamente bebeu da fonte de Lynch e Frost em sua criação.

Os assinantes da Showtime ganharão um presente especial nesse final de ano. A emissora anunciou nessa segunda-feira que disponibilizará as duas primeiras temporadas de Twin Peaks no fim de 2016.

A série poderá ser assistida através dos serviços de streaming, video on demand e de aplicativos da Showtime a partir de 26 de dezembro.

Além de Twin Peaks, a Showtime também irá aderir ao catálogo o filme “Veludo Azul” de 1986, escrito e dirigido por David Lynch e estrelado por Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini, Laura Dern e Dennis Hopper.

Finalmente o esperado livro Twin Peaks – Arquivos e Memórias parece estar chegando às livrarias brasileiras. Segundo a editora Darkside Books, o lançamento está previsto para este mês (e sim, parece que dessa vez é pra valer).

Nosso colaborador Igor Leoni aproveitou a ocasião e conseguiu uma entrevista com o autor Brad Dukes. No papo, Brad fala sobre seu amor pelo seriado, como surgiu a ideia para escrever o livro e o que ele espera da terceira temporada.

Brad tem 35 anos, mora em Nashville no Texas e acompanhou o seriado na sua primeira exibição em 1990. Em seu site brad d studios escreve sobre cinema, televisão, música e conduz entrevistas (várias delas foram com atores e pessoas ligadas à Twin Peaks). Atualmente tem seu próprio podcast, The Brad Dukes Show, onde conduz entrevistas com personalidades variadas (entre elas David Patrick Kelly, Laura Elena Harring, Pamela Gidley, Duwayne Dunham, Harley Peyton e Mark Frost).

Confiram abaixo o nosso bate-papo e deixem seus comentários.

TP Brasil – Olá Brad. Agradecemos muito que tenha reservado um tempo para responder nossas perguntas. Os fãs brasileiros esperam ansiosamente por ‘Arquivos e Memórias’. Voltando à época em que você assistiu Twin Peaks pela primeira vez, na exibição de 1990, você se lembra como foi seu primeiro contato com a série e o que o fez se tornar um fã?

Brad Dukes – Nunca vou me esquecer de como descobri a série. Eu tinha nove anos quando a primeira temporada estava sendo reprisada, antes da estreia da segunda. Eu fiquei fascinado com os personagens e com o mistério de quem matou Laura Palmer, e também aterrorizado com o BOB. Eu ia para a escola e desenhava todos os personagens no meu caderno, queria continuar explorando o mundo de Twin Peaks de alguma forma. Essa fascinação continua até hoje.

TP Brasil – E o livro “Arquivos e Memórias”, como surgiu a ideia?

Brad Dukes – Eu costumava escrever em meu blog sobre Twin Peaks, sobre locais de filmagem difíceis de encontrar e coisas do tipo. Quando eu comecei a entrevistar membros do elenco e da equipe de produção para o site eu não consegui mais parar! Minha esposa me deu a ideia de escrever um livro, e com o apoio de Mark Frost, várias portas se abriram e eu mergulhei de cabeça. Após três anos de entrevistas e pesquisa, “Arquivos e Memórias” estava pronto.

TP Brasil – Considerando todas as entrevistas que você juntou para o livro, há alguma que seja sua favorita?

Brad Dukes – Ray Wise é um homem extremamente atencioso e perspicaz. Nós conversamos por 90 minutos, e antes de desligar ele disse “espero que tenha lhe dado algo que você possa usar em seu livro”. Eu até hoje me divirto com isso, afinal a entrevista toda foi maravilhosa. Eu também prezo muito minha correspondência com Michael Ontkean através dos anos, afinal ele nunca compartilhou muito sua experiência trabalhando na série, e a perspectiva dele é um tanto única.

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Capa americana de “Arquivos e Memórias”. À direita Ray Wise com o livro.

TP Brasil – Você se lembra qual foi sua reação com a revelação do assassino? Foi surpresa total? E assistir o assassinato da Maddy no horário nobre em 1990, como foi a experiência?

Brad Dukes – Esse é um momento que estará para sempre marcado na minha memória. A tensão crescente desse episódio é maravilhosa, é como uma bomba relógio. Eu estava escondido embaixo das almofadas do sofá assistindo aterrorizado! Leland foi uma surpresa, mas o sentimento predominante foi de puro terror por causa do BOB. É com certeza a coisa mais perturbadora que já assisti tanto na televisão quanto na tela de um cinema.

TP Brasil – Após a revelação do assassino, a série partiu para um território completamente diferente. Como foi isso pra você na época, você chegou a perder o interesse?

Brad Dukes – Depois da revelação eu fiquei tão apavorado que não assisti Twin Peaks por quase sete anos, mas eu fiquei imaginando o que teria acontecido com todos os personagens. Em retrospectiva, eu gostaria que a caça pelo BOB tivesse se intensificado, mas a série construiu sua própria mitologia. Eles tiraram o foco do elenco principal e não tinham uma história pronta para contar depois do caso Laura Palmer. Eu aprendi a amar alguns dos episódios mais fracos, mas eu entendo como algumas pessoas ficam totalmente perdidas após a morte do Leland.

TP Brasil – E como foi quando a ABC cancelou a série de vez? 

Brad Dukes – Eu estava desligado de Twin Peaks quando a série foi cancelada, então não posso dizer. Pelas minhas entrevistas, posso dizer que o elenco e a equipe de produção estavam bastante frustrados com o declínio da qualidade da série na segunda temporada, então não acho que muitos deles ficaram surpresos quando tudo terminou.

TP Brasil – “Os Últimos Dias de Laura Palmer” foi muito mal recebido pela crítica e pelos fãs de maneira geral. Qual é a sua opinião do filme? Muitos mudaram de opinião com o passar do tempo, isso aconteceu com você?

Brad Dukes – Eu tenho uma mistura de opiniões em relação ao filme, que é o motivo pelo qual meu livro cobre apenas o seriado. Toda a sequência em Deer Meadow é fascinante pra mim, mas tenho sérios problemas com a execução do filme quando a história retorna para Twin Peaks. As atuações de Ray Wise e Sheryl Lee são surpreendentes, mas como um todo, eu sempre tive problemas em me conectar com o filme depois de Deer Meadow. Devo dizer que as cenas deletadas são muito interessantes, e elas me fazem questionar algumas decisões de edição em “Os Últimos Dias…”.

TP Brasil – Agora falando da terceira temporada. O que você espera e quais são seus medos?

Brad Dukes – Estou esperando uma história que seja ótima e jogue todas as expectativas pela janela. David Lynch e Mark Frost não trabalham na televisão há muitos anos, então suspeito que suas sensibilidades evoluíram do que costumavam ser. Eu espero o inesperado. Meu único medo é que Dale Cooper nunca saia do Black Lodge!

TP Brasil – Muitas séries boas apareceram na televisão nos últimos anos: Família Soprano, Mad Men, Breaking Bad, Lost, Game of Thrones. O telespectador comum está mais familiarizado com materiais de qualidade do que estava no início dos anos 90, e com isso acreditamos que os níveis de expectativa cresceram bastante. Você acha que a nova temporada terá muito com o que “competir” em termos de criatividade? 

Brad Dukes – David e Mark conhecem a qualidade de tudo o que a televisão produziu na última década, e não acho que eles ousariam trazer Twin Peaks de volta se não tivessem uma história que merece ser contada. Todas as ótimas séries da última década com certeza serviram como lenha para essa faísca. Há séries excelentes espalhadas por diversos canais e plataformas, mas o Showtime está exibindo algumas das melhores (Ray Donovan, The Affair, Masters of Sex). Eu acho (e espero) que Twin Peaks será novamente o divisor de águas da televisão.

TP Brasil – Você planeja continuar escrevendo no futuro?

Brad Dukes – Estou trabalhando em um livro sobre um seriado do final dos anos 80, e o meu podcast, The Brad Dukes Show, me mantém bastante ocupado. Há ainda uma grande quantidade de material que ficou de fora de “Arquivos e Memórias” que eu gostaria de colocar em algum lugar, talvez em um novo livro só para remendar essas sobras. Existem muitas áreas no universo de Twin Peaks que não foram exploradas propriamente, então estou montando estratégias de como prosseguir com isso.

TP Brasil – Antes de terminarmos, o que os fãs brasileiros que estão aguardando “Arquivos e Memórias” podem esperar de seu livro?

Brad Dukes – Os fãs brasileiros de Twin Peaks podem esperar várias histórias do elenco e da equipe de produção que ainda não conhecem. Eu gosto de pensar em meu livro como uma cápsula do tempo que coloca as duas temporadas em um outro contexto, mostrando aos fãs o que aconteceu nos bastidores, ao mesmo tempo que explorando o processo criativo e os sucessos e falhas do seriado.

 

Este post faz parte do projeto #VisiteTwinPeaks realizado em parceria com diversos sites e canais de fãs com o intuito de apresentar uma das mais importantes séries da televisão para novos espectadores. Para conferir o que os outros participantes do projeto estão fazendo, visite os links abaixo: 

 – Anna Costa – annacstt.com

– Pausa para um Café – pausaparaumcafe.com.br

– Cooltural – coolturalblog.wordpress.com

– Estante Etérea – youtube.com/estanteeterea

– Hoje é Dia – youtube.com/channel/UCnklmydhMvRnLPNWzYWDP3w

– Christian Assunção – youtube.com/c/christianassuncao

– SkullGeek – skullgeek.com.br

– Pulp Fiction com Lucas Dallas – youtube.com/user/LucasDallas1

– Pipoca Musical – youtube.com/user/pipocamusical

– E nós, do Twin Peaks Brasil.