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Em recente entrevista ao site Pitchfork, David Lynch falou sobre a aparição do personagem Phillip Jeffries na nova temporada de Twin Peaks, e negou que a máquina que emite a voz do personagem seja uma “chaleira”.

Ao ser questionado se chegou a falar com Bowie sobre o astro reprisar o papel de Jeffries, Lynch declarou “Eu não cheguei a falar diretamente com ele mas falei com o advogado dele. Ele me disse que ele não poderia participar e não me deu um motivo. Agora nós sabemos o porquê (…) mas ele nos deu permissão para usar as imagens de arquivo em que ele aparece em ‘Os Últimos Dias de Laura Palmer’. Porém não podíamos usar a voz dele. Acho que alguém deve ter tirado sarro do sotaque da Louisiana que ele usou para o personagem, então Bowie pediu que um ator da Louisiana dublasse as falas dele, para a coisa ficar autêntica. E foi o que fizemos. O ator (Nathan Frizzell) fez um trabalho incrível”. 

E quando questionado se Jeffries se transformou em uma grande chaleira, Lynch declarou “Eu esculpi aquela máquina e adicionei aquele bico que parece o de uma chaleira, mas agora me arrependo, todo mundo acha que é uma chaleira. É apenas uma máquina”. 

Confira o restante da entrevista aqui.

David Lynch fez sua primeira aparição pública desde o final da nova temporada, que aconteceu no último dia 3. A aparição se deu por uma sessão de Skype em um telão no Centro Cultural de Belgrade na Sérvia, que atualmente exibe a exposição de fotos “Small Stories” do diretor.

Respondendo à perguntas do público, Lynch se recusou a revelar o destino de Audrey Horne. “O que importa é o que você acha que aconteceu. Muitas coisas acontecem na vida e nós temos que chegar às nossas próprias conclusões. Você pode ler um livro que te gera inúmeras dúvidas, você quer questionar o autor sobre elas, mas ele morreu há muitos anos. Aí cabe a você resolver essas dúvidas.”

Sobre uma quarta temporada, Lynch declarou que os fãs devem ser pacientes. “Demorei quatro anos e meio para escrever e filmar essa temporada”.

Será que só teremos Season 4 em 2022?


A Caixa em Nova York serve como meio temporário para seres que deixam, ou que estão ligadas com o Black Lodge (ou não). Uma criatura  aparece, quebrando a caixa, matando Sam e Tracey no primeiro episódio. No segundo episódio,  vemos que “good”  Cooper entrou na caixa alguns minutos antes da criatura.

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Possivelmente o bilionário mencionado por Sam, seja o “evil” Cooper, que tem forte interesse em ficar fora do Lodge. É provável que ele esteja conduzindo essa pesquisa por meio do Duncan Todd.

Ele financia a caixa e contrata pessoas para assisti-lo sabendo muito bem o que vai acontecer com você. Quando seu (presumivelmente) assistente lhe pergunta por quê ele (Evil Cooper) o deixa fazer isso com ele, ele diz para ele não ter alguém como ele (Evil Cooper) em sua vida.

Parece que de alguma forma, é sabido sobre o tempo em que “good” Cooper devia ser devolvido e o “evil” Cooper voltaria para o Black Lodge. Também pode ser conhecido “onde” que ia acontecer. Ou, talvez, ele deveria apenas abrir as cortinas para onde o Evil Cooper estava dirigindo e trocar facilmente, mas ele é enviado para o prédio.

“Evil” Coop, monta a caixa de vidro para prendê-lo no lugar onde ele estava indo para retornar, fora deste edifício em Nova York. A máquina de alguma forma o aprisiona e o envia para a caixa no espaço (que também é uma caixa). O visual dele flutuando e depois sendo pego em quadrados cada vez menores, juntamente com os sons de portas de prisão batendo, indicando  que ele está sendo preso.

The Mauve Zone

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O termo foi tirado escrita de Kenneth Grant. Grant foi a primeira pessoa a associar o ocultismo ocidental com os fenômenos de abdução alienígena e o  primeiro a realmente enfatizar o papel de Jack Parsons na história do ocultismo. Ambos os temas desempenham um papel importante no livro de Mark Frost (História Secreta de Twin Peaks).

Grant descreve a “The Mauve Zone” como uma espécie de mundo auto-contido na própria borda da realidade entre o que podemos experimentar (como seres humanos) e o que só podemos conceber como não-existência.

Grant acreditava que a manipulação mágica de nossa realidade poderia ser feita com a ajuda de seres alienígenas na The Mauve Zone, que poderia ser visitada em um tipo particular de sono (como um coma), que havia seres lá que poderíamos considerar monstros e que enviou mensagens para a nossa realidade via fenômeno como OVNIs (ou aparições como o Gigante).

Grant também creditou The Mauve Zone como sendo a fonte de coincidências significativas, sincronicidade e “acidentes felizes” em nosso mundo (como aqueles aproveitados pelas técnicas de detecção mais intuitivas de Cooper).”

 

 

A Criatura

A mulher sem olhos avisa “good” Cooper para que ele não fale, aparentemente para que ele não atraia a atenção da “mãe”, dito depois por uma segunda mulher (interpretada pela atriz Phoebe Augustine, Ronette Pulaski anteriormente e agora creditada como “American Girl”) que avisa também a “good” Cooper para não falar pois chamará a atenção da sua “mãe”. “Good” Cooper troca de lugar com o Cooper/Dougie. A sala de máquinas está ligada com a caixa de vidro, já que Cooper apareceu lá primeiro. Talvez a “mãe” esteja tentando romper a realidade e matar o “good” Cooper.

A máquina em torno da caixa de vidro parece ter sido criada originalmente para ser uma armadilha para Cooper  ou para prendê-lo na sala de máquinas. Se não fosse por essa armadilha ele voltaria para o mundo real através da caixa de vidro, mas foi enviado de volta. O objetivo poderia ter sido trazer “good” Cooper antes da Mãe, que teria matado ele, mas suas “filhas” impediram para salvá-lo.

O que se sabe também é que a caracterização e inspiração vem das pinturas de David Lynch e seu gosto pelo pintor Francis Bacon.

Quadros da exibição "The air is on fire"

                                             Quadros da exibição “The air is on fire” , David Lynch

Francis Bacon, Portrait of a Man ,1953

Francis Bacon, Portrait of a Man ,1953

Tradução feita pelo Igor Leoni do artigo que compartilhamos na semana passada.

Link pro artigo original aqui.

LOS ANGELES: David Lynch está reclinado em sua cadeira, um sorriso endiabrado surge ocasionalmente em seu rosto misterioso enquanto faz parábolas sobre pesca e galinhas, parecendo uma espécie de Jesus com um topete.

Aos 71 anos, a lenda do cinema parece ter anunciado sua aposentadoria como diretor, mas é difícil saber, já que o significado de seu discurso é frequentemente mal interpretado em seu jogo de palavras misterioso.

Lynch, considerado um dos maiores diretores norte-americanos de sua geração, está promovendo seu último projeto, a antecipada continuação da icônica série dos anos 90 “Twin Peaks”, prevista para estrear em 21 de maio.

Ele passou os últimos anos dirigindo clipes de música, curtas e se aventurando como comediante, mas não dirige um longa-metragem desde o thriller surrealista “Império dos Sonhos”, que faturou apenas 4 milhões ao redor do mundo 11 anos atrás.

“As coisas mudaram muito nesses 11 anos. E uma dessas mudanças foi a forma que as pessoas passaram a olhar para longa metragens, o fato de que muitos filmes não arrecadam uma boa bilheteria, mesmo sendo bons filmes”, disse Lynch.

“E as coisas que estavam arrecadando uma boa bilheteria não eram coisas que eu estava interessado em fazer”.

Ao ser questionado se isso significava que ele havia feito seu último longa-metragem, ele desconversou, dizendo que a TV a cabo era um “lugar lindo para se estar”.

Então isso é um sim?

“Eu acho que sim”, ele respondeu, mas esse é um furo no qual não apostaria minhas economias.

– Delírio Febril –

O arrebatador mistério da primeira temporada de “Twin Peaks”, quem matou a estudante Laura Palmer, capturou a imaginação de toda a geração dos anos 90 e foi uma espécie de vanguarda para um novo estilo de televisão que se assemelhava ao cinema.

A admiração do público e da crítica declinou quando a segunda temporada revelou o culpado, mas a série continua popular o bastante para que seu retorno seja considerado um dos maiores eventos televisivos do ano.

Jornalistas que se juntaram em um hotel na Sunset Strip para conversar com Lynch foram avisados para evitarem perguntas relacionadas à “tramas, enredos, personagens e locações”, então até mesmo perguntas com sentido amplo sobre a nova série receberam respostas lacônicas, o que fez a conversa seguir um rumo mais genérico.

Nas obras com autoria de Lynch, de “Eraserhead” à “Veludo Azul” e além, você nunca tem certeza do que é realidade e do que pode ser apenas um estranho e lúcido delírio febril.

O mesmo pode ser dito da experiência de entrevistá-lo.

“Eu digo que ideias são como peixes. Você almeja aquele peixe, está com a isca no anzol dentro da água, e lá das profundezas, uma ideia, ou um peixe, irá nadar até a superfície e você irá pegá-la”, ele diz de sua filosofia como cineasta.

Lynch não especifica qual tipo de peixe representa suas ideias, mas elas soam suspeitosamente como um desvio.

“Então a próxima coisa é, você ama aquele peixe? Você ama aquela ideia? Se você ama, então ela é como um pequeno peixe que representa muito pra você”, ele diz entusiasmado.

– Ovos de Ouro –

Quando questionado se achava que a revelação do assassino de Laura Palmer tinha também assassinado a série original, ele começa a contar uma história sobre uma galinha que botava ovos de ouro, e como não seria “uma boa coisa” se alguém matasse essa galinha.

Lynch, que medita duas vezes por dia por mais de 40 anos, diz que não pensou muito se a série será direcionada aos fãs antigos de “Twin Peaks” ou a um novo público, e que não se preocupa com audiência ou críticas.

“Como eu sempre digo, existe um ditado védico: ‘O homem controla apenas suas ações, nunca os frutos de tais ações”, ele diz.

“Então quando você finaliza algo, você perde o controle e fica por conta do destino”.

Ele fala mais sobre suas ideias, a diferença entre cinema e TV (usando uma metáfora sobre mosquitos), e em um piscar de olhos, 20 minutos se passaram e nós sabemos menos sobre “Twin Peaks” do que sabíamos antes da entrevista começar.

Para finalizar, Lynch coloca que às vezes, quando uma produção leva muito tempo para ser finalizada, ela acaba sendo lançada em um mundo diferente daquele em que começou a ser feita.

“E às vezes isso é, estranho”, ele conclui enigmaticamente.

“Estranho é a melhor palavra para encerrar isso”, sussurra um jornalista enquanto David Lynch, pescador de ideias, dono de galinhas dos ovos de ouro e Jesus descolado, deixa o aposento.

Hoje o site de entretenimento Moviefone publicou uma entrevista com o ator Robert Forster, em que o ator foi questionado sobre Twin Peaks e comentou sobre sua experiência trabalhando com David Lynch. Forster já está confirmado no elenco da nova temporada e já trabalhou com Lynch em Cidade dos Sonhos. Há boatos que o ator assumiu o papel de Xerife Truman, que originalmente foi do ator Michael Ontkean. Por razões desconhecidas Ontkean não pôde retornar ao seriado para reprisar o papel.

Sabe-se também que o papel originalmente deveria ter sido de Forster, que na época estava comprometido com outro projeto e teve que recusá-lo.

Separamos abaixo o trecho da entrevista em que o ator foi questionado sobre Twin Peaks.

E você tem mais um personagem de uniforme chegando, um policial, em “Twin Peaks” de David Lynch. O que esse trabalho teve de empolgante, ou talvez de assustador, já que você está ocupando o papel que foi de outro ator?

Bem, primeiramente, eu estou sob a compulsão de não poder comentar esse trabalho. Eu posso agora confirmá-lo já que anunciaram que estou no seriado — juntamente com 216 atores. Que elenco enorme! David Lynch, que grande pessoa ele é. Ele queria ter me contratado para a série original, 25 anos atrás, mas eu estava comprometido com o piloto de uma série que acabou não se realizando. Então não participei da série original, o que com certeza teria mudado minha vida. Se você relembrar a época foi um hit gigantesco, um fenômeno. Mas não participei.

Tempo depois ele me contratou para “Cidade dos Sonhos”, que seria uma série de televisão, mas não deu certo. A série não casou com a programação. Então ele comprou os direitos, filmou mais algumas coisas e transformou-a em um filme maravilhoso. E dessa vez eu recebi uma ligação dos meus agentes e eles disseram que David Lynch iria me ligar. Ele me ligou e cinco minutos depois ele disse “Eu gostaria que você viesse e trabalhasse comigo de novo” e eu respondi, “O que quer que seja David, estou a caminho”.

Então apesar de não poder comentar minha participação, posso te falar que ele é um dos grandes artistas desse meio, e ele faz coisas que… quando ele precisa de algo, todo mundo se esforça e faz acontecer. O que mais? Ele é uma dessas pessoas que, durante a gravação, você escuta dizer “ação”, “corta” e o escuta também remoendo seus pensamentos por alguns minutos, e todos ficam em silêncio esperando o que ele vai dizer. E às vezes ele diz, “vamos gravar de novo” ou então ele diz, “Okay, deu certo. Vamos em frente”. Esse é um cara que reconhece quando filmou uma grande cena e que segue em frente. É uma modalidade artística reconhecer a força de uma cena gravada, ou se a cena irá ou não satisfazer suas necessidades.

Ele é um artista, e não existem muitos. Alexander Payne também. Eles são boas pessoas e bons diretores. E Quentin [Tarantino] também. Nossa, eu trabalhei com ótimos diretores, desde John Huston, Robert Mulligan e muitos outros. O que posso dizer? Trabalhar com David foi uma grande alegria, e espero viver o suficiente para ter a chance de fazê-lo novamente.

Leia o texto original aqui.