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Tag: ‘entrevista’

Tradução feita pelo Igor Leoni do artigo que compartilhamos na semana passada.

Link pro artigo original aqui.

LOS ANGELES: David Lynch está reclinado em sua cadeira, um sorriso endiabrado surge ocasionalmente em seu rosto misterioso enquanto faz parábolas sobre pesca e galinhas, parecendo uma espécie de Jesus com um topete.

Aos 71 anos, a lenda do cinema parece ter anunciado sua aposentadoria como diretor, mas é difícil saber, já que o significado de seu discurso é frequentemente mal interpretado em seu jogo de palavras misterioso.

Lynch, considerado um dos maiores diretores norte-americanos de sua geração, está promovendo seu último projeto, a antecipada continuação da icônica série dos anos 90 “Twin Peaks”, prevista para estrear em 21 de maio.

Ele passou os últimos anos dirigindo clipes de música, curtas e se aventurando como comediante, mas não dirige um longa-metragem desde o thriller surrealista “Império dos Sonhos”, que faturou apenas 4 milhões ao redor do mundo 11 anos atrás.

“As coisas mudaram muito nesses 11 anos. E uma dessas mudanças foi a forma que as pessoas passaram a olhar para longa metragens, o fato de que muitos filmes não arrecadam uma boa bilheteria, mesmo sendo bons filmes”, disse Lynch.

“E as coisas que estavam arrecadando uma boa bilheteria não eram coisas que eu estava interessado em fazer”.

Ao ser questionado se isso significava que ele havia feito seu último longa-metragem, ele desconversou, dizendo que a TV a cabo era um “lugar lindo para se estar”.

Então isso é um sim?

“Eu acho que sim”, ele respondeu, mas esse é um furo no qual não apostaria minhas economias.

– Delírio Febril –

O arrebatador mistério da primeira temporada de “Twin Peaks”, quem matou a estudante Laura Palmer, capturou a imaginação de toda a geração dos anos 90 e foi uma espécie de vanguarda para um novo estilo de televisão que se assemelhava ao cinema.

A admiração do público e da crítica declinou quando a segunda temporada revelou o culpado, mas a série continua popular o bastante para que seu retorno seja considerado um dos maiores eventos televisivos do ano.

Jornalistas que se juntaram em um hotel na Sunset Strip para conversar com Lynch foram avisados para evitarem perguntas relacionadas à “tramas, enredos, personagens e locações”, então até mesmo perguntas com sentido amplo sobre a nova série receberam respostas lacônicas, o que fez a conversa seguir um rumo mais genérico.

Nas obras com autoria de Lynch, de “Eraserhead” à “Veludo Azul” e além, você nunca tem certeza do que é realidade e do que pode ser apenas um estranho e lúcido delírio febril.

O mesmo pode ser dito da experiência de entrevistá-lo.

“Eu digo que ideias são como peixes. Você almeja aquele peixe, está com a isca no anzol dentro da água, e lá das profundezas, uma ideia, ou um peixe, irá nadar até a superfície e você irá pegá-la”, ele diz de sua filosofia como cineasta.

Lynch não especifica qual tipo de peixe representa suas ideias, mas elas soam suspeitosamente como um desvio.

“Então a próxima coisa é, você ama aquele peixe? Você ama aquela ideia? Se você ama, então ela é como um pequeno peixe que representa muito pra você”, ele diz entusiasmado.

– Ovos de Ouro –

Quando questionado se achava que a revelação do assassino de Laura Palmer tinha também assassinado a série original, ele começa a contar uma história sobre uma galinha que botava ovos de ouro, e como não seria “uma boa coisa” se alguém matasse essa galinha.

Lynch, que medita duas vezes por dia por mais de 40 anos, diz que não pensou muito se a série será direcionada aos fãs antigos de “Twin Peaks” ou a um novo público, e que não se preocupa com audiência ou críticas.

“Como eu sempre digo, existe um ditado védico: ‘O homem controla apenas suas ações, nunca os frutos de tais ações”, ele diz.

“Então quando você finaliza algo, você perde o controle e fica por conta do destino”.

Ele fala mais sobre suas ideias, a diferença entre cinema e TV (usando uma metáfora sobre mosquitos), e em um piscar de olhos, 20 minutos se passaram e nós sabemos menos sobre “Twin Peaks” do que sabíamos antes da entrevista começar.

Para finalizar, Lynch coloca que às vezes, quando uma produção leva muito tempo para ser finalizada, ela acaba sendo lançada em um mundo diferente daquele em que começou a ser feita.

“E às vezes isso é, estranho”, ele conclui enigmaticamente.

“Estranho é a melhor palavra para encerrar isso”, sussurra um jornalista enquanto David Lynch, pescador de ideias, dono de galinhas dos ovos de ouro e Jesus descolado, deixa o aposento.

The Washington Times publicou essa semana uma entrevista com Sherilyn Fenn, nossa querida e espevitada Audrey Horne. Aos 51 anos, Sherilyn fala sobre relação com fãs, David Lynch, Twin Peaks e Meditação Transcendental. Confira abaixo a tradução que o Igor Leoni fez do bate-papo:

WT – Qual é a coisa mais comum que os fãs falam ao te conhecer?

SF – Eu tinha uma queda por você. Ou “sabia que você era a minha crush?”.

WT – Qual é a reação dos fãs ao te conhecer ao vivo nessas convenções?

SF – Como participei de vários seriados, fiquei surpresa com a quantidade de lembranças trazidas pelo contato com fãs. Conversar com fãs sempre me deixa embasbacada. Fico muito feliz ao saber que meu trabalho tocou tantas pessoas. Mesmo que seu trabalho toque apenas uma pessoa, já considero um dom maravilhoso. Algumas pessoas chegam com análises profundas. Essas pessoas entendem o que eu estava fazendo, o que eu estava tentando passar. Pra mim, atuar é fingir. E isso sempre iluminou minha luta como ser humano, que é tentar crescer e estar segura o suficiente para ser filmada, enquanto eu tento entender as coisas ao meu redor.

WT – É mais difícil encontrar trabalho como atriz aos 51?

SF – Com certeza. É um meio difícil. Tenho 51 anos, então não existem tantos papéis disponíveis. Mas pra ser sincera, eu sempre fui bastante exigente. Mesmo depois que muitas portas se abriram por causa de “Twin Peaks”, eu não quis seguir caminho por elas. E agora eu me sinto muito mais aberta à vida. Eu tenho dois filhos. Minha vida não é dependente da minha carreira. Estou sempre ansiosa à espera do que a vida vai me trazer.

WT – Fale um pouco sobre seu livro. 

SF – Eu acabei de publicar um livro infantil chamado “No Man’s Land” (Terra de Nenhum Homem, em tradução literal), que é baseado no meu filho. Meu filho mais novo possui transtorno do espectro do autismo, e o livro é uma linda história. A vida é uma coisa muito bonita.

WT – Ao se tornar mãe, sua escolha para papeis mudou?

SF – Me tornar mãe para mim foi algo como “Meu Deus, era isso o que eu estava procurando a minha vida toda”. Me trouxe um sentido de realização. Eu nunca imaginei que poderia amar com tanta intensidade. É muito bom não me preocupar mais comigo mesma. Agora eu só me preocupo com meus filhos. Quanto a escolher papeis, acho que minhas escolhas são sempre baseadas em “se eu fizer esse filme, por quanto tempo ficarei ausente?”. O maior dom que posso passar para meus filhos é que eu seja honesta e verdadeira comigo mesma como artista, e que eu coloque isso pra fora da melhor maneira que minha habilidade permita.

WT – “Twin Peaks” foi um grande sucesso, foi difícil para as pessoas te enxergarem como algo além da “garota de Twin Peaks”? 

SF – Pois é, tenho 51 anos e ainda escuto coisas desse tipo. Eu penso comigo mesma “você nunca me conheceu, nunca conversou comigo, não sabe quem sou eu, aquela era uma personagem”. Eu tinha vinte e poucos anos quando fiz aquilo. É meio bobo. Mas não se engane, ao mesmo tempo é um dom maravilhoso. As pessoas dizem que foi “icônico”. Eu nem sei o que isso significa. Isso está além da minha falta de entendimento de valor como pessoa (risos). Estou sendo totalmente honesta.

WT – Como você conseguiu o papel?

SF – Eu não sei. Ele (David) viu algo em mim. Nós conversamos por 15 minutos e ele escreveu uma personagem para mim. Eu não sei. Ele é maravilhoso.

WT – Sabemos que você está participando da nova temporada de “Twin Peaks”. Pode nos adiantar algo do que podemos esperar? 

SF – Nós nos divertimos muito nas filmagens. David escreveu e dirigiu 18 episódios.

WT – Então a qualidade da nova série está no nível da série original?

SF – É claro, David dirigiu! Ele é uma pessoa tão profunda. A conexão espiritual que ele tem é incrível. Ele fez todos nós praticarmos meditação transcendental no set. Eu acho que a nova temporada será talvez um de seus melhores trabalhos, pelo menos assim espero. A beleza de envelhecer é que nós crescemos, aprendemos. Nós acumulamos conhecimento. E por mais que lugares como Hollywood, que só glorificam juventude, nos digam que isso não é nada, eles estão errados.

WT – Você está começando a praticar meditação transcendental? 

SF – Já faz dois anos que comecei. Um dia fui encontrar David. Estávamos bebendo café e eu estava falando como várias coisas estavam erradas, e ele disse “Sherilyn Fenn, você está toda errada! Você precisa de MT!”. Ele me apresentou um professor maravilhoso. Mudou a minha vida.

WT – Quais são seus próximos planos?

SF – Estou escrevendo minhas memórias. E o que o futuro reserva pra mim eu não sei. Estou entregue, aberta e sempre atenta. Acho que esse é um bom lugar para se estar, o único lugar para se estar.

 

Fonte: The Washington Post 

 

Finalmente o esperado livro Twin Peaks – Arquivos e Memórias parece estar chegando às livrarias brasileiras. Segundo a editora Darkside Books, o lançamento está previsto para este mês (e sim, parece que dessa vez é pra valer).

Nosso colaborador Igor Leoni aproveitou a ocasião e conseguiu uma entrevista com o autor Brad Dukes. No papo, Brad fala sobre seu amor pelo seriado, como surgiu a ideia para escrever o livro e o que ele espera da terceira temporada.

Brad tem 35 anos, mora em Nashville no Texas e acompanhou o seriado na sua primeira exibição em 1990. Em seu site brad d studios escreve sobre cinema, televisão, música e conduz entrevistas (várias delas foram com atores e pessoas ligadas à Twin Peaks). Atualmente tem seu próprio podcast, The Brad Dukes Show, onde conduz entrevistas com personalidades variadas (entre elas David Patrick Kelly, Laura Elena Harring, Pamela Gidley, Duwayne Dunham, Harley Peyton e Mark Frost).

Confiram abaixo o nosso bate-papo e deixem seus comentários.

TP Brasil – Olá Brad. Agradecemos muito que tenha reservado um tempo para responder nossas perguntas. Os fãs brasileiros esperam ansiosamente por ‘Arquivos e Memórias’. Voltando à época em que você assistiu Twin Peaks pela primeira vez, na exibição de 1990, você se lembra como foi seu primeiro contato com a série e o que o fez se tornar um fã?

Brad Dukes – Nunca vou me esquecer de como descobri a série. Eu tinha nove anos quando a primeira temporada estava sendo reprisada, antes da estreia da segunda. Eu fiquei fascinado com os personagens e com o mistério de quem matou Laura Palmer, e também aterrorizado com o BOB. Eu ia para a escola e desenhava todos os personagens no meu caderno, queria continuar explorando o mundo de Twin Peaks de alguma forma. Essa fascinação continua até hoje.

TP Brasil – E o livro “Arquivos e Memórias”, como surgiu a ideia?

Brad Dukes – Eu costumava escrever em meu blog sobre Twin Peaks, sobre locais de filmagem difíceis de encontrar e coisas do tipo. Quando eu comecei a entrevistar membros do elenco e da equipe de produção para o site eu não consegui mais parar! Minha esposa me deu a ideia de escrever um livro, e com o apoio de Mark Frost, várias portas se abriram e eu mergulhei de cabeça. Após três anos de entrevistas e pesquisa, “Arquivos e Memórias” estava pronto.

TP Brasil – Considerando todas as entrevistas que você juntou para o livro, há alguma que seja sua favorita?

Brad Dukes – Ray Wise é um homem extremamente atencioso e perspicaz. Nós conversamos por 90 minutos, e antes de desligar ele disse “espero que tenha lhe dado algo que você possa usar em seu livro”. Eu até hoje me divirto com isso, afinal a entrevista toda foi maravilhosa. Eu também prezo muito minha correspondência com Michael Ontkean através dos anos, afinal ele nunca compartilhou muito sua experiência trabalhando na série, e a perspectiva dele é um tanto única.

Sem título

Capa americana de “Arquivos e Memórias”. À direita Ray Wise com o livro.

TP Brasil – Você se lembra qual foi sua reação com a revelação do assassino? Foi surpresa total? E assistir o assassinato da Maddy no horário nobre em 1990, como foi a experiência?

Brad Dukes – Esse é um momento que estará para sempre marcado na minha memória. A tensão crescente desse episódio é maravilhosa, é como uma bomba relógio. Eu estava escondido embaixo das almofadas do sofá assistindo aterrorizado! Leland foi uma surpresa, mas o sentimento predominante foi de puro terror por causa do BOB. É com certeza a coisa mais perturbadora que já assisti tanto na televisão quanto na tela de um cinema.

TP Brasil – Após a revelação do assassino, a série partiu para um território completamente diferente. Como foi isso pra você na época, você chegou a perder o interesse?

Brad Dukes – Depois da revelação eu fiquei tão apavorado que não assisti Twin Peaks por quase sete anos, mas eu fiquei imaginando o que teria acontecido com todos os personagens. Em retrospectiva, eu gostaria que a caça pelo BOB tivesse se intensificado, mas a série construiu sua própria mitologia. Eles tiraram o foco do elenco principal e não tinham uma história pronta para contar depois do caso Laura Palmer. Eu aprendi a amar alguns dos episódios mais fracos, mas eu entendo como algumas pessoas ficam totalmente perdidas após a morte do Leland.

TP Brasil – E como foi quando a ABC cancelou a série de vez? 

Brad Dukes – Eu estava desligado de Twin Peaks quando a série foi cancelada, então não posso dizer. Pelas minhas entrevistas, posso dizer que o elenco e a equipe de produção estavam bastante frustrados com o declínio da qualidade da série na segunda temporada, então não acho que muitos deles ficaram surpresos quando tudo terminou.

TP Brasil – “Os Últimos Dias de Laura Palmer” foi muito mal recebido pela crítica e pelos fãs de maneira geral. Qual é a sua opinião do filme? Muitos mudaram de opinião com o passar do tempo, isso aconteceu com você?

Brad Dukes – Eu tenho uma mistura de opiniões em relação ao filme, que é o motivo pelo qual meu livro cobre apenas o seriado. Toda a sequência em Deer Meadow é fascinante pra mim, mas tenho sérios problemas com a execução do filme quando a história retorna para Twin Peaks. As atuações de Ray Wise e Sheryl Lee são surpreendentes, mas como um todo, eu sempre tive problemas em me conectar com o filme depois de Deer Meadow. Devo dizer que as cenas deletadas são muito interessantes, e elas me fazem questionar algumas decisões de edição em “Os Últimos Dias…”.

TP Brasil – Agora falando da terceira temporada. O que você espera e quais são seus medos?

Brad Dukes – Estou esperando uma história que seja ótima e jogue todas as expectativas pela janela. David Lynch e Mark Frost não trabalham na televisão há muitos anos, então suspeito que suas sensibilidades evoluíram do que costumavam ser. Eu espero o inesperado. Meu único medo é que Dale Cooper nunca saia do Black Lodge!

TP Brasil – Muitas séries boas apareceram na televisão nos últimos anos: Família Soprano, Mad Men, Breaking Bad, Lost, Game of Thrones. O telespectador comum está mais familiarizado com materiais de qualidade do que estava no início dos anos 90, e com isso acreditamos que os níveis de expectativa cresceram bastante. Você acha que a nova temporada terá muito com o que “competir” em termos de criatividade? 

Brad Dukes – David e Mark conhecem a qualidade de tudo o que a televisão produziu na última década, e não acho que eles ousariam trazer Twin Peaks de volta se não tivessem uma história que merece ser contada. Todas as ótimas séries da última década com certeza serviram como lenha para essa faísca. Há séries excelentes espalhadas por diversos canais e plataformas, mas o Showtime está exibindo algumas das melhores (Ray Donovan, The Affair, Masters of Sex). Eu acho (e espero) que Twin Peaks será novamente o divisor de águas da televisão.

TP Brasil – Você planeja continuar escrevendo no futuro?

Brad Dukes – Estou trabalhando em um livro sobre um seriado do final dos anos 80, e o meu podcast, The Brad Dukes Show, me mantém bastante ocupado. Há ainda uma grande quantidade de material que ficou de fora de “Arquivos e Memórias” que eu gostaria de colocar em algum lugar, talvez em um novo livro só para remendar essas sobras. Existem muitas áreas no universo de Twin Peaks que não foram exploradas propriamente, então estou montando estratégias de como prosseguir com isso.

TP Brasil – Antes de terminarmos, o que os fãs brasileiros que estão aguardando “Arquivos e Memórias” podem esperar de seu livro?

Brad Dukes – Os fãs brasileiros de Twin Peaks podem esperar várias histórias do elenco e da equipe de produção que ainda não conhecem. Eu gosto de pensar em meu livro como uma cápsula do tempo que coloca as duas temporadas em um outro contexto, mostrando aos fãs o que aconteceu nos bastidores, ao mesmo tempo que explorando o processo criativo e os sucessos e falhas do seriado.

 

Este post faz parte do projeto #VisiteTwinPeaks realizado em parceria com diversos sites e canais de fãs com o intuito de apresentar uma das mais importantes séries da televisão para novos espectadores. Para conferir o que os outros participantes do projeto estão fazendo, visite os links abaixo: 

 – Anna Costa – annacstt.com

– Pausa para um Café – pausaparaumcafe.com.br

– Cooltural – coolturalblog.wordpress.com

– Estante Etérea – youtube.com/estanteeterea

– Hoje é Dia – youtube.com/channel/UCnklmydhMvRnLPNWzYWDP3w

– Christian Assunção – youtube.com/c/christianassuncao

– SkullGeek – skullgeek.com.br

– Pulp Fiction com Lucas Dallas – youtube.com/user/LucasDallas1

– Pipoca Musical – youtube.com/user/pipocamusical

– E nós, do Twin Peaks Brasil.

 

Hoje o site de entretenimento Moviefone publicou uma entrevista com o ator Robert Forster, em que o ator foi questionado sobre Twin Peaks e comentou sobre sua experiência trabalhando com David Lynch. Forster já está confirmado no elenco da nova temporada e já trabalhou com Lynch em Cidade dos Sonhos. Há boatos que o ator assumiu o papel de Xerife Truman, que originalmente foi do ator Michael Ontkean. Por razões desconhecidas Ontkean não pôde retornar ao seriado para reprisar o papel.

Sabe-se também que o papel originalmente deveria ter sido de Forster, que na época estava comprometido com outro projeto e teve que recusá-lo.

Separamos abaixo o trecho da entrevista em que o ator foi questionado sobre Twin Peaks.

E você tem mais um personagem de uniforme chegando, um policial, em “Twin Peaks” de David Lynch. O que esse trabalho teve de empolgante, ou talvez de assustador, já que você está ocupando o papel que foi de outro ator?

Bem, primeiramente, eu estou sob a compulsão de não poder comentar esse trabalho. Eu posso agora confirmá-lo já que anunciaram que estou no seriado — juntamente com 216 atores. Que elenco enorme! David Lynch, que grande pessoa ele é. Ele queria ter me contratado para a série original, 25 anos atrás, mas eu estava comprometido com o piloto de uma série que acabou não se realizando. Então não participei da série original, o que com certeza teria mudado minha vida. Se você relembrar a época foi um hit gigantesco, um fenômeno. Mas não participei.

Tempo depois ele me contratou para “Cidade dos Sonhos”, que seria uma série de televisão, mas não deu certo. A série não casou com a programação. Então ele comprou os direitos, filmou mais algumas coisas e transformou-a em um filme maravilhoso. E dessa vez eu recebi uma ligação dos meus agentes e eles disseram que David Lynch iria me ligar. Ele me ligou e cinco minutos depois ele disse “Eu gostaria que você viesse e trabalhasse comigo de novo” e eu respondi, “O que quer que seja David, estou a caminho”.

Então apesar de não poder comentar minha participação, posso te falar que ele é um dos grandes artistas desse meio, e ele faz coisas que… quando ele precisa de algo, todo mundo se esforça e faz acontecer. O que mais? Ele é uma dessas pessoas que, durante a gravação, você escuta dizer “ação”, “corta” e o escuta também remoendo seus pensamentos por alguns minutos, e todos ficam em silêncio esperando o que ele vai dizer. E às vezes ele diz, “vamos gravar de novo” ou então ele diz, “Okay, deu certo. Vamos em frente”. Esse é um cara que reconhece quando filmou uma grande cena e que segue em frente. É uma modalidade artística reconhecer a força de uma cena gravada, ou se a cena irá ou não satisfazer suas necessidades.

Ele é um artista, e não existem muitos. Alexander Payne também. Eles são boas pessoas e bons diretores. E Quentin [Tarantino] também. Nossa, eu trabalhei com ótimos diretores, desde John Huston, Robert Mulligan e muitos outros. O que posso dizer? Trabalhar com David foi uma grande alegria, e espero viver o suficiente para ter a chance de fazê-lo novamente.

Leia o texto original aqui.

Hoje o Seattle Times publicou uma entrevista com Kyle MacLachlan, em que o ator falou sobre sua volta ao mundo de Twin Peaks e ao personagem Dale Cooper. Traduzimos abaixo alguns trechos da reportagem para vocês:

Às vezes um ator conhecido por vivenciar um personagem icônico deve ser persuadido a retornar para o suposto papel, mas não o ator nativo de Yakima Kyle MacLachlan.

Ele não hesitou em colocar de volta o terno escuro para mais uma vez se tornar o agente do FBI Dale Cooper, no revival de “Twin Peaks” do canal Showtime.

MacLachlan manteve-se amigo do co-criador de “Twin Peaks” David Lynch depois que a série da ABC terminou, e sempre que ambos se encontravam, MacLachlan sempre tentava mencionar que experiência divertida a série havia sido. Eventualmente, Lynch contou a MacLachlan que ele e o co-criador Mark Frost andavam discutindo a possibilidade de um retorno.

“Eu, é claro, encorajei a novidade, e em determinado momento ele perguntou se eu estaria interessado em voltar, e eu disse que voltaria em um minuto. Eu amo aquele personagem”, MacLachlan disse. Ele conversou conosco por telefone de Los Angeles na sexta de manhã (29 de janeiro) antes de gravar cenas para “Twin Peaks” naquela mesma tarde.

“David mantém suas cartas bem próximas do peito” ele disse, “e não foi até que eles tivessem algo pronto que nós tivemos uma reunião, e então as coisas se tornaram mais reais. Eles encontraram uma maneira de voltar à história que os deixou bastante animados.”

A produção dos novos episódios de “Twin Peaks” começou no ano passado, com seis semanas de filmagens na região de Washington em setembro. O restante dos episódios está sendo gravado em Los Angeles.

“O mais engraçado é que, grande parte das locações eu nem cheguei a visitar no piloto,” MacLachlan disse, citando lugares que visitou dessa vez e que eram novidade para ele. “A casa de Laura Palmer (foi novidade), a delegacia de polícia (não era). A lanchonete eu não visitei nessa ocasião. Então foi meio a meio. Algumas locações tinham mudado e tiveram que ser reconstruídas, então não foi exatamente um retorno nesse sentido.”

MacLachlan disse que fãs apareceram durante a filmagem na casa Palmer em Everett, mas a equipe de “Twin Peaks” tentou ao máximo manter os segredos da série. (Até agora, MacLachlan é o único membro do elenco oficialmente anunciado, mas rumores indicam que os atores Sheryl Lee, Ray Wise, Grace Zabriskie, Sherilyn Fenn, Richard Beymer, Mädchen Amick, Miguel Ferrer, Harry Goaz, Kimmy Robertson, Dana Ashbrook e James Marshall estarão de volta.)

Não espere nenhum spoiler de MacLachlan de como a nova série irá explicar a última cena da temporada final: Cooper, possuído pelo espírito maligno Bob, batendo a cabeça em um espelho e perguntando lunaticamente “Como está Annie?” – que é o nome da namorada de Cooper, interpretada por Heather Graham.

“É uma pergunta complicada de se responder,” MacLachlan disse, “então eu não vou responder. Acho que as pessoas ficarão felizes com o que estamos fazendo.”

MacLachlan disse que não foi difícil voltar ao personagem  — “aquele terno escuro é um emblema muito poderoso” — e exceto o fato de se sentir “muito mais velho” quando viu a si mesmo como Cooper em um espelho, ele disse que foi como se o tempo não tivesse passado.

Na sexta à tarde ele era necessitado no set de “Twin Peaks”, mas não ofereceu nenhuma pista sobre a cena que estava prestes a filmar.

“A cena envolve um terno escuro” ele falou, rindo. “É tudo o que posso dizer”.

Para ler a reportagem original, clique aqui.