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“Jogo interrompido”

Este é talvez o episódio mais movimentado que tivemos nessa temporada até então. Iniciamos a décima primeira parte com um calmo jogo de crianças que é interrompido pela visão sanguinolenta de Miriam Sullivan, que se arrasta em direção à elas em estado crítico. Ao que parece, Miriam conseguiu sobreviver ao violento ataque que sofreu de Richard no episódio anterior e se arrastou para fora de seu trailer antes que o pior acontecesse (lembrando que Richard deixou uma vela acesa e o gás do fogão vazando para que o trailer explodisse). Pelo visto de nada adiantou que o policial Chad interceptasse a carta enviada por Miriam para a delegacia, sendo que a própria está viva para contar à polícia o que viu no dia do atropelamento.

“Eu não tenho carro!”

tumblr_oto8e3JnUr1qaf8zvo2_1280Seguimos então para o camping de trailers Fat Trout, onde Becky recebe um telefonema sobre o marido Steven que a deixa com os nervos à flor da pele. Ela telefona para Shelly no RR e diz que precisa urgentemente utilizar seu carro. Shelly parte para socorrer a filha, mas ao chegar se depara com uma Becky fora de si, carregando uma arma. Shelly tenta impedir a saída da filha se jogando por cima do capô, mas Becky ignora a mãe e o carro segue seu curso. Desesperada, Shelly pede auxílio a Carl, que lhe dá uma carona e a ajuda a contactar Bobby na delegacia (o que confirma finalmente que Bobby é mesmo o pai de Becky).

Voltando à Becky, a garota entra como um raio em um prédio de apartamentos e esmurra uma das portas, chamando pelo marido. Ao não obter resposta, ela perde as estribeiras e atira diversas vezes contra a porta. O barulho dos tiros ecoa pelos corredores e nos leva até outro andar, onde encontramos Steve escondido ao lado de ninguém menos que… Gersten Hayward!

MV5BNDAzOTAzZWItNzE3Ny00NDkxLWJmNmMtM2QzNTQ2ZmFkMzFiXkEyXkFqcGdeQXVyNTI4MzI4NTQ@._V1_SY1000_CR0,0,1333,1000_AL_Lembram-se da irmã mais nova de Donna, a garota prodígio que tocava piano muitíssimo bem? Pois é, é com essa ruivinha que o marido de Becky aparentemente anda pulando a cerca.

“Não existe reforço para isso”

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Saindo um pouco de Twin Peaks, seguimos para Buckhorn, onde Gordon, Albert, Tammy, Diane e o detetive Macklay levam Bill Hastings até o local onde este diz ter tido seu encontro místico com o Major Briggs. O local parece ser uma casa abandonada e depredada. Gordon, Albert, Bill e Diane notam a presença de alguns Woodsman, os misteriosos “homens de graxa”, que circundam a casa aparecendo e desaparecendo e parecem “guardar” o local. Gordon e Albert adentram a propriedade, enquanto Tammy fica para trás lhes dando cobertura e Macklay permanece no carro vigiando Hastings.

Ao se aproximar da casa, Gordon nota uma espécie de fenda temporal que se abre no céu e parece tentar sugá-lo. Dentro da fenda, ele tem a visão de três Woodsman guardando a escadaria de um local escuro e depredado (o local se assemelha bastante aos corredores pelos quais Laura andou em seu sonho dentro do quadro em FWWM, inclusive possui o mesmo papel de parede florido. vale notar também que essa escada pode levar à sala onde as entidades do Black Lodge se reúnem, lembrem que o local de reunião fica em cima de uma loja de conveniência).

Ao perceber que Gordon está prestes a ser sugado, Albert o puxa para trás e a fenda desaparece (notem também que Albert que estava mais próximo percebeu a manifestação, mas os outros que ficaram para trás não). Ao continuarem a vasculhar o local, eles encontram o resto do corpo de Ruth Davenport jogado no terreno (apenas o corpo, lembrem que a cabeça foi encontrada no primeiro episódio acoplada ao corpo do Major Briggs). Enquanto fotografam o corpo, Diane nota um Woodsman se aproximando do carro onde estão Macklay e Hastings, e alguns segundos depois, a cabeça de Hastings é destroçada (ficando com a mesma aparência que os cadáveres de Sam e Tracey, mortos no primeiro episódio).

“Reunião familiar”

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De volta à Twin Peaks, Bobby e Shelly sentam com Becky no RR e tentam resolver a situação da filha. Becky diz odiar Steven mas ao mesmo tempo não quer deixá-lo, e nega que ele já tenha a agredido fisicamente (o que sabemos ser mentira, pelo o que vimos no último episódio). No meio da conversa, Shelly se ausenta para se encontrar com seu pretendente/namorado do lado de fora da lanchonete, e assim descobrimos que Bobby e Shelly não estão mais juntos. Não só isso, mas o pretendente de Shelly é Red, o traficante que faz truques de mágica (ou possui poderes?) que assustou Richard alguns episódios atrás. Ao que parece, Shelly continua gostando de bad boys.
É então que um tiro vindo do lado de fora faz com que Bobby saque sua arma e saia para investigar o ocorrido. Um garoto dentro de um carro no cruzamento em frente à lanchonete disparou a arma ao pegá-la para brincar. Ao mesmo tempo que tenta acalmar a mãe do garoto e o trânsito parado, Bobby nota que o garoto não só se veste como o pai negligente (ambos estão vestidos de farda), mas possui a mesma atitude de indiferença à toda a situação. A cena ilustra um ciclo de repetição comportamental que é passado de geração a geração, e que é visto também na família do próprio Bobby. Becky repete os mesmos erros que a mãe cometeu na juventude, se casou jovem com um homem abusivo e não sabe como largá-lo, e a própria Shelly continua se ligando a homens encrenqueiros, inclusive parece ter perdido o interesse em Bobby assim que ele se “endireitou”.

Se não bastasse todo o caos, Bobby vai tentar acalmar uma senhora que não pára de buzinar e gritar que precisa sair dali, pois está com uma passageira doente. A passageira, uma garotinha, se levanta do banco como um zumbi enquanto baba uma substância verde. Essa é talvez a passagem mais bizarra desta temporada até então. Terá essa cena algum significado, ou será apenas mais um momento Lynchiano wtf? Ou então será uma homenagem de Lynch aos filmes de zumbi de George Romero? Seria uma homenagem bastante irônica, já que Romero faleceu recentemente.

“Você nunca vai querer saber sobre isso”

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Na delegacia, Frank e Hawk conversam sobre a mensagem deixada dentro do dispositivo pelo Major Briggs. Hawk abre um mapa indígena muito antigo, onde mostra para Frank o local das coordenadas deixadas pelo Major, e também explica o significado de alguns símbolos. O símbolo do fogo pode ser bom ou ruim (dependendo da intenção por trás daquele fogo), o símbolo de um milharal significa vida e fertilidade, mas quando juntado com um fogo negro significa morte. Lembrem que o fogo é um símbolo proeminente entre os habitantes do Black Lodge, e o milho é a substância utilizada por eles como alimento (também chamada de garmonbozia). Frank nota no mapa um símbolo idêntico ao contido na mensagem do Major (o mesmo símbolo que também estava na carta de baralho que Mr. C mostrou à Darya no segundo episódio) e pergunta seu significado a Hawk, que diz “você nunca vai querer saber sobre isso”.

O telefone toca e Margaret transmite outra mensagem a Hawk: “existe fogo no lugar aonde eles estão indo” e seu tronco teme muito aquele fogo.

“Tremendo como vara verde”

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De volta à Bruckhorn, Albert, Gordon, Diane, Tammy e Macklay se reúnem na delegacia para tomar café e discutir os acontecimentos. Gordon nota que sua mão não pára de tremer desde o último acontecimento (lembrando que no final da segunda temporada, Cooper, Pete e uma senhora no RR também tiveram esse tremor na mão que permaneceu inexplicável). Diane omite o fato de ter visto o Woodsman se aproximar do carro para matar Hastings (ela diz tê-lo visto se afastando do carro e não se aproximando), e tenta sutilmente memorizar as coordenadas numéricas escritas no braço do cadáver de Ruth Davenport. Diane já foi pega trocando mensagens de texto com Mr. C. Será ela sua cúmplice por algum motivo?

“O que tem na caixa?”

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Finalmente em Las Vegas, Bushnell Mullins parabeniza Cooper/Dougie por ter (acidentalmente) desvendado as práticas ilícitas que ocorriam dentro da empresa pelas suas costas, e se dá conta que a empresa deve 30 milhões de dólares para os irmãos Mitchum, por conta de uma indenização não paga devido às falcatruas internas recém descobertas. Dougie, agora o “funcionário do mês”, é o enviado para entregar o pagamento aos irmãos pessoalmente. Na saída do prédio para o carro que irá conduzi-lo até o encontro, Cooper tem uma visão de Mike/o Homem Sem Braço na vitrine de uma loja, e obedientemente se dirige para lá, saindo logo em seguida com uma caixa contendo um presente para os irmãos.

Meanwhile, os irmãos Mitchum aguardam ansiosamente a chegada de Cooper/Dougie em um local ermo no deserto, onde pretendem apagar o homem que supostamente está lhes causando tanto prejuízo financeiro. Enquanto esperam, Bradley relata ao irmão o estranho sonho que teve na noite passada com o encontro que estão prestes a fazer, e que nele o machucado que Rodney traz no rosto já havia desaparecido. Ao olharem por baixo do curativo, o machucado não está mais lá (novamente Lynch utiliza elementos de sonho se incorporando à realidade, tema recorrente das temporadas anteriores e do filme). Ao ver Dougie chegando ao local carregando a caixa com o suposto presente, Rodney também se lembra de ter visto aquilo em seu sonho, e que no sonho Dougie na verdade não era um inimigo pois trazia um pagamento milionário para eles. Para comprovar se a situação real se assemelha ao que sonhou, ele decide verificar o conteúdo da caixa para saber se bate com o que viu, e sim, como no sonho, Dougie traz uma torta de cereja na caixa para os irmãos. Não só a torta, mas também o cheque de 30 milhões de dólares de indenização, o que faz os irmãos uivarem de felicidade e mudarem imediatamente de planos. O mais interessante foi saber que Mike de alguma forma conseguiu interferir no sonho de Rodney e plantar elementos que acabariam salvando a vida de Cooper mais tarde.

Não se sabe se a citação foi intencional ou não, mas é impossível ignorar a semelhança de toda essa sequência com a cena final do filme “Seven – Os Sete Crimes Capitais”, que também se passa em um deserto e também traz uma caixa bastante “misteriosa”.

Enfim, ao invés de ser apagado e enterrado, Dougie é levado pelos Mitchum para jantar em um restaurante finíssimo, e lá acontece o reencontro mais fofo dessa temporada. Lembram da velhinha que ganhou uma bolada no cassino ao seguir as indicações de Cooper? Ela aparece no restaurante cheia da grana, acompanhada pelo filho, e abraça e agradece Cooper por ter mudado radicalmente sua vida.

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E enquanto Cooper devora a torta de cereja, a música que o pianista do restaurante começa a tocar chama brevemente sua atenção (muitos fãs especularam que ela lembra Sycamore Trees, canção que ele ouviu logo que entrou no Black Lodge no fim da segunda temporada). Será? Aguardemos pra ver!

Até o próximo recap!

AVISO: CONTÉM SPOILERS

“Você certamente me deu muito para pensar”.

Estas foram as palavras do chefe de Dougie na companhia de seguros, mas também uma descrição bastante adequada para o mergulho desta semana no revival da série de David Lynch. Este foi um episódio de contemplação, tanto para aqueles na tela quanto para o público, cheio de longas e silenciosas tomadas enquanto os personagens encaram sem pestanejar a nova realidade diante deles.

Nós até conhecemos Diane, a secretária quase mística de Dale Cooper e destinatária de todas as fitas gravadas. Mas ainda não sabemos muito mais que isso, pois foi um evento testemunhado inteiramente pelo agente Albert: seu rosto paralisado sobre essa figura misteriosa, assim como nós diante da revelação de ela é interpretada por uma das parceiras favoritas de David Lynch, Laura Dern.

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Também persistiu a abordagem aleatória de Lynch para suas novas narrativas. A maior parte do episódio, de fato, não foi dedicada a Dale Cooper, mas a Richard Horne. O jovem perigoso que anteriormente vimos ameaçando mulheres no Bang Bang Bar. Seria ele o filho de Audrey? Talvez, embora essa que é uma das personagens favoritas dos fãs não tenha sido vista até agora.

Enquanto isso, Richard aparece quase como uma ferramenta para explorar a ideia de oposições. Tal conceito está presente na maior parte da série, especialmente no tom que sempre varia do terror/pesadelo à comédia absurda. Richard representa uma juventude irritada e impotente. Ele atropela uma criança com sua caminhonete e mal parece notar, deixando claro o quanto sua própria raiva o cega.

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Carl Rodd (Harry Dean Stanton), por outro lado, retorna diretamente de Fire Walk With Me com uma absoluta imagem de tranquilidade. Enquanto Richard comete seu crime e foge, Carl senta-se silenciosamente em um banco como se estivesse em comunhão com o mundo ao seu redor.

É Carl quem corre para ajudar a mãe e o seu filho e quem testemunha o que parece ser a alma do menino partir em direção ao céu. O que o levou a esse nível de serenidade, especialmente considerando o quão impetuoso ele foi em Fire Walk With Me? De fato, é importante como a série parece lidar com a forma como os personagens mudaram e amadureceram ao longo de 25 anos.

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Oposição também parece ser uma boa palavra para descrever Dale Cooper. Sua rotina atrapalhada continua em pleno vigor, com a inabalável curiosidade e inclinação para o mimetismo de um bebê que explora o mundo com um cachorro que foi repreendido por coisas que ele não tem consciência de que fez.

E apesar disso, temos que lidar com esses pequenos momentos de tristeza quando nos lembramos abruptamente que Cooper é um homem tentando chegar a um acordo consigo mesmo, especialmente quando as visões do Red Room atravessam sua realidade. Uma visão, por exemplo, de MIKE simplesmente dizendo: “Não morra”.

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Nós também estamos aprendendo um pouco sobre Dougie, que parece ter sua cota justa de inimigos, incluindo aqueles que desejam chantageá-lo com fotografias de sua aventura com Jade. Um problema que a esposa de Dougie, Janey-E, deve lidar já que este episódio coloca em prova o domínio absoluto de Naomi Watts como intérprete.

Ela combina perfeitamente na série de Lynch, assim como em Mulholland Drive, pelo simples fato de se comprometer tão plenamente a entregar as falas mais estranhas com total sinceridade. “Somos sempre os ferrados“, ela grita para os chantagistas. “E não seremos ferrados por vocês”. Ela mal dá a chance deles falarem uma palavra.

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Dito isto, esse episódio talvez possua um dos primeiros exemplos da abordagem distintiva de Lynch que não foi totalmente bem-sucedida, em específico na cena em que um homem comete um violento ataque seguido de assassinato contra uma mulher dentro de um escritório. Sabemos que o próximo alvo do assassino é Dougie.

Com a abordagem tão impressionista da narrativa, a falta de contexto quanto sobre quem é essa mulher versus a natureza explícita de sua morte (Lynch parece estar aproveitando plenamente a indulgência da televisão moderna em relação à violência) cria uma cena brutal e desconfortável, mas não necessariamente no caminho certo.

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Créditos  |

AVISO: CONTÉM SPOILERS

Foram mais de duas décadas de espera para que a promessa de Laura Palmer fosse cumprida – “eu verei você novamente em 25 anos” – e no dia 21 de maio de 2017, Laura finalmente reapareceu e quase timidamente nos pergunta se a reconhecemos. Este foi o primeiro sinal de David Lynch e Mark Frost para nos avisar que de fato, apesar de ser uma terceira temporada da série cult dos anos 90, o tempo mudou Twin Peaks.

A começar pela abertura da série: o pássaro, a serralheria Packard e a famosa entrada da cidade de Twin Peaks se foram. No lugar, um close do retrato de Laura Palmer serve de fundo para o título, seguido por uma sequência familiar de uma cachoeira e fechando com imagens do black lodge. A trilha sonora marcante de Angelo Badalamenti permanece a mesma.

Na primeira cena inédita, temos um diálogo entre o Gigante e Dale Cooper.

“Lembre-se: 430, Richard e Linda. Dois pássaros com uma pedra”.

A atmosfera dessa introdução misteriosa nos diz que nada do que virá a seguir é o que parece ser. O enredo do retorno de Twin Peaks possui muito mais do mistério e enigmas vistos nos filmes de Lynch­, tais como Eraserhead, Lost Highway­­ e Mulholland Drive.­ Os segmentos criados durante o episódio nos dá a sensação de que tudo está conectado e nós estamos entrando cada vez mais a fundo no universo Lynchiano, nos seduzindo de forma perturbadora.

Diferente do piloto exibido nos anos 90 que deu ao telespectador uma linha de raciocínio lógica à ser seguida, – descobrir quem era o assassino de Laura Palmer – dessa vez não sabemos ao certo onde procurar por respostas, pois as perguntas se tornaram mais complexas. Um dos quebra-cabeças nos é introduzido logo no início: a caixa de vidro. O que ela realmente é e para qual fim foi construída? O que era a criatura que matou os jovens Sam e Tracey em Nova York? Mesmo criadas teorias sobre isso, quando se trata de Lynch tudo não passa de meras especulações.

Foi incluído também o uso de novos elementos gráficos, como o ser do black lodge que se identifica como “o braço”, evolução do membro de MIKE – o braço faz o papel de um intermediário e diz a Cooper que seu doppelganger deve retornar antes que ele possa sair. Não só para a criação de novos seres, a tecnologia auxiliou na composição brutal dos assassinatos que ocorreram durante as primeiras partes da nova temporada, algo visualmente incomum e que não agradou à todos. Entretanto, há quem diga que a falta de veracidade dessas cenas fazem sentido dentro da temática surrealista que está ainda mais evidente nesta nova etapa da série.

Nos deparamos com cenas sutis e nostálgicas ao ver os irmãos Horne no Great Northern Hotel em contraste com momentos mais misteriosos como a ligação entre Margaret/The Log Lady e o subdelegado Hawk, momentos antes do mesmo encontrar a entrada para o black lodge.

“As estrelas se voltam e o tempo se apresenta.”

Tudo parece novo, mas estamos redescobrindo até mesmo quem são as personagens que já conhecemos. Retornar para um lugar que passou por mudanças ao longo de 25 anos faz com que o telespectador pense “parece que já estive aqui, mas não tenho certeza”. O trabalho de David Lynch como diretor é marcante, dando a certeza de que aquilo que estamos vendo na tela é fruto de sua mente.

Nos resta então, continuar acompanhando os mistérios que agora não rodeiam somente Twin Peaks. Neste retorno mais do que nunca as corujas não são o que parecem ser.