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Tag: ‘twin peaks 2017’

O SÉTIMO CÉU DE SONNY JIM

Próximo a reta final da temporada e quando finalmente abandonamos a ansiedade de uma reviravolta no horizonte – aceitando que, talvez, o nosso Agente Cooper não volte nem tão cedo – que conseguimos ter uma visão ampla do quadro bizarro de Dougie Jones. O estranho universo do Dale Semi-Vegetal abre o episódio com uma trilha inesperada – tão quanto a da apresentação do Ike, the Spike -, a euforia inacreditável dos irmãos Mitchum, e mais personagens alheios às poucas palavras de Dougie. 

source (1)“Isn’t it too dreamy?”

Em meio a um ambiente tão próprio do Retorno, toda a situação de Anthony Sinclair (Tom Sizemore), acaba por se relacionar muito a um personagem, de curta aparição da segunda temporada: Ernie Niles. Sejam covardes ou com um enorme senso de autopreservação, os dois compartilham um modelo cômico clássico, surpreendentemente reutilizado na série. Assim como o provavelmente ex-padrasto de Norma serviu aos agentes do FBI na emboscada – e consequente morte – de Jean Renault (Michael Parks, falecido em Maio deste ano), Anthony é a chave para o flagrante de Duncan Todd e sua rede de policiais corruptos, consequentemente revelando o envolvimento do empresário com o Mr. C.

O INFERNO DE RAY

Mencionando o diabo, depois de exatamente três episódios ausente, ele reaparece, para a infelicidade de Ray, no centro de uma organização criminosa obscura. Todo o sistema dali dentro, aliado a perspectiva da apresentação de um novo ambiente, causam um súbito estranhamento. Descobrimos que, na verdade, o Monroe é subordinado a Ranzo (Derek Mears), o chefe da Fazenda – quase Clube da Luta da queda de braço -, e que, através de um desafio, sua vida seria completamente entregue ao Mr. C.

Reparando bem, não é que o Richard tem uma leve semelhança com o Ray? Estou teorizando demais? Ou são só as bochechas mesmo?

Após uma sequência quase hipnótica da disputa entre os dois, o Bad Cooper provou mais uma vez suas habilidades sobrenaturais, ganhado – e destruindo a cabeça do infeliz – ao final. Antes de morrer, Ray é interrogado, revelando informações importantes para o continuar da série: aparentemente, a tentativa de homicídio contra o Mr. C, na oitava parte, não se realizou pela falta de um item crucial.

“Com este anel, caso-te” – O Braço, Twin Peaks: Fire Walk With Me

Twin Peaks: The Missing Peaces

O Anel com a insígnia dos Lodges – elemento cuja primeira aparição se realizou em Fire Walk With Me –, serve aqui, aparentemente, como uma forma de transporte para o Black Lodge, no pós-morte. Uma das várias interpretações para o seu uso, é que ele simbolizava uma submissão/entrega da alma do indivíduo às criaturas do Lodge, firmando um “compromisso”. A última vez que foi visto – antes de ser pego, de alguma forma, por Phillip e em seguida, por Ray -, ele estava sendo usado pela réplica “manufaturada” de Dale Cooper, o Dougie Jones original, antes dele desaparecer e o objeto ser, novamente, guardado no altar. Antes do Retorno, vemos ele ser assaltado, por uma enfermeira, dos pertences de Annie Blackburn, quando esta estava em desacordada no hospital de Twin Peaks, numa das cenas deletadas do filme. Anteriormente, tanto Laura Palmer quando Teresa Banks utilizaram o anel, durante ou em períodos antes da sua morte, respectivamente. Há descrições, na História Secreta de Twin Peaks, do objeto e o fascínio causado por ele, que marcam desde o século XIX.

“QUE HISTÓRIA É ESSA, CHARLIE?!”

Ao passo em que nos aproximamos do fim do revival, cada vez mais pessoas se esforçam para teorizar e encontrar indícios de uma reviravolta ou de uma subversão da realidade, como de praxe numa obra do Lynch. Para esses, o episódio desta semana pode servir como um prato cheio, com tanto o discurso de Audrey, quanto mais um indício de uma provável falta de linearidade no tempo surgiram. Bobby, ao se juntar à mesa, com Norma e Ed, menciona ter encontrado algumas coisas envolvendo do seu pai. A última vez em que vimos uma descoberta do tipo, foi há 4 partes atrás e, desde então, tivemos a indicação de que, no mínimo, se passaram dois dias. Assim, ou a visita de Briggs, Hawk e Truman ao Palácio do Jack Rabbit nos foi omitida, ou então…

Eu sinto como se estivesse em outro lugar… e fosse outra pessoaNão tenho certeza de quem sou, mas eu não sou eu”. Esse é, realmente, o bê-a-bá do existencialismo e, à primeira vista, podemos supor que seja simplesmente uma crise causada pela idade, pelo o desaparecimento do Billy, ou então, algum reflexo de um trauma, causado pelo provável longo período em coma. Mas, pelo histórico do diretor – em Lost Highway, o protagonista simplesmente se transforma em outra pessoa; a trama de Mulholland Dr. e  de outras produções com situações semelhantes -, o pouco que sabemos sobre Audrey nesses 25 anos em que esteve ausente, pode tomar rumos inesperados.

Pelo menos, aparentemente, o Billy ainda não morreu – seja lá quem for ele.

CLIENTES FAMINTOS

O encontro entre Norma e Walter Lawford (Grant Goodeve), seu infelizmente novo interesse amoroso, proveu um dos paralelos mais explícitos da temporada. É obvia a falsa pretensão do empresário com o seu interesse na “essência” do Double R, e a comparação com a própria trajetória dos criadores da série na indústria, seja televisa ou cinematográfica, é tão evidente quanto. Tanto Mark Frost, quanto Lynch tiveram a qualidade de suas obras – no caso de Norma, tortas – notoriamente comprometidas pela interferência de executivos na produção – a  exemplo de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2006), co-escrito por Frost e Dune (1984), dirigido por Lynch, ambas produções relativamente infames e de grandes produtoras. Só nos resta esperar que ela mantenha o bom senso e não torne o medo dos outros o dela. 

No meio disso tudo, o melhor encontro entre criador e fã que você respeita.

Por fim, o episódio termina com um imenso contraste, entre o Retorno e a série original – mais especificamente, o seu lado mais novelesco. Cai o peso, aqui, da realidade na senilidade, da desilusão do romantismo na juventude e a sua não sustentação. Seja com Audrey e Cooper – ou Jack Wheeler (Billy Zane, coincidentemente o primeiro nome do atual amante dela), com quem ela se envolveu no fim da segunda temporada -, James e Donna a sumida e, principalmente, Norma e Big Ed, nenhum durou durante esses vinte e cinco anos. Nem mesmo o núcleo mais jovem consegue passar pela falta de filtro: Ao contrário do modo como era retratado a relação de seus pais, assistimos Becky sofrer pela ausência de Steven, sem o sútil tom que fazia o engajamento de Shelly e Bobby valer a pena – ainda hoje, como efeito disso, não conseguimos não torcer pelos dois.

sourcePara sempre, tocando repetidamente na sua cabeça. 

 

The Washington Times publicou essa semana uma entrevista com Sherilyn Fenn, nossa querida e espevitada Audrey Horne. Aos 51 anos, Sherilyn fala sobre relação com fãs, David Lynch, Twin Peaks e Meditação Transcendental. Confira abaixo a tradução que o Igor Leoni fez do bate-papo:

WT – Qual é a coisa mais comum que os fãs falam ao te conhecer?

SF – Eu tinha uma queda por você. Ou “sabia que você era a minha crush?”.

WT – Qual é a reação dos fãs ao te conhecer ao vivo nessas convenções?

SF – Como participei de vários seriados, fiquei surpresa com a quantidade de lembranças trazidas pelo contato com fãs. Conversar com fãs sempre me deixa embasbacada. Fico muito feliz ao saber que meu trabalho tocou tantas pessoas. Mesmo que seu trabalho toque apenas uma pessoa, já considero um dom maravilhoso. Algumas pessoas chegam com análises profundas. Essas pessoas entendem o que eu estava fazendo, o que eu estava tentando passar. Pra mim, atuar é fingir. E isso sempre iluminou minha luta como ser humano, que é tentar crescer e estar segura o suficiente para ser filmada, enquanto eu tento entender as coisas ao meu redor.

WT – É mais difícil encontrar trabalho como atriz aos 51?

SF – Com certeza. É um meio difícil. Tenho 51 anos, então não existem tantos papéis disponíveis. Mas pra ser sincera, eu sempre fui bastante exigente. Mesmo depois que muitas portas se abriram por causa de “Twin Peaks”, eu não quis seguir caminho por elas. E agora eu me sinto muito mais aberta à vida. Eu tenho dois filhos. Minha vida não é dependente da minha carreira. Estou sempre ansiosa à espera do que a vida vai me trazer.

WT – Fale um pouco sobre seu livro. 

SF – Eu acabei de publicar um livro infantil chamado “No Man’s Land” (Terra de Nenhum Homem, em tradução literal), que é baseado no meu filho. Meu filho mais novo possui transtorno do espectro do autismo, e o livro é uma linda história. A vida é uma coisa muito bonita.

WT – Ao se tornar mãe, sua escolha para papeis mudou?

SF – Me tornar mãe para mim foi algo como “Meu Deus, era isso o que eu estava procurando a minha vida toda”. Me trouxe um sentido de realização. Eu nunca imaginei que poderia amar com tanta intensidade. É muito bom não me preocupar mais comigo mesma. Agora eu só me preocupo com meus filhos. Quanto a escolher papeis, acho que minhas escolhas são sempre baseadas em “se eu fizer esse filme, por quanto tempo ficarei ausente?”. O maior dom que posso passar para meus filhos é que eu seja honesta e verdadeira comigo mesma como artista, e que eu coloque isso pra fora da melhor maneira que minha habilidade permita.

WT – “Twin Peaks” foi um grande sucesso, foi difícil para as pessoas te enxergarem como algo além da “garota de Twin Peaks”? 

SF – Pois é, tenho 51 anos e ainda escuto coisas desse tipo. Eu penso comigo mesma “você nunca me conheceu, nunca conversou comigo, não sabe quem sou eu, aquela era uma personagem”. Eu tinha vinte e poucos anos quando fiz aquilo. É meio bobo. Mas não se engane, ao mesmo tempo é um dom maravilhoso. As pessoas dizem que foi “icônico”. Eu nem sei o que isso significa. Isso está além da minha falta de entendimento de valor como pessoa (risos). Estou sendo totalmente honesta.

WT – Como você conseguiu o papel?

SF – Eu não sei. Ele (David) viu algo em mim. Nós conversamos por 15 minutos e ele escreveu uma personagem para mim. Eu não sei. Ele é maravilhoso.

WT – Sabemos que você está participando da nova temporada de “Twin Peaks”. Pode nos adiantar algo do que podemos esperar? 

SF – Nós nos divertimos muito nas filmagens. David escreveu e dirigiu 18 episódios.

WT – Então a qualidade da nova série está no nível da série original?

SF – É claro, David dirigiu! Ele é uma pessoa tão profunda. A conexão espiritual que ele tem é incrível. Ele fez todos nós praticarmos meditação transcendental no set. Eu acho que a nova temporada será talvez um de seus melhores trabalhos, pelo menos assim espero. A beleza de envelhecer é que nós crescemos, aprendemos. Nós acumulamos conhecimento. E por mais que lugares como Hollywood, que só glorificam juventude, nos digam que isso não é nada, eles estão errados.

WT – Você está começando a praticar meditação transcendental? 

SF – Já faz dois anos que comecei. Um dia fui encontrar David. Estávamos bebendo café e eu estava falando como várias coisas estavam erradas, e ele disse “Sherilyn Fenn, você está toda errada! Você precisa de MT!”. Ele me apresentou um professor maravilhoso. Mudou a minha vida.

WT – Quais são seus próximos planos?

SF – Estou escrevendo minhas memórias. E o que o futuro reserva pra mim eu não sei. Estou entregue, aberta e sempre atenta. Acho que esse é um bom lugar para se estar, o único lugar para se estar.

 

Fonte: The Washington Post 

 

Contratada para ser a figurinista da nova temporada, Nancy Steiner já tem um currículo impressionante. Ela foi responsável pelo figurino de diversos filmes cultuados, como As Virgens Suicidas, Encontros e Desencontros, Pequena Miss Sunshine, e é também autora do famoso suéter verde que Kurt Cobain adotou como marca registrada por muito tempo.

Agora Steiner assumiu o trabalho que foi de Patricia Norris (figurinista do piloto da série e do filme Os Últimos Dias de Laura Palmer) e de Sara Markowitz (figurinista dos demais episódios). Em entrevista ao Fashion Unfiltered, Steiner conta como foi trabalhar com Lynch e criar o figurino de 238 personagens para a nova temporada (!)
 sem-titulo  Desenho do figurino de ‘As Virgens Suicidas’, à direita as meninas do elenco já vestidas.

Eu fiquei muito lisonjeada ao entrar para o time de David. Eu considero David Lynch um verdadeiro artista. Ele não é só um diretor, ele é pintor, músico, desenhista. Ele enxerga o mundo de uma maneira artística, e não é sempre que você tem o privilégio de trabalhar com alguém que seja um artista em tantas áreas. E ele tem o seu próprio estilo. Vou te falar: eu nunca conseguia entrar completamente na cabeça dele. O gosto dele é extremamente único. Eu tentava, tentava, às vezes eu acertava na mosca e às vezes não e nós voltávamos para o começo. Nós criamos personagens magníficos.  

untitled-1Steiner ao lado de Sofia Coppola e Bill Murray no set de ‘Encontros e Desencontros’.

Enquanto trabalhava na série, eu ficava pensando que queria fazer algo realmente bom, não só para David mas também para os fãs. Foi quando eu comecei que percebi o quanto o projeto era grandioso. Eu entrei na internet e pensei ‘Meu Deus, o culto é gigantesco’. Então eu falei para mim mesma ‘Ok, estou entrando em um mundo muito maior do que qualquer outra coisa que eu já tenha feito antes’. Eu estava ciente disso o tempo todo. 

sem-tituloCena do filme ‘Pequena Miss Sunshine’, à direita Kurt Cobain e o suéter verde que virou sua marca registrada. 

Nós estamos literalmente 25 anos depois da série original ter terminado“, Steiner contou ao Fashion Unfiltered. “Então, será que a época contemporânea afetou a moda dos moradores da cidade, ou ainda veremos sapatilhas de couro e suéteres de lã?

Essa série se passa 25 anos depois, então levamos isso em consideração. Mas o estilo de David Lynch se concentra mais entre os anos 30 até os 50, então é de onde tiramos a vibe. Ele ama aquelas silhuetas, e as roupas da época também. Ei incorporei isso nos personagens, dependendo da personalidade de cada um. Há 238 personagens com falas na nova temporada de Twin Peaks. Eu pensei em cada personagem e em cada vibe. Quando trabalho com uma história contemporânea, não significa que o vestuário será necessariamente contemporâneo. Como bem sabemos, muitas pessoas gostam de vintage. 

Fonte: Fashion Unfiltered (texto e fotos)

 

Finalmente o esperado livro Twin Peaks – Arquivos e Memórias parece estar chegando às livrarias brasileiras. Segundo a editora Darkside Books, o lançamento está previsto para este mês (e sim, parece que dessa vez é pra valer).

Nosso colaborador Igor Leoni aproveitou a ocasião e conseguiu uma entrevista com o autor Brad Dukes. No papo, Brad fala sobre seu amor pelo seriado, como surgiu a ideia para escrever o livro e o que ele espera da terceira temporada.

Brad tem 35 anos, mora em Nashville no Texas e acompanhou o seriado na sua primeira exibição em 1990. Em seu site brad d studios escreve sobre cinema, televisão, música e conduz entrevistas (várias delas foram com atores e pessoas ligadas à Twin Peaks). Atualmente tem seu próprio podcast, The Brad Dukes Show, onde conduz entrevistas com personalidades variadas (entre elas David Patrick Kelly, Laura Elena Harring, Pamela Gidley, Duwayne Dunham, Harley Peyton e Mark Frost).

Confiram abaixo o nosso bate-papo e deixem seus comentários.

TP Brasil – Olá Brad. Agradecemos muito que tenha reservado um tempo para responder nossas perguntas. Os fãs brasileiros esperam ansiosamente por ‘Arquivos e Memórias’. Voltando à época em que você assistiu Twin Peaks pela primeira vez, na exibição de 1990, você se lembra como foi seu primeiro contato com a série e o que o fez se tornar um fã?

Brad Dukes – Nunca vou me esquecer de como descobri a série. Eu tinha nove anos quando a primeira temporada estava sendo reprisada, antes da estreia da segunda. Eu fiquei fascinado com os personagens e com o mistério de quem matou Laura Palmer, e também aterrorizado com o BOB. Eu ia para a escola e desenhava todos os personagens no meu caderno, queria continuar explorando o mundo de Twin Peaks de alguma forma. Essa fascinação continua até hoje.

TP Brasil – E o livro “Arquivos e Memórias”, como surgiu a ideia?

Brad Dukes – Eu costumava escrever em meu blog sobre Twin Peaks, sobre locais de filmagem difíceis de encontrar e coisas do tipo. Quando eu comecei a entrevistar membros do elenco e da equipe de produção para o site eu não consegui mais parar! Minha esposa me deu a ideia de escrever um livro, e com o apoio de Mark Frost, várias portas se abriram e eu mergulhei de cabeça. Após três anos de entrevistas e pesquisa, “Arquivos e Memórias” estava pronto.

TP Brasil – Considerando todas as entrevistas que você juntou para o livro, há alguma que seja sua favorita?

Brad Dukes – Ray Wise é um homem extremamente atencioso e perspicaz. Nós conversamos por 90 minutos, e antes de desligar ele disse “espero que tenha lhe dado algo que você possa usar em seu livro”. Eu até hoje me divirto com isso, afinal a entrevista toda foi maravilhosa. Eu também prezo muito minha correspondência com Michael Ontkean através dos anos, afinal ele nunca compartilhou muito sua experiência trabalhando na série, e a perspectiva dele é um tanto única.

Sem título

Capa americana de “Arquivos e Memórias”. À direita Ray Wise com o livro.

TP Brasil – Você se lembra qual foi sua reação com a revelação do assassino? Foi surpresa total? E assistir o assassinato da Maddy no horário nobre em 1990, como foi a experiência?

Brad Dukes – Esse é um momento que estará para sempre marcado na minha memória. A tensão crescente desse episódio é maravilhosa, é como uma bomba relógio. Eu estava escondido embaixo das almofadas do sofá assistindo aterrorizado! Leland foi uma surpresa, mas o sentimento predominante foi de puro terror por causa do BOB. É com certeza a coisa mais perturbadora que já assisti tanto na televisão quanto na tela de um cinema.

TP Brasil – Após a revelação do assassino, a série partiu para um território completamente diferente. Como foi isso pra você na época, você chegou a perder o interesse?

Brad Dukes – Depois da revelação eu fiquei tão apavorado que não assisti Twin Peaks por quase sete anos, mas eu fiquei imaginando o que teria acontecido com todos os personagens. Em retrospectiva, eu gostaria que a caça pelo BOB tivesse se intensificado, mas a série construiu sua própria mitologia. Eles tiraram o foco do elenco principal e não tinham uma história pronta para contar depois do caso Laura Palmer. Eu aprendi a amar alguns dos episódios mais fracos, mas eu entendo como algumas pessoas ficam totalmente perdidas após a morte do Leland.

TP Brasil – E como foi quando a ABC cancelou a série de vez? 

Brad Dukes – Eu estava desligado de Twin Peaks quando a série foi cancelada, então não posso dizer. Pelas minhas entrevistas, posso dizer que o elenco e a equipe de produção estavam bastante frustrados com o declínio da qualidade da série na segunda temporada, então não acho que muitos deles ficaram surpresos quando tudo terminou.

TP Brasil – “Os Últimos Dias de Laura Palmer” foi muito mal recebido pela crítica e pelos fãs de maneira geral. Qual é a sua opinião do filme? Muitos mudaram de opinião com o passar do tempo, isso aconteceu com você?

Brad Dukes – Eu tenho uma mistura de opiniões em relação ao filme, que é o motivo pelo qual meu livro cobre apenas o seriado. Toda a sequência em Deer Meadow é fascinante pra mim, mas tenho sérios problemas com a execução do filme quando a história retorna para Twin Peaks. As atuações de Ray Wise e Sheryl Lee são surpreendentes, mas como um todo, eu sempre tive problemas em me conectar com o filme depois de Deer Meadow. Devo dizer que as cenas deletadas são muito interessantes, e elas me fazem questionar algumas decisões de edição em “Os Últimos Dias…”.

TP Brasil – Agora falando da terceira temporada. O que você espera e quais são seus medos?

Brad Dukes – Estou esperando uma história que seja ótima e jogue todas as expectativas pela janela. David Lynch e Mark Frost não trabalham na televisão há muitos anos, então suspeito que suas sensibilidades evoluíram do que costumavam ser. Eu espero o inesperado. Meu único medo é que Dale Cooper nunca saia do Black Lodge!

TP Brasil – Muitas séries boas apareceram na televisão nos últimos anos: Família Soprano, Mad Men, Breaking Bad, Lost, Game of Thrones. O telespectador comum está mais familiarizado com materiais de qualidade do que estava no início dos anos 90, e com isso acreditamos que os níveis de expectativa cresceram bastante. Você acha que a nova temporada terá muito com o que “competir” em termos de criatividade? 

Brad Dukes – David e Mark conhecem a qualidade de tudo o que a televisão produziu na última década, e não acho que eles ousariam trazer Twin Peaks de volta se não tivessem uma história que merece ser contada. Todas as ótimas séries da última década com certeza serviram como lenha para essa faísca. Há séries excelentes espalhadas por diversos canais e plataformas, mas o Showtime está exibindo algumas das melhores (Ray Donovan, The Affair, Masters of Sex). Eu acho (e espero) que Twin Peaks será novamente o divisor de águas da televisão.

TP Brasil – Você planeja continuar escrevendo no futuro?

Brad Dukes – Estou trabalhando em um livro sobre um seriado do final dos anos 80, e o meu podcast, The Brad Dukes Show, me mantém bastante ocupado. Há ainda uma grande quantidade de material que ficou de fora de “Arquivos e Memórias” que eu gostaria de colocar em algum lugar, talvez em um novo livro só para remendar essas sobras. Existem muitas áreas no universo de Twin Peaks que não foram exploradas propriamente, então estou montando estratégias de como prosseguir com isso.

TP Brasil – Antes de terminarmos, o que os fãs brasileiros que estão aguardando “Arquivos e Memórias” podem esperar de seu livro?

Brad Dukes – Os fãs brasileiros de Twin Peaks podem esperar várias histórias do elenco e da equipe de produção que ainda não conhecem. Eu gosto de pensar em meu livro como uma cápsula do tempo que coloca as duas temporadas em um outro contexto, mostrando aos fãs o que aconteceu nos bastidores, ao mesmo tempo que explorando o processo criativo e os sucessos e falhas do seriado.

 

Este post faz parte do projeto #VisiteTwinPeaks realizado em parceria com diversos sites e canais de fãs com o intuito de apresentar uma das mais importantes séries da televisão para novos espectadores. Para conferir o que os outros participantes do projeto estão fazendo, visite os links abaixo: 

 – Anna Costa – annacstt.com

– Pausa para um Café – pausaparaumcafe.com.br

– Cooltural – coolturalblog.wordpress.com

– Estante Etérea – youtube.com/estanteeterea

– Hoje é Dia – youtube.com/channel/UCnklmydhMvRnLPNWzYWDP3w

– Christian Assunção – youtube.com/c/christianassuncao

– SkullGeek – skullgeek.com.br

– Pulp Fiction com Lucas Dallas – youtube.com/user/LucasDallas1

– Pipoca Musical – youtube.com/user/pipocamusical

– E nós, do Twin Peaks Brasil.

 

A editora francesa Michel Lafon, que estará publicando “The Secret History of Twin Peaks” na França, publicou em seu site um pequeno sumário que revela parte do plot do esperado livro, que irá servir como ponte para a nova temporada.

O texto foi traduzido do francês para o inglês por sites de notícia americanos, e agora traduzimos para o português para vocês:

Vinte e cinco anos após a investigação do assassinato de Laura Palmer, o FBI recebe uma caixa sem remetente. A caixa contém um grande dossiê…

Uma agente do FBI é incumbida de analisar todos os documentos e tudo relacionado à estranha cidade de Twin Peaks, e ainda determinar a identidade da pessoa que juntou todo o dossiê. Durante o trabalho, ela descobre segredos da vida dos moradores da cidade, e também documentos da investigação de Dale Cooper, que está desaparecido desde aquela época, recortes de jornal, um laudo de autópsia, e outras informações confidenciais.

O que aconteceu desde o assassinato da jovem garota (Laura Palmer)? E por que um “arquivista” anônimo juntou um dossiê tão completo sobre a cidade e suas origens?

Quem será o arquivista anônimo que enviou toda essa informação para o FBI? E a agente encarregada de investigar tudo? Será a Diane?

Relembrando, The Secret History of Twin Peaks será lançado nos Estados Unidos em outubro, e aqui no Brasil pela Companhia das Letras no início de 2017.