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Tag: ‘twin peaks’

Contém spoilers.

O novo episódio (Arquivos de Casos) liberado neste último domingo levantou novas perguntas, nos apresentou novos personagens e alguns dos antigos personagens que estávamos ansiosos para rever.

ARGENTINA – PHILIP JEFFRIES

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Revemos os assassinos (Gene e Jake), que tentaram matar Dougie/”bom” Cooper, conversando com Lorraine pelo celular. O que sabemos é que Lorraine aparentemente tinha um contrato para matar Dougie (que não existe mais). A mensagem está destinada para “ARGENT ” e o dispositivo começa a piscar. ARGENT é definitivamente uma abreviatura para Argentina, onde Buenos Aires está localizada. É digitado o número 2, sobrando 159 caracteres. Ela parece ter medo de enviar essa mensagem. Talvez essa mensagem tenha a ver com Dougie (que não existe mais) não ter sido morto ainda. Não se sabe o que significa, mas a luz da caixa pisca duas vezes. Acredito que um piscar seja para sim e dois para não. Logo depois o dispositivo se transforma em algo minúsculo, talvez uma pedra. O que podemos entender é que, Philip Jeffries queria matar o Dougie pra evitar a troca. Lembrando que, Jeffries disse para o “bad” Cooper no telefone (o aparelho do FBI) que ia poder estar com o BOB de novo, quando voltasse pro Black Lodge. Por isso, tentou matar Dougie pra evitar que ele fosse pro Lodge no lugar do “bad” Cooper.

BOB/COOPER

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Parece que BOB finalmente revelou sua face por trás da máscara. Podemos ver, em uma típica cena de espelho, a imagem de Cooper se assemelhar com a de BOB (o saudoso Frank Silva). A cena intrigante foi a da ligação, onde ele menciona um tal de “Sr Strawberry“, talvez alguém do conhecimento do diretor Murphy, pois o mesmo ficou assustado. De qualquer maneira, “Sr. Strawberry“não estava recebendo ligações. Logo depois disso, ele disca números, que parece de forma incoerente, mas disparam o alarme da prisão e depois diz “The cow jumped over the moon“.

Uma interpreção seria que: Sr. StrawBERRY (homem que o bad Cooper/BOB menciona), Black-BERRY (celular que a mulher utiliza para ligar para Argentina) e Glaston-BERRY (Glastonbury), que conhecemos da série. Argent ( ARGENT-ina), também significa “prateado / branco” e também está ligado à lua. Alguns ligaram a rima a Hathor (vaca) / Isis (lua) – sabedoria egípcia. Havia um obelisco (Osirian) mostrado na cena de Buenos Aires. O sicômoro (o bosque) era sagrado para Isis / Hathor. O “bad” Cooper/BOB causou ocorrências estranhas quando foi conectado à comunicações / telefone. Isso é semelhante ao que aconteceu quando Jeffries foi transportado de Filadélfia para Buenos Aires em FWWM.

MAJOR BRIGGS

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O anel de casamento de Dougie é encontrado no corpo misterioso, revelado agora ser de Major Garland Briggs, que estava junto no corpo da bibliotecária.

As impressões digitais de Briggs “apareceram” significando que elas foram diretamente conectadas a investigação de um jeito ou de outro. Elas não apareceriam sem motivos. Na História Secreta de Twin Peaks, sabemos que Briggs chega a conclusão de que Cooper deve ser seu novo protegido no Projeto Blue Book, mas descobre que há algo de errado com ele após seu tempo no Lodge e implementa o protocolo MAYDAY. Provavelmente Major deve ter fingido sua morte durante esses 25 anos e saído do radar para investigar a situação do Cooper pois sabe que ele é de vital importância. Briggs devia estar ciente dos planos do “bad” Cooper para Dougie, e é por isso que seu anel está no seu estômago. E ele sabia que a marca de 25 anos estava chegando e que Dougie era fabricado pelo “bad” Cooper, e ao engolir o anel, Briggs estava ciente de que seu tempo acabou e segundo, ele sabia que suas impressões digitais chegariam a superiores e que alguém localizaria e questionaria Dougie Jones, levando-os à Cooper. No Pentágono, a Tenente Cynthia Knox, informa ao Coronel Davis que as digitais de Major apareceram 16 vezes em 25 anos, em Buckhorn, Dakota do Sul. O Coronel duvida de quão legitimo isso possa ser, mas diz que se for o Major que tenha sido identificado, o FBI deve ser informado.

 

DR. JACOBY

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O que vimos anteriormente do Dr. Jacoby, era ele apenas com as suas pás, algo de longe bastante misterioso. Nesse episódio vimos algo bastante caricato, com um webcast (Dr. Amp) algo bem estilo de Twin Peaks, podemos ver também Nadine Hurley que assistia a transmissão, que o olhava como uma mãe orgulhosa, e Jerry Horne, na floresta, com seu Ipad, fumando.

Na História Secreta de Twin Peaks, trata extensivamente sobre Lodges, Maçonaria e Illuminati. Dentro da linguagem visual maçonica, as pás estão associadas a um conjunto maior de motivos que se correlacionam com sepulturas e enterros. Esses símbolos de sepultura/sepultamento são lembranças da verdade insuperável e inevitável da mortalidade, de que a morte é uma parte vital da vida. A pá, especificamente, sendo a ferramenta de enterro – usado para cavar a sepultura, etc.  O ouro tem sido conhecido por representar justiça, verdade, prestígio, luxo, transcendência, epifania, bondade etc., mas também entendemos que o ouro tem outra conexão simbólica histórica (uma que se refere especificamente à história americana, assunto que é muito importante para Frost): a Era Dourada da América, dourado significa algo que é ouro, mas apenas como um verniz, ou seja, não é ouro verdadeiro. Por exemplo: uma pá pintada de ouro invés de uma pá de ouro sólido. Especialmente a história de que Era Dourada foi um tempo em que tudo na América parecia dourado, mas realmente tinha problemas debaixo da superfície.

“BOM” COOPER

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Janey-E leva o “bom” Cooper para o trabalho, e se depara com ele em lágrimas, onde ele está olhando para o filho Sonny Jim, que está estranhamente dentro do carro, aparentemente chorando. Alguns alegaram que ele piscou de forma invertida, como os habitantes do Lodge. Há quem diga que Sonny Jim esteja sendo habitado pelo Gigante, uma forma de orientar o “bom” Cooper. Cooper ainda está no mesmo estado como vimos nos episódios anteriores, talvez neste último episódio algumas mudanças podem tem sido notadas. Na reunião de trabalho, foi notado uma estranha luz verde no rosto de um dos personagens enquanto ele mentia, e Cooper “sentiu” e foi capaz de dizer por si mesmo que o colega de trabalho estava mentindo, sem repetir, como na maioria das vezes. Alguns apostam que sua intuição está voltando e de que ele voltará ser o Agente Dale Cooper, mas como MIKE disse, um deles tem que morrer. É notável que ninguém leva a sério essa situação de Cooper, anteriormente, Dougie, como Janey-E disse, que ele já teve essas “crises” e seu colega de trabalho “já está na terra dos sonhos (?)”, aparentemente parece ser algo comum para as pessoas de sua convivência.

DOUBLE R

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Vimos logo de ínicio, Norma, Shelly, Becky (Amanda Seyfried), Steven Burnett e Toad (interpretado pelo Marv Rosand, que faleceu em 2015 e apareceu neste episódio de forma póstuma, o mesmo está no Missing Pieces). Becky aparentemente é filha de Shelly e pede dinheiro para a mãe. Norma aconselha a amiga, que é praticamente a filha que ela não teve. Becky e Steven são casados e podemos ver que ela deve ter herdado algo da mãe, principalmente o casamento precoce e péssima escolha para parceiros. Steven, que anteriormente estava em uma entrevista de emprego com Mike (o melhor amigo de Bobby, pelo menos na adolescência), e no qual, não conseguiu o emprego e foi devidamente humilhado, usa drogas com a sua esposa Becky, saindo do Double R. Alguns acreditam que Becky será a nova Laura Palmer e que assim que Cooper recuperar sua memória ele resolverá o caso, ou ele na verdade matará Becky, por estar possuído por BOB. De qualquer forma, a cena de Becky no carro ao som de “I Love How You Love Me” da The Paris Sisters, é uma das cenas mais lindas de todo episódio.

DELEGACIA DE TWIN PEAKS

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Hawk e Andy continuam procurando nos arquivos o que está faltando e que está relacionado a Cooper e a descendência de Hawk. Vemos o Xerife Frank ao celular conversando com ex Xerife Truman, quando sua mulher, Doris, chega e reclama sobre um vazamento de um cano e sobre sua frustrações.

CASSINO

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É nos apresentado os personagens de Robert Knepper (Rodney Mitchum) e Belushi (Bradley Mitchum). São dois irmãos e provavelmente donos do Silver Mustang Casino. Eles são informados de que o “bom” Cooper ganhou $425 mil dólares e Rodney, personagem de Knepper dá uma surra em Burns e o substituí por Warrick e ficam com Cooper na mira.

BAR BANG BANG

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Outro personagem é inserido na trama, seu nome: Richard Horne. Sua introdução não foi nada agradável, ele estava fumando em lugar proibido, quando questionado, pareceu resistente. Um policial interferiu, mas era um policial corrupto (Chad Broxford), ele pediu um cigarro, Richard lhe deu o maço, e nesse continha dinheiro. Logo depois veio uma sequência de cenas fortes, de Richard agarrando uma jovem com força, após dela pedir o isqueiro emprestado.  As especulações sugerem que ele seja filho de Audrey Horne, sobrevivente da explosão do banco (salva pelo Pete), com ninguém menos que “bad” Cooper/BOB. A linha de pensamento é que eles tiveram algo logo depois da recuperação dela depois do acidente, o que seria estranho, pois Audrey ficou em coma depois da explosão, então estaríamos falando de um abuso por parte de “bad” Cooper/BOB. O filho poderia ser, mais provável, de John Justice Wheeler. Outros acreditam que possa ser de Jerry Horne, até a semelhança do próprio ator com fisionomia de Jerry. A mãe seria alguém de One Eyed Jack’s, já que era frequente as idas de Jerry lá, até mesmo de Ben Horne.

AGENTE PRESTON

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A agente Tamara Preston examina o arquivo de Cooper e compara suas impressões digitais antes de seu desaparecimento em 1989 e do “bad” Cooper/BOB na prisão Federal. Ela fica intrigada. Talvez comece cogitar a existência de dois Coopers. As impressões digitais do “bad” Cooper são invertidas.

Obs: Jade encontrou a chave de Cooper (a chave do Hotel Great Northern) em seu carro, já que havia o endereço atrás da chave, ela colocou dentro de uma caixa postal, para que fosse entregue. Quem será que irá receber essa chave? E qual será sua reação?


A Caixa em Nova York serve como meio temporário para seres que deixam, ou que estão ligadas com o Black Lodge (ou não). Uma criatura  aparece, quebrando a caixa, matando Sam e Tracey no primeiro episódio. No segundo episódio,  vemos que “good”  Cooper entrou na caixa alguns minutos antes da criatura.

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Possivelmente o bilionário mencionado por Sam, seja o “evil” Cooper, que tem forte interesse em ficar fora do Lodge. É provável que ele esteja conduzindo essa pesquisa por meio do Duncan Todd.

Ele financia a caixa e contrata pessoas para assisti-lo sabendo muito bem o que vai acontecer com você. Quando seu (presumivelmente) assistente lhe pergunta por quê ele (Evil Cooper) o deixa fazer isso com ele, ele diz para ele não ter alguém como ele (Evil Cooper) em sua vida.

Parece que de alguma forma, é sabido sobre o tempo em que “good” Cooper devia ser devolvido e o “evil” Cooper voltaria para o Black Lodge. Também pode ser conhecido “onde” que ia acontecer. Ou, talvez, ele deveria apenas abrir as cortinas para onde o Evil Cooper estava dirigindo e trocar facilmente, mas ele é enviado para o prédio.

“Evil” Coop, monta a caixa de vidro para prendê-lo no lugar onde ele estava indo para retornar, fora deste edifício em Nova York. A máquina de alguma forma o aprisiona e o envia para a caixa no espaço (que também é uma caixa). O visual dele flutuando e depois sendo pego em quadrados cada vez menores, juntamente com os sons de portas de prisão batendo, indicando  que ele está sendo preso.

The Mauve Zone

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O termo foi tirado escrita de Kenneth Grant. Grant foi a primeira pessoa a associar o ocultismo ocidental com os fenômenos de abdução alienígena e o  primeiro a realmente enfatizar o papel de Jack Parsons na história do ocultismo. Ambos os temas desempenham um papel importante no livro de Mark Frost (História Secreta de Twin Peaks).

Grant descreve a “The Mauve Zone” como uma espécie de mundo auto-contido na própria borda da realidade entre o que podemos experimentar (como seres humanos) e o que só podemos conceber como não-existência.

Grant acreditava que a manipulação mágica de nossa realidade poderia ser feita com a ajuda de seres alienígenas na The Mauve Zone, que poderia ser visitada em um tipo particular de sono (como um coma), que havia seres lá que poderíamos considerar monstros e que enviou mensagens para a nossa realidade via fenômeno como OVNIs (ou aparições como o Gigante).

Grant também creditou The Mauve Zone como sendo a fonte de coincidências significativas, sincronicidade e “acidentes felizes” em nosso mundo (como aqueles aproveitados pelas técnicas de detecção mais intuitivas de Cooper).”

 

 

A Criatura

A mulher sem olhos avisa “good” Cooper para que ele não fale, aparentemente para que ele não atraia a atenção da “mãe”, dito depois por uma segunda mulher (interpretada pela atriz Phoebe Augustine, Ronette Pulaski anteriormente e agora creditada como “American Girl”) que avisa também a “good” Cooper para não falar pois chamará a atenção da sua “mãe”. “Good” Cooper troca de lugar com o Cooper/Dougie. A sala de máquinas está ligada com a caixa de vidro, já que Cooper apareceu lá primeiro. Talvez a “mãe” esteja tentando romper a realidade e matar o “good” Cooper.

A máquina em torno da caixa de vidro parece ter sido criada originalmente para ser uma armadilha para Cooper  ou para prendê-lo na sala de máquinas. Se não fosse por essa armadilha ele voltaria para o mundo real através da caixa de vidro, mas foi enviado de volta. O objetivo poderia ter sido trazer “good” Cooper antes da Mãe, que teria matado ele, mas suas “filhas” impediram para salvá-lo.

O que se sabe também é que a caracterização e inspiração vem das pinturas de David Lynch e seu gosto pelo pintor Francis Bacon.

Quadros da exibição "The air is on fire"

                                             Quadros da exibição “The air is on fire” , David Lynch

Francis Bacon, Portrait of a Man ,1953

Francis Bacon, Portrait of a Man ,1953

Os Últimos Dias de Laura Palmer teve sua première mundial no Festival de Cannes em maio de 1992. Diz a lenda que David Lynch editou o filme às pressas quando soube que tinha chance de entrar em competição, e com isso acabou cortando mais de 1 hora de material filmado, pois o festival não aceitaria um filme com mais de 3 horas de duração.

As cenas deletadas foram lançadas mais de 20 anos depois como um extra na edição em Bluray Twin Peaks – The Entire Mystery, que contém o seriado completo e o filme. As cenas foram editadas como um longo filme de 90 minutos, já que Lynch não permitiu que elas fossem reintegradas ao longa. Fãs de Twin Peaks ao redor do mundo, que possuíam facilidade com programas de vídeo e edição, resolveram fazer suas próprias edições caseiras reintegrando o material deletado ao filme.  Algumas dessas edições foram disponibilizadas na internet mas consequentemente retiradas do ar pela CBS, que atualmente detém os direitos de distribuição de Twin Peaks no mundo todo.

Um dos colaboradores de nossa equipe resolveu tentar a sorte e montar a sua própria edição. A pessoa em questão pediu para não ser identificada por nome (inclusive utilizou o pseudônimo ‘Agent Sam Stanley’ para assinar o trabalho), já que pode responder por violação de direitos autorais caso disponibilize o material na internet.

Deixamos então a palavra com ‘Agent Sam Stanley’, autor(a) dessa versão estendida, para falar mais sobre ela:

A primeira coisa que me perguntaram foi o motivo de eu ter montado essa edição, já que muitos outros já fizeram a mesma coisa visando o mesmo objetivo. Se não me engano, a edição que mais repercutiu, de um tal de Q2, foi muito elogiada por fãs e foi considerada o versão estendida definitiva de FWWM.

Assisti à edição do(a) Q2 e achei que o trabalho ficou ótimo. Meu único problema em adotar essa edição como oficial foi justamente o fato de que ele(a) reintegrou todas as cenas deletadas de volta ao filme. Mas a ideia de fazer uma versão estendida não seria justamente essa? Em teoria sim, mas achei que algumas cenas afastam demais o foco da principal da história e acabam deixando o filme (que já é longo) muito arrastado. Em especial, cenas com personagens que não possuem nenhuma ligação com Laura diretamente e simplesmente aparecem para dar o ar de sua graça (Pete, Josie, a turma da delegacia, etc). Minha ideia então foi fazer uma edição minha, escolhendo cenas que acho que são mais pertinentes à história, claro, na minha opinião (ok, algumas cenas incluídas nem são tão pertinentes assim, algumas delas coloquei mais por gostar da cena em si). Na verdade esse é mais um projeto pessoal, uma versão estendida de FWWM que eu pudesse desfrutar em casa. Até porque esse foi meu primeiro trabalho de edição “mais sério” e eu nem achava que ficaria lá essas coisas. Mas mostrei o resultado para várias pessoas e não ouvi nenhuma crítica negativa. Inclusive, os que não estão familiarizados com o filme nem mesmo souberam identificar o que estava diferente em relação à edição original.

Bem, o sucesso me subiu à cabeça e resolvi compartilhar meu trabalho com outros fãs. Não sei de nenhuma outra versão estendida de FWWM feita por algum brasileiro ou brasileira, então aproveitei para montar e sincronizar uma nova legenda e compartilhar junto com o vídeo para os que não estão com o inglês tão afiado. 

O vídeo tem 3h15 no total (essa versão tem 1 hora a mais que o filme original) e em torno de 7 GB (não consegui diminuir mais o tamanho do arquivo sem perder qualidade). Coloco aqui a lista das cenas deletadas que reintegrei ao filme, para o caso de alguém preferir verificar antes de se dar ao trabalho de baixar e assistir: (lembrando que a ordem das cenas segue o roteiro de filmagem de David Lynch e Robert Engels, que consultei na internet)

– Chet e Sam no Hap’s Diner conversam com Jack sobre Teresa Banks

– Briga de Chet com o xerife Cable

– Cooper conversando com Diane no FBI

– Phillip Jeffries em Buenos Aires fazendo check-in no hotel

– Cena completa do aparecimento de Jeffries no FBI

– Cena completa da reunião acima da loja de conveniência

– Cooper interroga Sam sobre o desaparecimento de Chet

– Bobby e Mike conversando no carro e mexendo com Laura e Donna na calçada

– Laura encontra sua mãe na porta de casa e pede as chaves do carro

– Laura volta pra casa, Sarah pergunta onde ela esteve, no jantar Leland ensina as duas a falarem norueguês

– Laura encontra um caminhoneiro na estrada

– Ed e Nadine entram no RR, Nadine sai ao ver Norma, Ed corre atrás dela

– Donna e Laura conversam, Doc Hayward faz truques de mágica, eles comem muffins trazidos por Eileen, Doc lê uma mensagem pra Laura, Leland telefona, Laura e Donna se despedem

– O anão mostra o anel para Cooper e pergunta se é futuro ou passado

– Leo mostra pra Shelly como limpar o chão da cozinha

– Ed e Norma conversam dentro da caminhonete de Ed

– Laura e Donna no carro com Tommy e Buck. Eles chegam no bar “The Power and the Glory”

– Phillip Gerard/Mike ajoelhado no meio de um círculo de velas

– Leland telefona para Teresa Banks

– Teresa diz a Laura e Ronette que o cara desistiu do programa, Laura repara no anel no dedo dela, Teresa liga para Jacques e depois para Leland

– Laura tira a chave de seu diário do esconderijo, abre o diário e cheira cocaína

– Bobby entrega o dinheiro da droga para Laura na escola, na floresta experimenta a droga e descobre que é laxante

– Doc Jacoby liga para Laura

– Laura e Sarah jantam aspargos. Laura pede para ir à casa de Bobby estudar

– Betty recebe Laura enquanto Garland lê a bíblia

– Bobby e Laura conversam no porão, Bobby dá mais droga pra ela e depois a acompanha até a porta

– Leland chega de carro e vê Laura escondida atrás de um arbusto

– Os enfermeiros levam Annie em uma maca pelo hospital

– Cooper questiona o anão sobre o anel e percebe que está preso no Black Lodge

– Annie repete o que disse para Laura para a enfermeira, a enfermeira rouba o anel

– Doc Hayward e Harry arrombam a porta do banheiro e acham Cooper no chão

E aqui fotos de mais algumas mudanças que fiz. Algumas estavam no roteiro, outras coloquei por conta própria. Na edição existem outras, esses são só alguns exemplos:

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Untitled 5

Untitled 6

Link pro arquivo do filme aqui e para a legenda aqui.

O link para o filme também permite que você o assista online, mas sem legenda. Para integrar a legenda é necessário baixar os dois arquivos e deixá-los na mesma pasta. Os dois arquivos já estão com o mesmo nome. Para baixar basta clicar na setinha no canto superior direito. Lembrando que o arquivo é grande e dependendo da sua conexão pode demorar. Espero que gostem!

Há sempre música no ar.

 

No final do 2º episódio da segunda temporada, Cooper tem um sonho com o anão, BOB, Mike e também uma mulher que se parece muito com Laura Palmer. Esse sonho é a chave de Cooper para encerrar o caso do assassinato. Ele acabará por levá-lo a encontrar a pessoa que brutalmente assassinou Laura Palmer e mais tarde Maddy Ferguson.  Este artigo estabelece o caminho que Cooper teve em encontrar o assassino por meio deste sonho. Nesta primeira parte da exploração do sonho, vamos observar o que  liderou Cooper até o final da primeira temporada, onde ele pensou Leo Johnson e Jacques Renault teve algo a ver com a morte de Laura.

Antes de começar, Sarah Palmer tem uma visão de BOB no episódio um. Ele é visto por Sarah ajoelhada ao pé da cama de Laura nesta visão. Podemos incorporar isso com a cena em FWWM, quando BOB entra pela janela de Laura e ela percebe (ou melhor, lembra-se) que BOB é seu pai, Leland. Ele se aproxima da cama desta área, ao pé dela e, portanto, tem alguma correlação com a visão de Sarah. A visão de Sarah é a primeira vez que vemos BOB e, assim o  temos nosso primeiro vislumbre no reino sobrenatural de Twin Peaks.

O Sonho de Cooper no final do episódio 2 leva essa visão Sarah simples e breve mais adiante. É dada mais uma indicação minúscula de quem BOB é; Cooper explica a  Harry e Lucy durante almoço no episódio 3, que Mike é o homem com um braço e BOB é o assassino (não os adolescentes Mike e Bobby como sugere Truman).

O sonho começa com um rápido olhar para a localização da conclusão do sonho, a Sala Vermelha. Cooper parece velho, 25 anos mais velho para ser exato. O LMFAP (Little Man From Another Place) está de pé de costas para Cooper e esfrega suas mãos agressivamente. Esta fricção das mãos é sua maneira de explorar fontes de informação que ele irá compartilhar com Cooper uma vez que o sonho retorna a este cenário.

                  Cooper, em seu sonho, 25 anos mais velho na Sala Vermelha.

Em seguida, estão imagens aleatórias de Sarah Palmer correndo pelas escadas na manhã seguinte à morte de Laura, procurando por sua filha para prepará-la para a escola. O que se segue são vislumbres da visão de Sarah de BOB, do lado de fora do vagão de trem, e depois de Laura deitada no necrotério. Essas imagens ajudam Cooper a descobrir que BOB foi o assassino de Laura. Sarah teve uma visão de BOB, mas não é afirmado que ele é o assassino no sonho. BOB é mostrado, o local do assassinato, em seguida, Laura morta. Essas três cenas são como Cooper chegou à conclusão de que BOB era o assassino, além do que Mike logo lhe contaria.  Os vislumbres de Sarah também poderiam sugerir que ao olhar através da casa, ela poderia encontrar a verdadeira identidade de BOB.

Em seguida, no sonho, somos apresentados a Mike. Aprendemos no episódio 13 que Mike é realmente um espírito habitante que toma o controle de Phillip Gerard , e  que deseja  encontrar BOB e parar seus planos malignos, e que costumava ser parceiro dele. Na primeira temporada, quando Cooper encontra Phillip Gerard, ele é apenas um vendedor de sapatos e não descobre sua conexão mais profunda com a morte de Laura. Gerard, quando Mike está no controle, é a melhor testemunha que Cooper poderia ter ao assassinato de Laura.

Mike diz no sonho de Cooper:

“Through the darkness of future past
the magician longs to see
one chants out between two worlds
Fire walk with me.”

Este canto também será recitado quando Cooper interroga Mike / Gerard no episódio 13.

Depois de recitar o poema no sonho, Mike passa a contar um pouco sobre si mesmo:

“Nós vivemos entre as pessoas, acho que você diz loja de conveniência. Vivíamos acima dela. Quero dizer, é como se fosse. Como soa. Eu também fui tocado pelo diabólico. Uma tatuagem no ombro esquerdo, mas quando vi o rosto de Deus, mudei. Eu tirei todo o braço. Meu nome é Mike, o nome dele é BOB.”

Esta informação leva Cooper a procurar o homem de um braço. No episódio 4, Hawk o encontra no Timber Falls Motel, onde o questionam. Eles têm o desenho que Andy desenhou no início do episódio na residência dos Palmer. O esboço é de BOB como descrito por Sarah Palmer de sua visão. Mike diz que nunca viu o homem antes em sua vida, mas ele meio que se parece com alguém. Cooper pergunta se ele fez uma tatuagem, o que, de acordo com o que
Cooper disse a Harry na manhã seguinte ao sonho, deveria ler “Fire walk with me” mas Gerard diz que o braço foi perdido em um acidente de carro.

Depois da aparição de Mike não sonho, vemos BOB. É o mesmo homem da visão de Sarah.

“Mike? Mike, pode me ouvir?
Te pegarei com o meu saco de morte
Você pode pensar que eu enlouqueci
Mas prometo, que matarei de novo.”

O “saco da morte” é referência inicialmente a uma descrição de envolver suas vítimas em plástico. A promessa de matar novamente é cumprida no episódio 14, quando Maddy é assassinado. Perguntando se Mike pode ouvi-lo mostra que BOB tem medo de Mike e não deseja que Mike o encontre. Satisfeito que ele não está perto, ele fala de sobre seu saco da morte e faz sua promessa. Leland / BOB também recita essas linhas após sua confissão aos assassinatos no episódio 16. Esta recitação conecta Leland ao que Cooper viu de BOB em seu sonho. Isso cristaliza na mente de Cooper que Leland é de fato o assassino e confirma que sua confissão  foi correta.

Na primeira temporada, não vemos BOB exceto na visão de Sarah e no sonho de Cooper. Depois que ele mostra Gerard o esboço no episódio 4, Cooper é conduzido em uma busca para encontrar Bob Lydecker, o melhor amigo de Gerard. Mike diz a Cooper e Truman que Bob é um veterinário e está no hospital, em coma. Truman acrescenta que um Lydecker foi assaltado fora de um bar em Low Town. É por isso que Gerard estava no hospital e foi avistado por Hawk; Ele estava lá visitando seu amigo. Mais tarde no episódio, eles vão para o escritório de Lydecker.

A recepcionista diz a Cooper que o homem do esboço não é o Dr. Lydecker.

Cooper tem usado sua intuição, extraindo de partes do sonho para levá-lo na direção certa. Ele se referiu ao sonho como um código, “Quebrar o código, resolver o crime”. Antes de entrar no escritório do veterinário, ele mencionou que Mike disse que ele e BOB viveu acima de uma loja conveniência. Não é mostrado, mas talvez houvesse um apartamento acima do posto de gasolina. Cooper pede a para Andy entrar na loja e comprar-lhe um fio. Ele a traz para Cooper dentro do escritório do veterinário. É Findley’s Fine Twine, a mesma marca de um dos tipos de fio usado para amarrar Laura na noite de sua morte (e, finalmente, a declaração de Laura em seu sonho sobre seus braços dobrando para trás). Naquele momento, Cooper faz a dedução de que o pássaro que atacou
Laura (Albert indicou que as feridas nos ombros de Laura eram mordidas de pássaro) é um cliente do Dr. Lydecker.

Agora, a conclusão do sonho de Cooper, ocorre na Sala Vermelha:

Cooper ainda está observando o anão vigorosamente esfregando as mãos tentando canalizar as informações que supostamente ele tem que compartilhar com Cooper. Cooper percebe que há mais alguém na sala. Ele vê Laura sentada em uma cadeira ao lado, pelo menos ele acha que é ela.

O anão se vira, bate palmas e diz, “Let’s Rock”.

Esta frase será ecoada em FWWM, quando Cooper encontrar isso escrito no pára-brisa do carro do agente Desmond depois que ele desapareceu. Para o Agente Cooper  (em ordem cronológica), esta frase conecta seu sonho com o assassinato de Teresa Banks, e o desaparecimento do agente Desmond, apoiando o fato de que este é o
mesmo assassino.

Quando o anão se senta, Laura toca seu nariz. A razão exata dela tocar o nariz não é clara e pode realmente não ter qualquer propósito. Uma ideia poderia ser uma referência à dependência de cocaína de Laura. Outra razão poderia ser que ela está dizendo Cooper que este sonho está levando-o na  direção certa. O pequeno homem esfrega as mãos novamente, porém mais lentamente desta vez, a mensagem toma sua forma final em sua mente.

“Tenho boas noticias. O chiclete que você gosta vai voltar em grande estilo”, diz o anão.

Esta frase não será dita até episódio 16, quando o garçom, do antigo serviço de quarto, diz  isso a Leland.
Isso acontece depois que Leland diz ao garçom que o chiclete oferecido ao Cooper era a seu “chiclete favorito do mundo” e que ele costumava mastigar quando era criança. Esta conexão será abordada na segunda parte da análise do sonho.

O pequeno homem vê Cooper olhando para a mulher e diz: “Ela é minha prima, mas ela não se parece exatamente com Laura Palmer?”
Cooper responde: “Mas é Laura Palmer. Você é a Laura Palmer?”
A mulher responde: “Sinto como se a conhecesse, mas às vezes meus braços se curvavam para trás”
O anão continua: “Ela é cheia de segredos. De onde viemos os pássaros cantam uma canção bonita e há sempre música no ar”

O anão se levanta da cadeira, a música começa a tocar no fundo e lentamente fica mais alto, e ele começa a dançar. A mulher se levanta e se aproxima de Cooper e olha para ele com flerte, dando-lhe um beijo antes de sussurrar o nome do assassino em seu ouvido. É neste ponto Cooper acorda e chama Harry, dizendo para encontrá-lo para o café da manhã no Great Northern.

 

“Ela é minha prima” É uma referência a Maddy Ferguson que nós  encontramos no próximo episódio quando ela vem para a residência dos Palmer. Ela parece “quase exatamente como Laura Palmer”. Maddy faz vários omentários sobre “conhecer Laura e “sentir-se próxima de Laura” (principalmente o fato de que os duas serem idênticas na aparência, exceto pelo cabelo e óculos). Esta referência também poderia ser interpretada como uma premonição de que Maddy será  a próxima vítima do assassino.

“Às vezes meus braços dobram para trás”. Esta é uma referência a Laura que foi amarrada na noite de sua morte. No episódio 3, antes que Harry e  Cooper saírempara o funeral de Laura, Albert descreve de como Laura foi amarrada duas vezes naquela noite, fazendo com que Cooper citasse em  seu sonho. É suposto por Cooper e / ou Albert que ela foi amarrado na cabana e também no carro do trem. Albert explica como seus braços foram amarrados, levantando seus braços no ar e para trás. Esta é a maneira de como BOB / Leland amarrou-a no carro de trem, a fim de prepará-la para a cerimônia que culminaria em sua posse.

“Ela é cheia de segredos”. Esta é Laura que conhecemos e de como descobrimos seus segredos ao longo da série, especialmente quando seu diário secreto é descoberto.

“De onde viemos os pássaros cantam uma canção bonita e há sempre música no ar”. Esta frase alcança seu ápice quando Cooper, Harry, Hawk & Dr. Hayward chegam à cabana de Jacques Renault no episódio 5.

Vejamos como Cooper chegou à cabana de Jacques usando elementos do sonho:

Como dito anteriormente, no episódio 4 o sonho levou Cooper ao escritório do Dr. Lydecker. Ele então deduziu que o pássaro que atacou Laura era um cliente do veterinário. Ele também chegou à conclusão de que quem quer que o pássaro pertencesse havia comprado fio Findley usado para amarrar Laura a noite de sua morte  ao lado do escritório do veterinário.

No episódio 5, Cooper está olhando algumas fotos no interior de uma porta do armário na cozinha de Jacques. Lá, ele vê uma foto de uma cabana com cortinas vermelhas. Eles encontram outra cópia de Fleshworld (a revista que continha uma foto de Ronette Pulaski, que Cooper e Truman encontraram no cofre de Laura no episódio piloto).
Harry explica que rastrearam o anúncio, e as respostas ao anúncio chegaram a uma caixa postal. Cooper deduz que a caixa do correio pertence a Jacques. Cooper também encontra outro anúncio com a mesma caixa postal, ele diz que é Laura por causa das cortinas vermelhas e mostra a Hawk e Harry a foto da cabana.

Em seu caminho para a cabana de Jacques, eles se deparam com outra cabana que acaba por pertencer à Log Lady. Ela os convida para o chá e biscoitos. Agora, se Cooper não tivesse feito a conexão entre as cortinas vermelhas e a cabana de Jacques, quem sabe se ou quando ele teria tido uma conversa com a Log Lady e não teria descoberto as informações “significativas” sobre Laura. No episódio 1, quando Cooper a conhece, ela disse que seu tronco viu algo naquela noite. Cooper não teria chegado a esse ponto se não fosse pelas cortinas vermelhas da sala de espera, representadas em seu sonho. A Log Lady traduz para seu tronco, e diz a eles que dois homens e duas mulheres passaram por sua cabana. Mais tarde, outro homem passou e, em seguida, houve gritos a distância sobre a serra.
A descrição que ela dá leva Cooper a acreditar que alguém trouxe as meninas da cabana até o carro do trem.

Aproximando-se da cabana de Jacques, eles ouvem “música no ar”. Dentro da cabana, eles encontram Waldo, o pássaro da espécie mynah. Eles também encontram traços de  sangue, o chip de poker com a mordida e um filme de uma câmera. Com essa evidência, Cooper se determina a  encontrar Leo e Jacques. Nos episódios 6 e 7, Cooper vai disfarçado com Big Ed para One-Eyed Jack’s, onde Jacques está negociando blackjack no cassino.

                                                Cooper e Big Ed “disfarçados” no One-Eyed Jack’s.

Eles atraem Jacques  pela  fronteira e ele é preso por Harry e Andy. Infelizmente, Jacques é assassinado por Leland Palmer mais tarde naquela noite em cuidados  médicos intensivos. Assim, Jacques só é capaz de dizer a Cooper e Truman que Laura falou com Ronette sobre Fleshworld e acrescenta, as meninas tinham ido  até a cabana antes, e, finalmente, que não sabe nada sobre o trem, só que desmaiou e que quando acordou, Leo  e seu carro, e as meninas tinham ido embora.

No momento em que o Agente Cooper é baleado no final da temporada, ele sente que Jacques não teve nada a ver com a morte de Laura e que Leo é  o homem que ele quer prender pelo crime. Isso muda drasticamente no primeiro episódio da segunda temporada, onde seu sonho assume um novo significado. Este sonho é a chave para Cooper descobrir o assassino das três mulheres: Teresa Banks, Laura Palmer e Maddy Ferguson. Sem seguir exatamente o código, Cooper pode ter perdido algumas das informações mais importantes. Seguir Leo e Jacques deu a Cooper informações valiosas sobre a noite da morte de Laura, mas isso o desviou de duas das figuras centrais do sonho: Mike e BOB. Com a ajuda do gigante na segunda temporada, Cooper começa a voltar aos trilhos.
Com as pistas do Gigante, uma reavaliação de seu sonho, e outras ocorrências, Cooper começa a busca do terceiro homem, o assassino, que passou pela cabana da Log Lady na noite da morte de Laura. Estes elementos serão discutidos completamente no próximo artigo sobre o sonho de Cooper.

 

 

The Washington Times publicou essa semana uma entrevista com Sherilyn Fenn, nossa querida e espevitada Audrey Horne. Aos 51 anos, Sherilyn fala sobre relação com fãs, David Lynch, Twin Peaks e Meditação Transcendental. Confira abaixo a tradução que o Igor Leoni fez do bate-papo:

WT – Qual é a coisa mais comum que os fãs falam ao te conhecer?

SF – Eu tinha uma queda por você. Ou “sabia que você era a minha crush?”.

WT – Qual é a reação dos fãs ao te conhecer ao vivo nessas convenções?

SF – Como participei de vários seriados, fiquei surpresa com a quantidade de lembranças trazidas pelo contato com fãs. Conversar com fãs sempre me deixa embasbacada. Fico muito feliz ao saber que meu trabalho tocou tantas pessoas. Mesmo que seu trabalho toque apenas uma pessoa, já considero um dom maravilhoso. Algumas pessoas chegam com análises profundas. Essas pessoas entendem o que eu estava fazendo, o que eu estava tentando passar. Pra mim, atuar é fingir. E isso sempre iluminou minha luta como ser humano, que é tentar crescer e estar segura o suficiente para ser filmada, enquanto eu tento entender as coisas ao meu redor.

WT – É mais difícil encontrar trabalho como atriz aos 51?

SF – Com certeza. É um meio difícil. Tenho 51 anos, então não existem tantos papéis disponíveis. Mas pra ser sincera, eu sempre fui bastante exigente. Mesmo depois que muitas portas se abriram por causa de “Twin Peaks”, eu não quis seguir caminho por elas. E agora eu me sinto muito mais aberta à vida. Eu tenho dois filhos. Minha vida não é dependente da minha carreira. Estou sempre ansiosa à espera do que a vida vai me trazer.

WT – Fale um pouco sobre seu livro. 

SF – Eu acabei de publicar um livro infantil chamado “No Man’s Land” (Terra de Nenhum Homem, em tradução literal), que é baseado no meu filho. Meu filho mais novo possui transtorno do espectro do autismo, e o livro é uma linda história. A vida é uma coisa muito bonita.

WT – Ao se tornar mãe, sua escolha para papeis mudou?

SF – Me tornar mãe para mim foi algo como “Meu Deus, era isso o que eu estava procurando a minha vida toda”. Me trouxe um sentido de realização. Eu nunca imaginei que poderia amar com tanta intensidade. É muito bom não me preocupar mais comigo mesma. Agora eu só me preocupo com meus filhos. Quanto a escolher papeis, acho que minhas escolhas são sempre baseadas em “se eu fizer esse filme, por quanto tempo ficarei ausente?”. O maior dom que posso passar para meus filhos é que eu seja honesta e verdadeira comigo mesma como artista, e que eu coloque isso pra fora da melhor maneira que minha habilidade permita.

WT – “Twin Peaks” foi um grande sucesso, foi difícil para as pessoas te enxergarem como algo além da “garota de Twin Peaks”? 

SF – Pois é, tenho 51 anos e ainda escuto coisas desse tipo. Eu penso comigo mesma “você nunca me conheceu, nunca conversou comigo, não sabe quem sou eu, aquela era uma personagem”. Eu tinha vinte e poucos anos quando fiz aquilo. É meio bobo. Mas não se engane, ao mesmo tempo é um dom maravilhoso. As pessoas dizem que foi “icônico”. Eu nem sei o que isso significa. Isso está além da minha falta de entendimento de valor como pessoa (risos). Estou sendo totalmente honesta.

WT – Como você conseguiu o papel?

SF – Eu não sei. Ele (David) viu algo em mim. Nós conversamos por 15 minutos e ele escreveu uma personagem para mim. Eu não sei. Ele é maravilhoso.

WT – Sabemos que você está participando da nova temporada de “Twin Peaks”. Pode nos adiantar algo do que podemos esperar? 

SF – Nós nos divertimos muito nas filmagens. David escreveu e dirigiu 18 episódios.

WT – Então a qualidade da nova série está no nível da série original?

SF – É claro, David dirigiu! Ele é uma pessoa tão profunda. A conexão espiritual que ele tem é incrível. Ele fez todos nós praticarmos meditação transcendental no set. Eu acho que a nova temporada será talvez um de seus melhores trabalhos, pelo menos assim espero. A beleza de envelhecer é que nós crescemos, aprendemos. Nós acumulamos conhecimento. E por mais que lugares como Hollywood, que só glorificam juventude, nos digam que isso não é nada, eles estão errados.

WT – Você está começando a praticar meditação transcendental? 

SF – Já faz dois anos que comecei. Um dia fui encontrar David. Estávamos bebendo café e eu estava falando como várias coisas estavam erradas, e ele disse “Sherilyn Fenn, você está toda errada! Você precisa de MT!”. Ele me apresentou um professor maravilhoso. Mudou a minha vida.

WT – Quais são seus próximos planos?

SF – Estou escrevendo minhas memórias. E o que o futuro reserva pra mim eu não sei. Estou entregue, aberta e sempre atenta. Acho que esse é um bom lugar para se estar, o único lugar para se estar.

 

Fonte: The Washington Post